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PORTUGAL
DICCIONARIO HISTORICO, CHOROGRAPHICO, HERÁLDICO, BIOGRAPHICO, BIBLIOGRAPHICO, NUMISMÁTICO E ARTÍSTICO
ABRANGENDO
A minuciosa deseripçào histórica e chorographica de todas as cidades, villas e outras povoações do continente do reino, ilhas e ultramar, monumentos e edifícios mais notáveis, tanto antigos como modernos ; biographias dos portuguezcs illuttres antigos e contemporâneos, celebres por qualquer titulo, nota\eIs pelas suas acções ou pelos seus escriptos, pelas suas invenções ou descobertas ; bibliographia antiga e moderna ; indicação de todos os factos notáveis da historia portugueza, etc., etc.
OBRA ILLUSTRADA
COM CENTENARES DE PIIOTOGR AVUR AS
E REDIGIDA
SEGUNDO OS TRABALHOS DOS MAIS NOTÁVEIS ESORIPTORES
POR
ESTEVES 1‘EREIRA e filUIIERME RODRIGUES
^OL. Z — A
LISBOA
JOÃO ROMANO TORRES — EDITOR 82, Rua de D. Pedro V, 88
1901
AO LEITOR
Se 0 primeiro livro d’um povo é o diccionario da sua lingua, o segundo deve ser o da sua historia. Este é tâo essencial como aquelle. Ambos são de uso indispensável e quotidiano.
Porém, juntando á historia a chorographia, que no presente diccionario constitue a verdadeira base, mais util ainda será a obra.
O diccionario historico Portugal substitue e unifica, com a vantagem da sua disposição lexicographica, um avultadissimo numero de publicações das especialidades de que trata, cuja consulta, nem sempre facil, é offerecida ao leitor nos seus topicos mais interessantes. '
Para conseguir este fim temos envidado os maiores esforços.
E’ certo que um grande numero das imperfeições, que em geral se notam nos diccionarios, são especialmente motivadas por uma collaboração variadissima. Os nomes dos numerosos collaboradores, embora colhidos d’entre os mais apreciados no meio litterario e scientifico, originam umas diíFerenças de opinião, de critério e de metbodo, que tornam a obra inferior, pelo menos na sua unidade. Não ba direcção que elficazmente possa obstar a taes defeitos, porque isso reclama muito tempo, grande cautela, a maior attenção e infinita paciência. E’ forçoso fazer as comparações necessárias e as mais conscienciosas investigações.
No diccionario Portugal procurámos obviar áquelles inconvenientes, confiando-o exclusivamente a dois redactores, cujas faculdades de trabalho nos eram bem conhecidas e penhor de bom desempenho de tal encargo.
Não occultaremos os embaraços com que os operosos redactores do Portugal teem luctado desde que aunuiram em executar o nosso projecto. Essas diíficuldades são as peculiares aos emprehe dimentos congeneres; já esperadas, não causam desfallecimento.
Dos vastos materiaes accumulados por tantos e tão notáveis autores, ácerca de Portugal e seus dominios, extrahiram directamente e cora o maior cuidado os dois redactores vários artigos do presente volume. Uma tarefa de tal magnitude tcv^e a facilital-a, por um lado os melhores trabalhos similares, sempre com as devidas citações ;
pelo outro os numerosos estudos históricos, subsidios inéditos e apontamentos dos mesmos redactores, colligidos durante alguns annos e que de ha muito nos fizeram conhecer a idoneidade de taes cooperadores.
Quanto ás cousas, hom.ens e instituições modernas, muitas informações se teem recebido, solicitadas ou espontâneas, o que tudo prova bem o interesse que a obra despertou.
Temos hoje o prazer de apresentar o primeiro volume completo do Portugal á apreciação do publico, que em grande parte conhece já a obra pelos fasciculos distribuidos. Todavia convem declarar que a não quizémos fazer para eruditos, que poucas novidades decerto aqui encontram, mas sim um diccionario, que embora pro- priamente de consulta o fosse também de vulgarisação.
As illustraçÕes dão sem duvida á obra um aspecto novo, suggestivo e pittoresco; não as considerámos apenas um attractivo, tendente a tornar agradavel a consulta ou a leitura; constituem ellas verdadeiros documentos elucidativos do texto.
Fazendo a edição do presente diccionario julgamos prestar um serviço ao publico, que com tanto patriotismo e illustração nos tem coadjuvado. Não nos poupamos a esforços para corresponder a esse honroso favor. Oxalá a obra satisfaça ás exigências geraes.
Lisboa, 25 de março de 1904.
Jo.lío Romano Tokbes
ABREVIATURAS
Nào obstante serem do uso mais vulgar as abreviaturas adoptadas na redaaçào dos artigos, bastando o proprio sentido para claramente as traduzir, aqui fica a sua interpretação para qualquer caso duvidoso.
Houve sempre em vista não prejudicar a leitura que deve ser correntia, nem difiicultar a consulta que não admitte abreviaturas subtis.
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A. |
Autor, autora. Autores. |
est. tel. |
estação telegraphica. |
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AA. |
est. teleph. |
estação telephonica. |
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abr. |
abreviado, abreviatura |
etc. |
et coetera. |
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AC. |
Antes de Christo. |
! e.\. |
exemplo, exemplar. |
|
Acad. R. das Sc. |
Academia Real das Scien- cias. |
Ex.* ou Exc.' Ex.“® |
Excellencia. Excellentissimo. |
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adm. |
administração. |
F. ou f. |
Falleceu. ' |
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adv. |
advogado. |
Fal. ou fal. |
Fallecido. |
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alm. |
almas. |
fem. |
feminino. |
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arc. |
arcebispado. |
F.“ |
Filho. |
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bisp. |
bispado. |
fog. |
fogos. |
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C.* |
Companhia. |
foi. |
folheto. |
|
cam. |
caminho. |
Fr. |
Frei, frade. |
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cap. |
capital. |
freg. freg.* |
freguezia, freguezias. |
|
cap.® |
capitulo. |
front. |
frontispicio. |
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c. c. |
centimetro cubico. |
' front. grav. |
frontispicio gravado. |
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chron. |
chronica. |
goth. |
gothico. |
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Cod. do Proc. Civ. |
Codigo do Processo Civil. |
igr. |
grande. |
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Cod. Com. |
Codigo Commercial. |
Green. |
Greenwich. |
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col. |
columna. |
gray. |
gravura. |
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com. |
comarca. |
1 hab. |
habitantes. |
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comm. |
commentario. |
1 hec. ou hect. |
hectares. |
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conc. |
concelho. |
í ib. ibid. |
ibidem (o mesmo). |
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D. |
Dom, Dona. |
1 111.“® |
Illustrissimo. |
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dec. |
decimetro. |
Imp. |
Imprensa. |
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dicc. |
diccionario |
imp. |
impresso. |
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Dicc. Jur. Com. |
Diccionario Juridico Com- mercial. |
in foi. J. C. |
in folio. Jesus Christo. |
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dir. |
direito. |
Jr. |
Junior. |
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distr. dist. |
districto. |
k. ou kil. |
kilometros. |
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div. |
divisão. |
k2 |
kilometros quadrados. |
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div. mil. |
divisão militar. |
L- |
livro. |
|
doc. |
documento. |
i lat. |
latitude. |
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E |
Este ou Leste. |
liv. |
livro. |
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eccl. |
ecclesiastico. |
long. |
longitude. |
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ed. |
edição. Eminência. |
Lx.* |
Lisboa. |
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Em.* |
m. |
metros. |
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esc. |
escola. |
map. |
mappa. |
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ESE |
Les-Sueste. |
masc. |
masculino. |
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est. |
estampa. i |
mil. |
militar. |
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est. de cam. de f. |
estação de caminho de ferro. |
Ms. ou ms. |
Manuscripto. |
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est. post. |
estação postal. 1 |
N |
Norte. |
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N. ou n. |
Nasceu. |
Rei. rei. |
Relação. |
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Nasc. ou nasc. |
Nascido. |
Rei. do dist. |
Relação do districto. |
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Nat. ou nat. |
Natural. |
: R.mo |
Reverendíssimo. |
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N. B. |
Nota bene. |
; res. |
reserva. |
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NE |
Nordeste. |
1 ret. retr. |
retrato. |
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NO |
Noroeste. |
RR. |
Réos. |
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N.» |
Numero. |
s |
Sul. |
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N. S. |
Nosso Senhor. |
s. |
São (Santo). |
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N. S.* |
Nossa Senhora. |
S. A. |
Sua Alteza. |
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0 |
Oeste. |
' SE |
Sueste. |
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|
ob. obr. |
obra, obras. |
! Sen. |
Sênior. |
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occ. |
oecidental. |
1 S. M. |
Sua Magestade. |
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pag- |
pagina. |
so |
Sudoeste. |
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pat. ou patriaich. |
patriarchado. |
Snr. ou Sr. |
Senhor. |
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P.e |
Padre. |
Sr.* |
Senhoria. |
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P.o |
Pero ou Pedro. |
SS. AA. |
Suas Altezas. |
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post. |
postal. |
SS. MM. |
Suas Magestades. |
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pov. |
povoação. |
Sup. Tríb. |
Supremo Tribunal. |
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prof. prov. |
professor. provincia. |
Tel. teleph. |
Telegraphica. telephouica. |
|
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Publ. |
publicou. |
1 Typ. |
Typographia. |
|
|
R. |
Réo, ré. |
I trad. |
traducção. |
|
|
R A. B. A. |
Real Ambulância |
da |
Beira Un. |
Universidade. |
|
Alta. |
! |
Veja-se, consulte-se. |
||
|
R. A. D. |
Real Ambulância |
do |
Douro. 1 V.d" |
Visconde. |
|
R. A. L. |
Real Ambulancia |
de |
Leste. ! V. Ex.* |
Vossa E.xcellencia. |
|
li. A. M. |
Real Ambulancia do |
Minho. 1 Vol. vol. |
Volume. |
|
|
R. A. N. |
Real Ambulancia |
do |
Norte. 1 V. M. |
Vossa Magestade. |
|
R. A. S. |
Real Ambulancia do Sul. | V. M.c« |
Vossa Mercê. |
||
|
rec. reciut. |
recrutamento. |
i V. N.* |
Villa Nova. |
|
|
R.do |
Reverendo. |
1 V. s.« |
Vossa Senhoria. |
|
|
rep. |
regimento. |
1 &c. |
Et caetera. |
PORTUGAL
-A.
Abação ou Abbaçao. Pov. e freg. da piov. i do Minho, conc. e com. de Guimarães, distr. e arceb. de Braga, orago S. Christovam, 1G9 almas e 44 fogos ; dista 6 k. da séde do conc. Abbacão é appclíido d’uma familia arabe, composto das palavras Abi e çam; abi quer dizer pae; e çam equivale a assignalado. || Pov. e fr. da prov. do Minho, situada na Serra de Santa Cathariua, conc. e com. de Guimarães, distr. e arceb. de Braga, orago S. Thomé. Até ao século xvi esteve annexada a freg. de S. Christovam. Dista 3 k. da séde do conc. 321 almas e 72 fogos.
Abaças ou Abbaças. Pov. da íreg. da prov. de Traz-os-Montes, conc. com. e distr. de Villa Real. Orago S. Pedro. Está situada na margem esquerda do rio Tanlta, eme nasce ao N. do Valle de Nogueiras, passa em Ponte Pedrinlia e entra na esquerda do Corgo no logar de Fervide. Aba- ças é um nome derivado do arabe, (Uhabaxa), o que equivale a Aldeia Negra. Tem 1668 alm. e ^)9 fog. Tem escolas de ambos os sexos e es- tação postal que permuta malas com Villa Real. Em 24 de abril de 1200, foi-lhe concedido foral por D. Sancho I. A pov. dista 10 k. da séde do concelho.
Abaels. Moeda de prata da índia, talvez ori- ginaria da Pérsia,, e a qual nos fins do século xvii o conselho da fazenda mandou fundir para se cunharem xerafins.
Abada. Pov. da freg. de Carvalho de Rei, conc. de Amarante. || Féra das terras de Sofala, na África, da qual o primeiro exemplar que se viu na Europa foi o que el-rei D. Manuel mandou ao papa Leão X.
Abadalassa. Jogo usado nas cortes de D. Af- fonso V e D. João II.
Abambres. Pov. e freg. da prov. de Tráz-os- Montes, conc. de Mirandella, distr. e bi.sp. de Bra- gança, orago S. Thomé, 528 almas, 91 fogos. A pov. dista 10 k. da séde do conc.; tem escola do sexo masculino. [I Pov. da freg. de Matheus, conc. de Villa Real.
Abauadar (Çaffadim). Rei de Ormnz, por cuja morte Affonso d’Albuquerqne auxiliou ao seu suc- cessor Toruxa.
Abarca. Appellido de familia nobre portu- gueza, descendente de D. Pedro Guevarra, aio de D. Sancho de Navarra, e que passou a Portu- gal na pessoa de D. Francisca Abarca, mulher de Antonio Lopes Galhardo, que serviu Portugal no tempo de D. João IV, na guerra da Restauração, e foi general da cavallaria na prov. da Ikura. Esta familia entroncou-se com os descendentes do infante D. Diniz, filho de D. Pedro I e de D. Ignez de Castro, pelo casamento de D. Maria Francisca Abarca de Boléa Urrés Peres de Men- donça, com 0 marquez de Valencina, descendente directo do infante. As armas d’esta casa são : em campo de oiro uma banda de cadeia azul dou- rada e em orla, e nos claros do escudo duas al- parcas xadrezadas de negro e ouro, forradas de vermelho.
Abarinho. Pov. da freg. de Silvares (S. Cle- mente).
Abaritan. Imprecação portugueza antiga, que quer dizer ; Sepultado sejas vivo nos infernos como fôram Abiron e Dathan. Era muito usada nas es- cripturas dos foraes, e uma ameaça para quem se atrevesse a infringir as garantias alli estabe- lecidas.
Abasto. Appellido de familia nobre portu- gueza. Brazão incompleto : em campo verde cruz negra firmada, perfilada de prata e cantonada de uma vieira de ouro.
Abbade. Titulo de dignidade e auctoridade ecclesiasticas. Começou a usar-se este titulo em 472. Era um titulo de respeito de qualquer monge. Abbade dos Abbades é o titulo que usavam os superiores dos mosteiros de S. Cueufate e de S. Vicente de Fóra, no bisp. de Beja. O deão de Lamego tinha o titulo de abbade de Almacave, O mestre escola da collegiada de N. S.* da Oli- veira, cm Guimarães, era nomeado Abbade de S. Thiago. Os arcebispos de Braga, desde a união
VOL. I — FL. 1
ABB
ABB
(lo convento dc S. Victor á camara arcliiep. d’a- quella diocese, tiveram o titulo de Ahhades de /S. Victor; prelado d’uma abliadia regular que, sendo elevado á dignidade episcopal, transfor- mava a sua egreja e mosteiro em cathedral e séde do bisp.: tal foi S. Martinho, bispo de Dume, junto a I5raga. Alhade dvs conegos, os que precediam em tudo aos priores crasteiros, prepusitos ^yresi- dentes ou vigários. Pertenciam aos mosteiros de conegos regrantes. í>. Theotonio foi em Portugal o primeiro que trocou este titulo pelo de prior. Abbade Magnate, abbade da congregação de S. Bernardo, que tinha território proprio e isento de jurisdicçào episcopal. Conhecia das cousas matrimoniaes e sacrilegas. Dava demissorias aps súbditos seculares, punha vigário geral, etc. Taes eram os abbades de S. Pedro das Águias, 8. João dc Tarouca, 8. Christovam de Alafòes, 8anta -Maria de Piães, e 8anta Maria das Salzedas. Ab- bade do Prelado, titulo que gosavam os abbades de egrejas seculares e parochias, que tinham sido antigamente mosteiros, como a de Soalhaens, no Porto, e a de 8ebadim em Arcos de Valle de
Abbade. Cabo ou ponta situada- no extremo leste da ilha do 1’riucipe, na África.
Abbade de Castro. V. Castro e ííotisa.
Abbade de Neiva. l*ov. da prov. do Minho, freg. de 8anta Maria, cone. e com. de Barcellos, distr. e arceb. de 13raga. Também é conhecida pelo nome de Condevão, 722 alm. e 154 fogos J )ista 5 k. da séde do conc. Foi fundada a freguc- zia em 1152 pela rainha D. Mafalda, mulher de J). Affonso I, que começou a construir um sum- ptuoso mosteiro, que ficou incompleto. O abbade, nomeado pela casa de Bragança, era ouvidor per- petuo de Fragoso. Nomeava juizes, recebia lu- etuosas, gados do vento e coimas, sem que o rei recebesse a terça. N’esta freg. festeja-se Santo Amaro, havendo grande romaria cm 15 de janeiro. A antiga egreja parochial é de simples apparen- cia; tem junto um adro, que serve também de cemiterio, e onde se vôem algumas sepulturas, sendo uma notável do século xvii, que tem lavra- dos alguns emblemas de pedreiro, e outra, já muito arruinada, que evideutemente se vê ser de épocas muito mais remotas, conhecendo-se ainda a esculptura tosca d’um cavalleiro armado, já muito corroída pelo tempo.
Abbade de Vermoim. Pov. da prov. do Minho, freg. de Santa Maria, conc. e com. deFamalicão, distr. e arceb. de Braga. 114 alm. e 23 fog. Foi abbadia archiep. E’ fértil em cereaes, vinho, azeite, fruetas c legumes. Cria muito bom gado bovino. A pov. dista (5 k. da séde do conc. e do rio Ave.
Abbades. Pov. da freg. de Gandra, conc. dc Ponte de Lima.
Abbadessa. Primeira dignidade n’uma com- munidade de religiosas. Abbadessa geral, aquella cuja auctoridade se estendia a todas as abbadias da mesma ordem. Abbadessa secular, aquella a (}uem era commettido o governo temporal d’uma parochia com obrigação de apresentar ao bispo do logar um sacerdote idonco para curar as almas. Assistia, e pai-cce que ás vezes presidia, ás as- sembleias ecclesiasticas. Citam-se em Portugal, entre outras, Maria Gonçalves, na egreja de Cam- bres, Larnego, e Goina í’ires, na de 8. Julião de Vai de Cambres, Vizeu. As abbadessas eram ele-
(j
cti\as; havendo abbadessas perpetuas, eleitas para toda a vida.
Abbadia. Dignidade, direitos, privilégios de um abbade: egreja, mosteiro, jurisdicçào, bens e rendas pertencentes ao mosteiro ou egreja abbacial. As abbadias eram regulares ou em coin- menda; aquellas tinham por chefe um religioso; estas um secular ou leigo. Havia também abba- dias electivas, que tinham o direito de nomear 0 seu superior; e abbadias madres, que deram origem a muitos mosteiros da mesma ordem. As abbadias reaes eram do padroado do 'rei.
Abbadia. Pov. da freg. de Santa Maria jlo Bouro, cone., com. c arceb. de Braga. O sanctua- rio que ha u’esta povoação é composto de 11 ca- pellas, sendo 8 maiores dedicadas á Virgem, e 3 mais pe<iuenas, significando a Paixão de Christo. A historia d’este sanctuario e a da egreja é quasi a mesma historia do convento de Bouro. Conta a lenda, que por oceasião das guerras com os aca- bes, os religiosos do convento de Bouro se reti- raram d’aqui, ficando apenas na capella de 8. Mi- guel de Abbadia um eremita de habito negro, a quem veiu depois juntar-se Pelayo Amado, fidalgo da côrte do conde D. Henrique, que procurava a solidão, por lhe ter morrido sua mulher. Certa uoite, segundo conta a lenda, viram os dois ceno- bitas na garganta da serra uma luz mysteriosa c
£gieja da Senhora da Abbadia
viva, e para ahi se dirigiram muito curiosos. En- contraram então no sitio uma imagem da Virgem, esculptura em pedra, e desde logo pensaram na construcção d’uiua capella. Juntaram-se-lhe en- tão outros eremitas, e assim se começou o con- vento, que D. Affonso I engrandeceu, coucedeu- do-lhe muitas rendas e o senhorio (lo couto de Bouro, em 1148. A profissão dos eremitas reali- sou-se em 1159, mas alguns annos mais tarde, sendo muito desabrigado e áspero o local da Abba- dia, resolveram approximar-se mais da margem do Cavado c sobre ella fundaram o actual convento, para onde transferiram a imagem; mas a Virgem teimava scnq)rc em fugir j)ara a Abbadia, reali-
A BB
ABE
saudo-se o milagre, diz a leiula, da Senliora, por mais diligencias dos frades, desapparecer do con- vento, e reapparecer na Abbadia. Foi esta a ori- gem do convento de liouro e do Sauctiiario.. Em seguida ás capellas segue um largo com grandes alpendres avarandados, ao fundo do (jual se le- vanta 0 templo, e em cuja frontaria se vê o ora- torio protegido por fios de ferro, dentro do rjual está a imagem da Virgem. No dia 15 d’agosto ha grande romaria. Celebra-se missa tpie os romei- ros ouvem ajoelhados no grande largo e quebra- das próximas; a Abbadia apresenta n’esse mo- mento 0 aspecto d’uni grande acampamento me- dieval. II Pov. nas freg. de Santo Quintino, cone. de Sobral de Mont’Agraço; de Ancede, de Cor- tes, cone. de Leiria; de Mataeacs, cone. de Tor- res Vedras, e de Pinzio, cone. de Penafiel. || Rio afil. de Alcobaça, distr. de Leiria; N. na Serra de Alpedriz, passa a O. da Batalha. Curso 25 k.
Abbadia Velha. PoA^ da freg. de Ucauha.
Abbadiado. Nome que davam aos priores das freguezias em algumas cidades de Portugal.
Abbadim. Pov. da prov. do Minho, freg. de S. Jorge, cone. e com. de Cabeceiras de Basto, ilistr. e arceb. de Braga. 5ÍW alm. 136 fog. Tem escola do sexo masculino. I). Manuel deu-lhe fo- ral cm 12 de outubro de 1514. Teve por donatá- rios os Camões, de Guimarães. Foi também seidior d’este couto e do de Negrellos o dr. Diogo I.opes de Carvalho, desembargador do paço, que foi instituidor d’estes dois morgados. As armas dos Carvalhos são : em campo azul uma estrella d’ouro (uitre uma quaderna de meias luas de prata (cres- centes). Timbre, um c}’sne de prata com uma estrella de ouro (como a das armas) no peito, ar- mado d’ouro. Até 1834, teve juiz ordinário, os respectivos escrivães, e mais empregados do couto. A pov. fica situada no monte da Canha, e dista 4 k. da séde do conc. E’ palavra arabe (ah- hadim). E’ abundante de cereaes, fruetas, vinho, colmeias, gado, caça e pesca. || Pov. na freg. de Castellòes de Cepeda, cone. de Paredes. || Pov. na freg. de Gontinhães, prov. do Minho^onc. de Caminha. Está situada na margem esquerda do rio Ancora, que é aqui atravessado por uma ponte de cantaria de um só arco, construida pelos ro- manos. Chama-se a poide de Ahhadim. Esta ponte pertence, metade ú freguezia de Gontinhães, c a outra metade á de Aucora; ficando metade do conc. e com. dc Viauna do Castcllo, e metade do conc. de Caminha, da mesma comarca.
Abbados. Pov. na freg. ile Carvalhacs, conc. dc S. Pedro do Sul, a 20 k. de Vizeu.
Abbedim. Pov. e freg. da prov. do Minho, conc. e com. de Monsão, distr. de Vianna do Casfello, arceb.^de Braga; orago Santa Maria. 545 alm. e 154 fog. Teve por donatários os Ca- maras Coutinhos, de l’ico de Kegala<los; os Abreus, de Merufe e Regalados, que appreseuta- vam 0 abbade; e os Magalhães, de Braga. Existe n’csta' freguezia a capclla de S. Martiuho, que tinha dizimos. Perto dc Abbedim, entre Coiira c Monsão, e sobre uns montes, ainda se veem ves- tigios d’uma torre antiquissima, a cuja edificação presidem varias lendas, e que foi mandada de- molir no século xv; era o castello de S. Martinho de l’enha.^ Em torno das minas entrelaçam-se arvoredos seculares; existe no castello uma ca- verua que póde conter dez homens, e dentro uma fonte dc boa agua, a que os i)OA’os das iinmcdia-
çòcs attribuem virtudes therapcuticas; mais acima ha outra caverna, também com uma fonte, que póde conter 200 homens, e á qual se seguem outras mais pequenas. Nos limites d’esta freg. ha a Setulaalba a que chamam na terra o vidueiro. Da casca d’esta arvore, (juo é muito boa c alvis- sima, se serviram os antigos, com cspecialúhule os romanos, para escreverem, cmquanto se não inventou o pergaminho. A pov. dista 12 k. da sede do concelho.
Abbella. Pov. e freg. (Nossa Senhora da As- sumpção) da prov. da Estremadura, conc. e com. de S. Thiago do Cacem, distr. de Lisboa, bisp. dc, Beja. 1055 alm. 280 fog. A 10 kil. da séde do conc.
Abdegas. Nome arabe d’Ourem, que conser- vou aimla por algum tempo depois de ser tomada em 1136 por D. Affonso Henriques.
Abdon. V. Adon.
Abeção. Pov. da freg. de Barbeita., conc. dc Monsão.
Abedim. Pov. na freg. de Gondomil, conc. dc Valença.
Abedon. V. Adon.
Abegão. Casal na freg. d’Evora, conc. d’Alco- baça. II Sitio na freg. de Collas, conc. d’Aljustrcl.
Abegôa. .Logar na freg. d’Areias, conc. dc Portalegre.
Abegoaria. Casal na villa da Certã, conc. de Belmonte. || Casal na aldeia da Bemposta, conc. de Abrantes. || Casal na freg. de Canha, conc. dc Aldcgallega. || Casal na freg. de Gallés, conc. de Mafra. || Herdade na freg. de Pigeiro, conc. de Alandroal. || Quinta ou habitação na freg. de Alvorge, conc. d’ Ancião. || Herdade na freg. dc Graca do Divor, conc. d’Evora. || Sitio na freg. de í^erreira, conc. do Ferreira.
Abegoens. Nome dado antigainente aos enfer- meiros dos hospitaes.
Abegões. Pov. da freg. de Germil, conc. dc Pcnalva do Castello. || Casal na freg. de Carnota. conc. dWlemquer. || Casal na freg. d’Almodovar, conc. d’Almodovar. || Sitio na freguezia d’Areias, conc. de Marvão.
Abeilã. Herdade na freg. de Palma, conc. dc Alcácer do Sal.
Abel. Actor muito conhecido nos theatros do Porto e Lisboa. N. cm Vianna do Castello, cm 22 de janeiro dc 1824, f. no Porto em 9 dc se- tembro de 1882. Ainda muito novo, fugiu de casa com a ideia de ser actor; e depois de se apre- sentar no Porto, passou para o theatro do Gym- nasio de Lisboa, onde sempre se distinguiu, tendo creaçòes magnificas, como no Lago de Kilamcy, Corarão de mãe, Tio Paulo, lAtiza ou a repara- ção, A Grammatica, e muitas outras. Sahindo do Gymnasio, escripturou-se no antigo theatro das Variedades, representando na magica Loteria do Diabo, em que muito agradou no papel de Abada- lah, apesar d’elle ter sido creado pelo actor Isido- ro, que alcançou um successo. Tornou depois para 0 Porto, assistiu á inauguração do theatro do Pa- lacio de Crystal; voltou a Lisboa, onde sc con- servou até 1875, seguindo depois outra vez para o Porto, escripturado na companhia <lo novo thea- tro da Trindade, que ardeu pouco depois; d’ahi passou a representar n’um barracão dos Carme- litas c n’outras casas de espectáculo. Abel foi sempre um actor de mérito e de muita utilidade.
Abel. Pov. na freg. de Facha, conc. de Ponte de Lima.
A HE
AHE
Abelâo. V. Abelhão,
Abelha. Pov. na freg. de Burgãcs, uouc. de Santo Thyrso. || Serra ein Traz-os-Montes, limi- | tes da Villariça, com. de Miranda; 2 k. de com- primento e 2 do largura. Tem abuudancia de matto e de caça. || Herdade na freg. de Santa Luzia, couc. d’Odemira. || [Penedo da) Herd. na freg. da Graça do Divor, conc. d’Evora.
Abelha. Jornal publicado em Lisboa, por D. Catbarina de Andrade, 1836 a 1843. O pri- meiro numero publicou-se em portuguez e os outros em francez. |[ Jornal publicado no Porto, em 1856.
Abelha (A) de Bombaim. Jornal portuguez, publicado em Hombaim, em 1848.
Abelha (A) da China. Jornal portuguez, pu- blicado em Macau, em 1823.
Abelha (A) do Meio-Dia. Jornal publicado cm Lisboa, 1809 a 1810.
Abelha (A) portugueza. Jornal publicado em Lisboa, em 1821.
Abelhal. Pov. na freg. de Santa Cruz do Dou- ro, conc. de Haião.
Abelhão. Pov. na freg. de UI, conc. d’01iveira d’Azemeis.
Abelhas (Serra das). Na prov.
da Beira Alta, proximo do rio Ta- vora, conc. d’Aguiar da Beira, com. de Linhares. É sêcca, esteril e tem alguma caça.
Abelheira. Serra, no distr. de Bragança, entre os rios Tua ou Tuella é Rabaçal. || Serra no distr. de Beja, ramificação da serra de Adiça, 5 k. ; altura 274 m., cha- mada também serra da Atalaia. Na freg. de Montalvo, que esta serra atravessa, existe um grande bo- queirão, e junto d’elle houve, n’ou- tro tempo, uma ermida habitada por dois eremitas. Dizem haver n’esta freg. minas de ouro, que não fôran\ exploradas. || Serra no Algarve. É pequena e tem minas de carvão. || Logar em Ponta Del- gada, ilha de S. Miguel. Pomares de larangeiras. || Monte que prende na Serra d’Ossa, no distr. e com. d’Evora. Nasce n’este monte um pequeno ribeiro, que morre no De- gebe. Produz matto e algumas arvores silvestres. Tem boas pedreiras de mármore de cores e branco. Caça miuda, || Serra em Traz os Montes, conc. de Miranda. E quasi toda cultivada. Para o oeste estende um ramal até ao sitio chamado Egrejinlia, sitio que deriva o nome d’uma antiga capclla que existiu alli. Esta serra continua para um sitio chamado Castellinhos, onde ainda ha vestigios de fortificações mouriscas. || Pov. nas seguintes freg. Abiul, Alcofra, Almalagues, Amo- reiras (conc. de Odemira), Ardegão (conc. de Ponte de Lima), Boliqueime (conc. de Loulé), Bougado, Castellõcs, Certã, Cintra, Covas, Fer- meutòes, Geraz e Santa Tecla, Louredo, Louri- çal, N. S.* da Salvação (conc. da Lourinhã) Ma- rinhas, Martim Longo, Oliveira de Azeméis, Pa- ços de Brandão, Paradella da Serra, Passos, Sandomil, S. Joanninho (bisp. de Coimbra), Santa {'Iara a Velha, Santa Maria Maior de Vianna do Castello, Senhorei, Sobral da Abelheira, Sobro- za, Torgueda, A’illa Chã, (conc. d’Espozcnde),
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Villar Chão (couc. d’Altandcga da Fé), Villari- nho (arceb. de Braga).
Abelheira. Pov. na freg. de Santo Antão do Tojal, na prov. da Extremadura, conc. de Loures, dist. de Lisboa. Ha n’esta çovoação uma impor- tante fabrica de papel, que toi fundada n’unia ex- cellente quinta, chamada Quinta da Abelheira, outr’ora pertencente ao mosteiro de S. Vicente de Fóra de Lisboa, da ordem dos conegos regrantes de Santo Agostinho. Era uma das melhores pro- priedades d’este rico mosteiro, tanto pela sua grande area como pela circumstancia de ser atra- vessada por um rio, que sempre tem corrente, mais ou menos, ainda mesmo no verão, circuin- stancia muito importante em uma provincia como a Extremadura pouco abundante d’agua. Apro- veitando esta vantagem, lembraram-se os cone- xos de crear na quinta um estabelecimento fabril, fundando junto do rio do Tojal, que n’este sitio toma 0 nome de rio Trancão, uma fabrica de pa- pelão e papel pardo, cujos produetos vendiam por conta própria em uma loja do seu quarteirão no Rocio de Lisboa. Extinguiram-se depois as ordens religiosas, e cm 1836 o abastado nego-
Fabrica da Abelheira
ciante João d’01iveira, que mais tarde foi minis- tro da fazenda, barão e conde do Tojal, comprou a Quinta da Abelheira, conservando o estabele- cimento no mesmo estado em que o encontrou, até 1841, anno em que o reformou, mandando vir machinas novas e dando-lhe novas proporções. Começou então a fabricar papel de escrever e de impressão, que mostravam já bastante aper- feiçoamento n’este ramo de industria. Apezar do to(íos os seus esforços, o conde de Tojal, quando falleccu, deixou esta empreza fabril ainda longe de poder competir com a industria estrangeira. Felizmente, os sens herdeiros continuaram a aper- feiçoar a fabrica, que foi progredindo, tornando- se hoje um dos primeiros estabelecimentos do seu genero. Pertenceu também a fabrica ao sr. William Smith, cunhado do fundador, e hoje é propriedade da casa Guilhenne Graham Junior & Ó.‘ que lhe tem dado um desenvolvimento ex- traordinário, introduzindo-lhe grandes melhora- mentos, mandando vir as melhores e mais aper- feiçoadas machinas, alargando os corpos do edi- ficio e construindo outros novos; cmfim dando-lhe iucrcnicuto e desenvolvimento a ponto de a tor-
ABE
ABI
iiarcin uina das primeiras fabricas do paiz. Actual- inente, os seus produetos são muito estimados e procurados, principalmente o papel de impressão c de escrever. Em cousequeucia dos novos pro- cessos de fabrico de papel que na fabrica se tem introduzido, a produceão é grande em toda a qua- lidade de papeis, desue o papel de escrever até ao papel de embrulho. Emprega a fabrica, além do pessoal do escriptorio, armazéns em Lisboa, dire- ctor technico, engenheiros, etc., perto de 200 ope- rários que d’alli tiram o pão quotidiano, conside- rando, como de facto é, a fabrica o principal ele- mento de riqueza do sitio da Abelheirae arredores. Tem os produetos da fabrica obtido diversos prê- mios nas exposições, como por e.xemplo nas de Lon- dres de 18Õ1 e 1862; na de Paris, nas do Porto de 1857 e 1861; na de Lisboa de 1863, e ultima- mente na dos Açores. Estes prêmios são o hon- roso testemunho dos progressos d’este estabele- cimento. Os actuaes proprietários teem, com o desenvolvimento dado á sua fabrica, contribuido muito para o bem estar dos habitantes da Abe- Iheira e arredores, já empregando grande nu- mero de operários, já angariando pelos meios ao seu alcance, concertos e reparações em estradas, edifícios, etc., pelo que são muito estimados no sitio. Podem considerar-se uns verdadeiros bene- meritos, porque, segundo nos consta, não é só o interesse de auferir grandes lucros, que os pro- prietários teem em vista na exploração da fabri- ca, conservando-a ainda a seu cargo, porém sim, a estabilidade do pessoal, que sustenta, e, que na maior parte, não conheceram nunca outro geuero de trabalhos nem outros superiores ; na classe de operários teem d’alli vivido, por assim dizer, fa- milias inteiras, succedendo-se paes para filhos, avós para netos, considerando-se já como filhos da casa, sempre respeitadores e fieis cumprido- res dos seus deveres.
Abelheiras. Pov. na freg. de lloelhc e Passi- nhos, cone. de Penaficl.
Abelheirinha. Sitio em Sobral da Abclheira c Habitação em Amoreiras cone. d’Odemira.
Abelheiro. Pov. na freg. de Canedo, cone. de Celorico de Basto.
Abelheiros. V. Avilheiros.
Abelhinha. Herdade na freg. de Santa Luzia, conc. d’Ajustrcl.
Abelho. Appellido de familia asturiaua, que passou a Portugal e d’onde procedeu Nuno Alva- res Coutinho Barradas, capitão-mór da villa de Grandola, dist. de Lisboa. Esta familia está boje no seu ramo priucipal confundida com a familia Garridos da casa de Bouça, de que é represen- tante José Guedes Coutinho Garrido Rangel e Alpoim, tendo por brazão : em campo verde de campanha uma arvore de sua côr perfilada de ouro e raizes do mesmo, junto d’ella um cortiço, sobre este uma fouce de prata, e de roda do cor- tiço muitas abelhas, tudo de ouro.
Abelhoa. Logar na freg. de Pedorido, conc. d’Agueda.
Abelhões. Herdade, na freg. de Vidigão, conc. de Arrayollos.
AJbelhoso. Pov. na freg. de Lavra, conc. de Bouças.
Abelitrio. Cidade da antiga Lusitania; boje Alter do Chão.
A Bella. Freg. do conc. de S. Thiago do Ca- cem, (N. S.* d’Assumpção). V. AbhcUa.
Abelo (Pero). Fidalgo cavallciro port., (pic, no aniio ue 1507, por ordem de I). Francisco de Almeida, se dirigiu na aimada a l*anane, ombs muito se distinguiu, combatendo os mouros de Calecut.
Abeloiras. Logar ou quinta na freg. de Ma- ceira, conc. de Fornos d’Algodres.
Abenoia. Casal na freg. de Santa Maria de Marvão, conc. de Maivão.
Abendanho. Appellido do familia nobre por- tugueza, vindo de Hespanha na pessoa de I). Pe- dro de Abendanho, que foi alcaide mór da villa de Barcellos, no reinado de D. Atfonso V. Brazão incompleto : em campo azul camisa mourisca de prata, e tres settas do mesmo n’ella cravadas com as hastes ensanguentadas, duas para a di- reita 0 uma para a esquerda.
Abesoucas de baixo, Abesoucas de cima. Aldeias na prov. da Extremadura, patriarch. de Lisboa, conc. de Santarém, termo e freg. da villa de Montargil.
Abezudes. Pov. na freg. de Viariz, conc. do Baião.
Abicada. Sitio da freg. e conc. de Portimão.
II Casal da freg. de Mexilhoeira, do mesmo con- celho.
Abiebanas. Casal da freg. e conc. de Rio Maior.
Abicheiro da Lavradora. Sitio e quinta da freg. de Felgueiras, Jloncorvo.
Abicheiros. Logar na freg. de Riba Tua, conc. d’Alijó.
Abicosa. Casal na freg. de Penalva d’Alva, conc. de Oliveira do Hospital.
Abilheira. Pov. na freg. de Abiul, conc. de Pombal.
Abitonicas. Casal da freg. de S. Luiz, conc. de Odemira.
Abitureira. Pov. na freg. d’.;\mieira, conc. de Oleiros ; invocação de S. Francisco d’ Assis. || Pov. na freg. de Mansores, conc. d’Arouca. || Casal na freg. de Vide, conc. de Cêa. || Quinta na freg. do Villa do Touro, conc. de Sabugal. || Pov. na freg. de Scbollido, conc. de Gondomar, com. e distr. do Porto, situada na margem direita do Douro. Ha aqui uma mina de cobre, no leito d’um regato chamado Hibciro de Couce.
Abitureiras. Freg. na prov. da Extremadura, conc., com. e distr. de Santarém, patriarch. de Lisboa; 1899 alm., 4.30 fog. Tem escola do sexo masc. Orago N. S.“ da Conceição. Foi vigararia apresentada pelo prior de Mafra, que era sem- pre um conego da Sé de Lisboa. E’ terra muito fértil e dista 12 k. da séde do conc. Foi reguengo da coroa com juiz ordinário e escrivão.
Abismo ou Abysmo. Freg. de Moncarapacho, Algarve. E’ uma cova profundíssima no principio do Monte da Cabeça, do lado do mar. E entre ro- chedos e está sempre cheia d’agua.
Abiul. Villa e freg. (N. S.' das Neves) da prov. da Extremadura, conc. e com. de l*ombal, distr. de Leiria, bisp. de Coimbra; 2710 alm., 638 fog. Feira no l.“ domingo de agosto; tem es- cola e correio que permuta malas com Pombal. A villa está situada n’um valle cercado de ou- teiros, encostada á ribeira do mesmo nome e dista 10 k. da séde do conc. Abiul parece ser cor- rupção de Ahiud, nome hebraico. O primeiro fo- ral d’esta villa foi-lhe dado por Diogo Pearis e sua mulher Dona Exemena, cm 1167, sem outro
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toro mais que a decima de todo o pão, vinho, li- nho, alhos, cebolas e legumes, cultivados nos seus campos. Oito aunos depois, Diogo Pearis e sua mulher deixaram de ser os senhores de Abiul, ignorando-se o motivo ; passou então a villa para a corôa. D. Atibnso I, em 1175, fez doafão da re- ferida villa ao mosteiro <le Lorvão, e no mez de dezembro, d’esse mesmo anno, o abbade João e os frades deram-lhe outro foral, que reformaram um anno depois. Em 15G1 e 15G2, desenvolveu-se na villa uma grande peste, em que morreu muita gente. Os habitantes fizeram um voto, que con- sistia u’uma grande festa a N. S.“ das Neves, no primeiro domingo d’agosto, dia da feira. A festa fez-se muitos annos á custa da camara, e depois foi feita por mordomos voluntários. Havia na praça um grande forno (jue se acceudia na sexta feira antecedente, e depois de arder até ao do- mingo, em q_ue se gastavam 12 ou 13 carradas de lenha, mettiam-lhe dentro um bolo (fogaça) de 10 ou 12 alqueires de trigo, o qual era tirado por um homem que para esse fim entrava no forno, comtanto que estivesse preparado com os sacra- mentos da confissão e communhão. D. Manuel deu-lhe novo foral em 14 de julho de 1515, man- dando reedificar a egreja matriz, que estava muito arruinada. Até 1759 pertenceu o senhorio da villa aos duques d’Aveiro, e cada um dos mo- radores lhes pagava 3 réis. Dizem que existem ainda ruinas do palacio dos duques e d’outras casas nobres. 0 palacio fôra mandado construir por André da Silva Coutinho, de (]uem os duques d’Aveiro o herdaram. Sendo, em 1759, confisca- dos todos os bens dhiquelle ducado, passou o se- nhorio da villa para a corôa, e foi depois com- prada a maior parte do que possuiam em Abiul, pelos fidalgos Aboins ou Alvins. Pela freg. passa a Serra de Sicó e o rio do Seiçal. Tinha capitão com duas companhias de ordenanças.
Abizoein. Appellido d’uma antiga familia por- tugueza. II Pov. na prov. de Entre Douro e Mi- nho, bisp. do Porto.
Abizonde. Pov. na prov. do Entre Douro e Minho, bi.sp. do Porto.
Aboa. Aldeia na prov. de Traz os Montes, bisp. de Miranda do Douro. Arcyprestado e termo da villa de Monforte de Rio Livre. Tem só 9 mo- radores, e está fundada sobre o monte da Pico- nha; pertence á freg. de S. Nicolau de Oandedo; na aldeia ha uma ermida dedicada a N. S.* da Encarnação.
Aboadella. Freg. da prov. do Douro, conc. e com. d'Amaraute, dist. e bisp. do Porto; o seu jirimitivo nome era Ovelha do Marão. 813 alm., 212 fog. Dista G k. da séde do conc. |1 Pov. na freg. de Cepòcs, conc. de Tuimego.
Abobada (A). Romance historico de Alexan- dre Ilerculano, época 1401; tem por assumpto a construcção do convento da llatalha, pelo archi- tccto Mestre Atfonso Domingnes, que a delineou, e que apezar de cego a concluiu, depois das obras terem sido entregues ao architecto francez Mes- tre Ouguet; segundo a lenda, Atfonso Domin- gues quiz morrer na celebre sala do capitulo, cm cumprimento de um voto fatal. Divide-se cm 5 capitulos : 0 Ce.fjo, Mestre Ouguet, O Auto, Um Hei Üavalleiro, 0 voto fatal.
Abobada. Pov. da prov. do Alemtejo, orago S. Marcos, conc., distr. e dioc. dT.vora; 309 alm. fiO fog. Dista 20 k. da sede do conc. || Pov. da
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freg. de S. Domingos de Rana, distr. de Lisboa, conc. de Cascaes. || Pov. em S. João do Monte, conc. de Tondella, dist. de Vizeu. || Courella na freg. de S. Marcos da Abobada, conc. d’Evora. || Courella na freg. de Gomes Ayres, conc. d’Almo- dovar, distr. de Reja. j[ Moinho na freg. e com. d’Alvito, distr. de Praga. || Moinho na freg. dc Paderne, conc. d’ Albufeira, distr. de Faro. || Quinta e herd. da freg. d’ Aldeia Nova, conc. de Serpa, distr. de Peja. || Moinho na freg. de S. Praz dc .Mattos, conc. d’Alandroal, distr. d’Evora.
Abobadas. Herdade da freg. de Quintas, conc. de Parrancos.
Aboboleira. Pov. da freg. de Mouçós, conc. de Villa Real. || l’ov. de Valle d’Antaí conc. de Chaves.
Aboboraes. (hisal da freg. da Raposa, conc. d’Almeirim.
Aboboreira. Pov. da prov. da Extremadura, freg. de S. Silvestre, conc. de Abrantes, com. de .Mação, distr. de Santarém, bisp. dc Portalegre. Teiii escola do sexo masc. G92 alm. 158 fog. A pov. dista 15 k. da séde do conc. || Logar na freg. de Mouçós, conc. de Villa Real. || Logar na freg. da -Vrea, conc. de Ponte de Lima. || Logar na freg. dc Folhada, conc. de Marco de Canavezes. |j Lo- gar na freg. de Tarouguella, conc. de Siufãcs. || Logar na freg. il’Azueira, conc. de Jlafra. || Lo- gar na freg. de Sarzedas, conc. de Castcllo Pranco. || Logar na freg. de Figueiras, conc. de Cadaval. || Sitio com dois casaes, na freg. de S. 4'lieotonio, conc. de Odemira. |j Herd. da freg. dc Ciladas, conc. de Villa Viçosa. || Azenha, na freg. de Rio dc Moinhos, conc. de Porba. || Pov. na freg. do Arneiro, conc. de Santa Martha de Penaguião.
Aboboreira (Serra da). Junto da villa Cahis, distr. do Porto. Eucontra-se aqui, em plena ser- ra, no vasto plató denominado Chã de Parada, a
Dolnicn da Aboboreira
Icndaria casa dos mouros ou dolmen. A situação d’cste dolmen é sobre um monticulo de terreno, havendo muito proximo, na mesma linha, duas outras mamôas, cm uma das ipiaes esj)ecialmcnto se notam evidentes vestigios da existência de outro dolmen. Este, de que falámos, está ainda regularmente conservado, apesar dos lavradores das ])roximidades o terem estragado muito, em busca de thesouros, (pie dizem existir alli. Consta dc 9 pedr:is, incluindo a cobertura, e tem mais 5 do lailo esípierdo e 3 do hido direito da entrada, (pie é voltada ao oriente.
Aboboreira Cimeira. Pov. da freg. de 01a- Ihas, conc. dc 'i'homar.
Aboboreira Fundeira. Pov. tia freg. de 01a- Ihas, conc. dc Thomar.
Abodarramam (Cid). Senhor <la cidade de Satím com o soccorro dos portngnezes ein 28 de setembro de 1498.
Abogão. V. Abcgão.
Abogoaria. A’. Ahegnaria.
Abogòes. A'. Abcgàes.
Abohab da Fonseca (Isaac). Judeu portuguez nat. de Castro Daire, educado na llollanda, para onde foi aos 7 aunos; foi discípulo de Uriel da Costa; exerceu alguns cargos na Syuagoga, e es- teve algum tempo no lirazil, passando depois a Anisterdam, onde se relacionou com o padre An- tonio Amieira, que muito o considerava, dizendo, falando a seu respeito e d’outro famoso rabbi portuguez, Menassés ben Israel: «que este di- zia 0 que sabia, mas cpie Abohab sabia o que dizia». Morreu em 1G98. Escreveu em hebraico, hespanhol e portuguez. No livro das Alabanzas de JJavid, escripto em castelhano pelo rabbi Ja- cob Jehudah, vem uma approvação de Abohab em lingua portugueza- Também na colleccão dos Snmòes, (pie se pregaram na dedicação da .Syua- goga portugueza, Taliuud Thorah, em Amster- dam, no anno 435 (era de Christo 1G75) em 4.", vem um sermão seu, que Innoceucio diz que lhe parece estar escripto em portuguez. As obras que d’elle se couservam são to(his nas linguas hebraica e castelhana. N’esta nltima é famosa por mérito e raridade a seguinte: Parafrasis commentado sobre el Pentatcuco por cl sehor Jshac Aboab II. dei K. de Amsterdam estampiada em casa de Jaacob de Cordova, 1541 (anno de Christo, 1681), folheto.
Aboicinhas. Ilerd. da freg. de Aziuheira de Ilarros, cone. de Grandola.
Aboim. Appellido de familia nobre portu- gueza, procedente de IJ. João Paes d’Aboim. As suas armas são um escudo esquartelado: o pri- meiro e quarto quartéis xadrezados de ouro e azul ; o segundo e terceiro com tres palas de azul em campo de ouro; timbre, dois braços vestidos •le azul, pegando com as mãos ein um taboleiro de xadrez com o primeiro quartel do escudo.
Aboim (Diogo Guerreiro Camacho). Dezem- bargador da Casa da Supplicação; n. em Ouri- que, em 1661 ; formou-se em Direito Civil, exer- ceu vários logares da magistratura, e morreu em 1709. Escreveu: Eschola moral, política, ckristã e jnridica, dividida em quatro piartes, nas quaes lém de Prima as quatro VirUules cardeaes, Lis- boa, por Antonio de Souza da Silva, 1733, foi. .Sahiu 2.* e 3." edição por Domingos Gonçalves, em 1747, e por Bernardo Antonio d’01iveira, em 1759. Escreveu varias obras de jurisprudência em latim, as quaes fôrani reimpressas álgumas vezes.
Aboim (.loão Correia Manuel). Poeta e jorna- lista, n. em 1814. Foi filho 2.° de Antonio Cor- reia Manuel de Carvalho Aboim, fidalgo caval- leiro da casa real, alcaide mór de Cabrella, se- cretario da meza da consciência e ordens na re- partição da ordem de S. Thiago. Começou a es- tudar 0 curso de marinha, e sentou praça como aspirante, em 1830; em 1834 pediu baixa, sem comtudo deixar de cursar algumas aulas superio- res. Protegido pelo padre Marcos, arcebispo de l>acedemonia, obteve a nomeação de secretario da bulia da Santa Cruzada e efepois, em 1838, a de amanuense de 1.” classe do ministério do reino, de que foi e.xonerado por circumstancias
políticas, segundo se disse, sendo aceusado como tazendo parte da redacção do jornal satyrico O Peneireiro, jornal humoristico, que elle fundára cm 1855, tendo por collaborador Rodrigo Paga- nino; publicaram-se sómente 25 numeros. João d’Aboim estivera no Rio de Janeiro uns quatro ou cinco annos, na legação portugueza, e dizem que vivendo também da sua penna; escreveu en- tão duas obras poéticas: O livro de minha alma e Saudades da minha terra. Depois, em conse- quência das eventualidades das respectivas em- prezas, foi empregado successivamente na com- pauliia do caminho de ferro de Lisboa a Cintra (1857j; na companhia setubalense de illuminação a gaz; na empreza particular de construcção de Louis Longe; e afinal na linha ferrea do sul, como fiscal do governo, fallecendo em Setúbal, em 25 de novembro de 1861, com uma congestão cerebral. N’esta cidade, em 1859, redigiu um se- manário, intitulado O Improviso. Escreveu, além dos dois livros de poesias, cm que já fallámos: Devaneios poéticos, Lisboa, 1842 ; Os meus últimos versos, Lisboa, 1854 ; A’ tarde entre a murta, co- media em 3 actos; O recommendado de Lisboa, cm 1 acto; O Homem põe e Deus dispõe, em 2 actos ; As nodoas de sangue, drama em 3 actos ; Cada louco com sua mania, em 1 acto; Wilhel- mina, romance de Paido Fmieher, trad. do fran- cez. Collaborou nos seguintes jornaes : O Purtu- guez,^ Correio de Setúbal, Cysne do Sado, Curioso de Setúbal, As Modas, Epoca e Jornal do Com- mercio. As obras dramaticas representaram-se muito cm IJ.sboa e no Brazil.
Aboim (D. João Peres de). Nat. d’Aboim da Nobrega, d’onde lhe veiu o appellido; era filho de l*ero Ourigues, que foi sempre fiel conq)a- nheiro de D. Sancho II, serviudo-o com o maior , zelo. Quando D. Afibnso 111 subiu ao throno, ele- vou D. João Peres d'Aboim, seu valido, a mor- domo mór, e depois governador do Algarve. Em resultado das successivas generosidades d’aquelle monarcha, chegou a fundar uma das mais opulen- tas e poderosas casas de Portugal. Abusando bastante da amisade do rei, não se contentava só com as dadivas reaes, e extorquia aos municí- pios conces.sões valiosas. Este procedimento ia dando origem a prejudiciaes discórdias entre Portugal e a Curia Romana. Até á morte de I). Atton.so III manteve o seu alto valimento, e ainda no reinado de D. Diniz conservou o cargo que até alli oceupára; porémi com o tempo, a casa foi cahindo em decadência, a ponto que já em tempo de D. AfiFonso ser vendido o seu solar. Os Aboius e Nobregas eram grandes fidal- gos, alliados com algumas famílias nobilíssimas de Portugal e Hespanha.
Aboim (Joaquim da Nobrega Cão de). Presby- tero secular, n. em A’illa Real de Traz-os-Mon- tes; foi durante alguns annos prior da freguezia de S. Julião, em Lisboa, sendo depois elevado a monsenhor e a conego da Sé Patriarchal. Parece que jjertenceu á congregação do Oratorio, en- trando em 17 de setembro de 1757. Acompanhou a familia real para o Brazil, em novembro de 1807 ; mas regressou a Lisboa, no anno de 1823. Publicou 0 seguinte : Oração fúnebre nas exequias do ser.““ sr. D. José, jyrincipe do Brazil, celebra- das na igreja de S. Julião, Lisboa — 1788; Oração panegyrica em acção de graças pelas melhm as do ser.‘"“ nosso senhor, o sr. D. João, recitada
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na capdla do (juartd do regimento de cavallaria de Alcantara, Lisboa, 178Í); Vida de tí. Jidião, esposo de Sancta liasilisa, virgens e martyres de Antiodiia. Com vma dissertação previa sobre a 2>luralidade de sarictos do mesmo nome. Lisboa, 17i)0; Junio em Lisboa; Ode jdndarica. Canta os amores do prrincipe regente 7iosso senhor, o sr. 1). João. Jjisboa, 1801 ; Elogio histórica do ser."'” sr. D. Pedro Carlos de Bourbon e Bragança, Rio de Janeiro, 1813. Parece que morreu no Jlrazil, mas ignora-se a data do fallecimento, assim como a do nascimento.
Aboim (José de Brito Guerreiro Mascare- nhas'e). Fidalgo da côrte de D. João VI, capitão da companhia de cavallaria das Ordenanças de Jjagôa. O seu brazão, conferido em dezembro de 1801, compunha-se d’um escudo esquartellado ; no primeiro quartel as armas dos Britos, no se- gundo as dos Correias, no terceiro as dosMasca- renhas, e no quarto as dos Aboins.
Aboim (José Joaquim Ealema de Andrade Guerreiro de). Fidalgo e capitão-mór das orde- nanças de S. Thiago do Cacem, no anno de 1824, terra da sua naturalidade ; tinha por brazão um escudo esquartellado : no primeiro quartel as ar- mas dos Salemas, no segundo as dos Camachos, no terceiro as dos Guerreiros e no quarto as dos Aboins. !
Aboim. Ribeira, affluente do Lima, onde entra i
10 k. abaixo de Ponte da Barca, atravessando as , freg. de Aboim e Covas; distr. de Vianna do ' Castello. II Pov. da prov. do Minho, freg. de Santa | Maria, conc. de Fafe, com. de Guimarães, distr. | e arceb. de Braga. Dista 15 k. da séde do conc. || | l’ov. da prov. do Douro, freg. de S. l’edro, conc. e com. d’Amarante, distr. do Porto, arceb. de Braga; 335 alm., Í)1 fog. O seu nome primitivo foi tSanta Cruz d’Aboil. Dista 7 k. da séde do conc. II Logar da mesma freg. e conc. ; 350 alm. || Logar da freg. de Rebordosa, conc. de Paredes.
11 Pov. da prov. do Minho, freg. de S. Martinho, com. de Bareellos, distr. e arceb. de Braga. Foi vigararia do convento de Carvoeiro. 1| Pov. da prov. do Minho, com. de Celorico de Basto, conc. de Cabeceiras de Basto; 150 fogos.
Aboim e Codeçoso. Couto e conc. da prov. do Minho, que foi extincto em 1834; pertencia á com. de Celorico de Basto. Tinha juiz ordinário, camara e respectivos escrivães e meirinhos. Era donataria a collegiada de Guimarães.
Aboim das Choças. Pov. e freg. (Santo Este- vam). conc. e com. de Arcos de Valle de Vez, distr. de Vianna do Castello, arceb. de Braga; 435 alm. 122 fog. Dista 10 k. da séde do conc. 1 O nome de Choças, dizem os antigos, ser derivado, por se terem ali edificado algumas quando acam- pou na freguezia, D. Aflonso VII, rei de Leão, com 0 seu exercito para dar a batalha dos Arcos de Valle de Vez, em 1128, ou segundo outros em 1130, hatalha em que ficaram derrotados os cas- telhanos. Em 1643, esteve aqui reunindo a sua gente, D. Diogo de Lima, visconde de Villa Nova da Cerveira, quando foi em auxilio de Monsão, sitiada pelos hespanhoes. Era commandante dos exércitos o conde de Castello Melhor. Na defeza de Monsão, illustrou-se a condessa D. Marianna de Lcncastre, que sempre deu provas de ter varo- nis espirites. D. Manuel deu foral a Aboim das (Jiocas, <iuc estíl iiicluido no dos Arcos de Valle de Vez.
i Aboim da Nobrega. Pov. c freg. da prov. do i Minho, do conc. e com. de Villa Verde; até 1855, I foi de Pico de Regalados, distr. e arceb. de Braga; ' orago N. S.“ d’Assumpção; 1139 alm. 280 fog. No ■ Casal do Eioco, d’esta freguezia, nasceu o celebre fidalgo João Soares Vives, que era capitão-mór das náus da índia, e que por desgostos com al- guns fidalgos portuguezes, partiu para Castella, e mais tarde Filippe IV fez conde de Nobrega.
: A freguesia é cortada pelo ribeiro d’ Aboim, que nasce em Gondomar, e vae precipitar-se no rio Lima. Ha aqui duas pontes de pedra, uma no sitio da Lameira, chamada de Portabril e outra perto da egreja, chamada Ponte da Ordem. O rio cria boas trutas, e as suas margens são, na maior parte cultivadas. Foi couto e commenda da ordem militar de Malta, passando depois para a corôa. Tinha juiz ordinário, dois vereadores, procurador, meirinho, escrivão da camara e do eivei, a cuja eleição presidia o corregedor de Vianna. O juiz e escrivão dos orphãos eram os da Barca. O com- meudador servia de capitão-mór. O primeiro se- nhor d’este couto (hoje extincto) foi D. João d’Aboim, que viveu na aldeia do Outeiro. (V. Aboim). A pov. dista 6 k. da séde do concelho.
Aboinha. Logar da freg. de Tebosa, conc. de Braga.
Abol. Logar na freg. de Ega, conc. de Penafiel.
Abol de Cima. Logar da freg. de Ega, conc. de Penafiel.
Aboleira. Logar da freg. de Jou, conc. de Valle de Pa.ssos.
Abolembra. Pov. na freg. de Gandra, conc. d’01iveira d’Azcmeis. •
Aboloura. Quinta da freg. e conc. da Guarda.
Abor. Appellido nobre em Portugal.
Aborim. Pov. na prov. do Minho, freg. de S. Martinho, conc. e com. de Bareellos, distr. e arceb. de Braga. 351 alm. 77 fog. Dista 12 k. da séde do concelho.
Aborinheira. Logar da freg. de Santa Catha- rina, conc. das Caldas da Rainha.
Aborrida. Pov. da freg. de S. Bartholomeu, conc. d’Arouca.
Abouço. Logar da freg. de Fonte Arcada, conc. de Povoa de Lanhoso.
Abrabanel (Isaac). Judeu portuguez; n. em Lisboa em 1437, f. em Italia em 1508. Serviu el- rei D. Aftbnso V, e passou depois para o serviço de Fernando o Catholico, e finalmente retirou-se para a Italia, quando rebentou na Peninsula his- pânica a perseguição contra os judeus. Escreveu uns commentarios do Antigo Testamento, que são estimados.
Abraemos. Uma das muitas e variadas moe- das d’oiro, que correram em Gôa, na índia, no século XVI, levadas ali pelo commercio.
Abragão. Pov da freg. de Amiil, conc. de Fafe. II Pov. das freg. de Cornes e Nogueira, conc. de Sinfãcs. || Pov. e freg. da prov. do Douro, conc. e com. de Penafiel, distr. e bisp. do Porto; 1161 alm. 278 fog. O orago é S. Pedro. Foi fundada a freguezia nos fins do século xii, em 1170, pela rai- nha D. Mafalda, mulher de D. Atfouso I. Era so- lar dos Mouròes Guedes, e pertenceu ao couto de Villa-Boa-de-Quires; foi dos marquezes de Fon- tes, que apresentavam os abbades. A egreja ma- triz, dedicada a S. Pedro, é um bom templo, mandado construir cm 1200, pela rainha Santa Mafalda, filha dcD. Sancho I. Em 1668, o abbatle
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graduado do extincto Regimento de Milícias Idanha, depois agregado ao regimento de
de Abragâo, dr. Anibrosio Yaz Golias, natural de Guimarães, reedificou-a, á sua custa, fazendo também d’alli a sua residência. Antes da cons- trucção da egreja de S. Pedro, havia duas, uma nas Portellas e outra em Santôme. N’este idtimo sitio, chamado agora Campo Santo, descobri- ram-se em 1717 algumas sepulturas razas e um grandioso tumulo de pedra. Abragão 6 terra muito abundaute em tudo, e dista 10 k. da s6de do concelho.
Abrã Grande. Pov. na freg. de Abran, conc. de Santarém, 1000 alm.; tem escola.
^ Abralanse. Aldeia da Extremadura, patriarc. de Li.sboa. O nome é derivado da palavra arabe Ahralhanaxi, composta de aòra (entrada) e lia- naxe (cobra).
Abram. Pov. da freg. de Cividade (S. Tliiago), da cidade e conc. de Braga.
Abran. Pov. da prov. da Extremadura, conc. e com. de Santarém, patriarch. de Lisboa; orago Santa Margarida; 1162 alm. 273 fog. Tem escola do se.xo masc. e estação postal que permuta ma- las com Alcanede. Foi curato do prior d’estavil- la. A pov. dista 20 k. da sede do concelho.
Abrançalha (João José Henrique Trigueiros de Castro e Atliayde, visconde de). Po/decretode 24 de jidho de 1869. Moço fidalgo com exercido na Casa Real, abastado proprietário em Abrantes. N. a 4 de julho de 1836. Era filho de José Ber- nardo Trigueiros do Rego Martel, fidalgo da Casa Real, commendador da Ordem de Christo, coro- nel de
Castello Branco; coronel do 5.® Batalhão Nacio- nal Movei de Lisboa. Esteve no cerco do Porto cm 1832 e 1833, serviu no deposito militar no posto de tenente coronel, gra- duado em coronel do Regimento de Milícias da Idanba ; sua mãe,
D. Maria ChristinaRôino de Cas- tro e Athayde. O visconde de Abrançalha casou em 1867, com sua prima, D. Maria Eugenia Rônm de Castro e Athayde. Tem por brazão escudo partido em pala: na primeira as armas dos Pereiras: em campo vermelho uma cruz de prata, florida, vazia do campo; na segunda pala as armas dos Regos: em campo verde uma banda ondeada de prata e azul, encimada por tres vieiras de ouro.
Abrançalha. Ribeira no distr. de Santarém, aflluente do Tejo. Curso 10 kilometros.
Abrançalha de Baixo e Abrançalha de Cima. Duas pov. da freg. de S. Vicente ^lartyr, conc. e villa d’Abrantes; Abrançalha de Baixo tem 39 fog. e a de Cima, 48.
Abranches (D. Álvaro). Fidalgo da corte de D. João III, capitão mór de Azamor, e pae de D. Maria Abranches. (V. este nome).
Abranches (D. Álvaro). Filho do 1.® conde de Valladares, n. a 7 de junho de 1661 e f. em 6 de abril de 1746. Foi conego da Sé de Lisboa, depu- tado do Santo Ofiicio, regedor das justiças e bispo de Leiria, nomeado em 1694. 1). João V quiz transferil-o para o arcebispado d’Evora, mas elle não acceitou. Foi homem muito instruído e um prelado exemplar.
Abranches (D. Álvaro Yaz J Almada, conde voi,. I — Fi,. 2
Brazão do Visconde d'Atjran(aIba
Conde de Abrancliea
de). Era filho de D. João Álvaro d’Almada, bis- neto, por sua avó paterna D. Maria da Cunha, do senhor de Pombeiro, João Lourenço da Cunha, primeiro marido de D. Leonor Telles. Esteve com seu pae em Inglaterra, que para alli fòra, por motivo que se ignora, mas em 1415 jã est.a- vam em Portugal, pois seu pae, D. João Álvaro d’Almada, assistiu ã tomada de Lisboa como al- feres das tropas do município de Lisboa, e Ál- varo Vaz d’Ãlmada distinguiu-se muito n’essa expedição militar, sendo abi armado cavalleiro pelo in- fante D. Pedro, que acabava tam- bém de receber de seu pae a ordem da cavallaria. Vol- tando a Portugal, não tardou a pas- sar a Inglaterra, levado pelo amor de aventuras, que tanto distinguiam então os cavallei- ro s portuguezes, que se encontra- vam i)or toda a parte, ora affron- tando na Europa os perigos das guerras, ora nos mares africanos os perigos dos temporãos. D. Álvaro Vaz d’Al- mada serviu com tanta distineção nos exerci- tos dos reis de Inglaterra, Henrique V e Hen- rique VI, que este lhe deu o titulo de conde de Avranches na Nonnandia. Os nossos historia- dores dizem que o condado de Abranches ou de Avranches foi concedido a D. Álvaro A'’az d’Al- mada pelo rei de Franp, Carlos VII; porém Fi- Çanière e o visconde de Santarém aflirmam que foi o rei de Inglaterra Henrique VI. Figanicre baseia-se n’uns documentos originaes, que publi- cou, e que diz existirem no Museu Britannico; n’esses documentos prova-se como o duque sobe- rano da Normandia lhe conferiu o condado de Avranches. Quando os reis de França adquiri- ram finalmcnte a parte d’essa província franceza, é que Luiz XI confiimou o titulo de conde de Avranches em D. Fernando d’Almada, descen- dente de D. Álvaro. Também militou na Allema- nha, nos exercitos do imperador Segismundo, en- contrando-se alli com 0 infante D. I’edro. Os reis de Portugal reconheceram e confirmaram, posteriormente, o titulo de conde de Abranches. D. João I, em 23 de junho de 1428, nomeou D. Álvaro capitão-mór das galés, cargo que se conservou na sua casa até ao reinado de D. Se- bastião, epoca em que foi extincto. D. Álvaro Vaz d’Almada, voltando a Portugal, fez parte da . infeliz expedição de Tanger, no exercício do seu cargo de capitão-mór das galés, portando-se sem- pre com toda a bravura e energia. Depois da morte de D. Duarte, em que começaram as dis- córdias por causa da regencia do reino na meno- ridade de D. Affonso V, D. Álvaro seguiu o par- tido do infante D. Pedro, que se tornou regente do reino, regencia tão abundante de intrigas pa- lacianas e traições, a que o infante succumbiu,
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sendo morto traiçociramcute na batalha d’Alfai-- robeira, de tristíssima memória. Foi n’esta bata- Iba, em 20 de maio de 1449, que o conde d’Abran- ches egualmente succumbiu, logo em seguida ao seu amigo D. Pedro. D. Álvaro Vaz d’Almada, conde d’Abranches, teve illustres descendentes, contando-se entre elles D. Antào Vaz d’Almada, um dos mais celebres dos quarenta fidalgos do primeiro de dezembro de 1640, que concorreram para a libertação de Portugal do jugo castelha- no, sendo em seu proprio palacio que se reuniam os conjurados, debaixo do maior segredo. Brazão: as armas são as me.smas dos Almadas : em campo de ouro uma banda azul na qual se veem sobre- postas duas cruzes de ouro abertas e floreteadas, e nos vãos, em outra banda, duas aguias verme- lhas armadas de negro. Timbre, uma das aguias. O titulo de conde de Abrancbes terminou na pessoa de ü. Antão d’Almada, que acompanhou Í>. Sebastião na infeliz jornada d’Africa, mor- rendo em 1578, cm Alcácer Kibir. Em 13 de maio de 1793, D. Maria I conferiu Aquella illus- tre familia o titulo de nobreza e o de conde de Almada.
Abrancbes (Antonio Joaquim da Silva). Filho do Dr. José Madeira Abrancbes e de D. Leonor ('azimira da Silva Abrancbes, n. em Avô, com. d'Arganil, cm 15 de janeiro de 1807, e f. em Lis- boa a 2 d’outubro de 1868. Bacharel em direito. Sabindo da Universidade, foi despachado, em pouco tempo, juiz do crime d’um dos bairros de Lisboa, depois de uma leitura feita no desem- bargo do Paço, e que foi muito apreciada. Até 1833, desempenhou esse diflicil logar, sem gran- gcar odios dos inimigos políticos do regimen que ellc servia,e sem ser, comtudo, infiel a quem o iiomeAra, tanto que em 1833, quando triumphou a causa liberal, logo se demittiu. Então estabe- leceu banca de advogado, e desde logo adquiriu como jurisconsulto brilhante reputação, attestada pelas provas de estima que a sua classe lhe dis- pensou, já nomeando-o secretario perpetuo da Associação dos Advogados, já publicando em 1842 um livro intitulado Bibliotheca dos Advoga- dos, como 0 affirmam os diplomas de socio cor- respondente da Academia de Legislação de To- losa, e do Instituto dos advogados brazileiros, que Silva Abrancbes recebeu. Advogado do Supremo ']'ribunal Administrativo, preferiu sempre os es- tudos de jurisprudência. Não quiz nunca encar- regar-sc d’uma causa crime, porque entendia ser remorso para a sua consciência o salvar um cri- minoso ou condemnar um inuocente. Foi membro do Conservatorio Real de Lisboa e d’outras cor- porações scientificas e litterarias. Pouco antes de fallcccr, foi também conunissario regio do theatro de D. Maria II. Escreveu : Bibliotheca do advogado; Annaes da Associação dos Advogados; O captivo de Fez, drama em 5 actos; O Barão dos gallegos, farça em 1 acto ; Ensaio sobre o gosto c Amintor no Empyreo (estes dois escriptos da- tam dos seus primeiros annos da Universidade). Cursando o 2.® anno, escreveu Cartas de Ache- ronte e Verdadeira mfluencia da religião no Es- tado. Diz Innocencio, no supplenrento do seu J Hccionario: No catalogo de escriptores collo- cado á frente do tomo i da versão dos Fastos de Ovidio, pelo visconde de Castilho, a foi. lxvi, vem 0 seu nome acompanhado da resenha dos ' titulos de varias composições. Não traslado
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para aqui estes escriptos, por não tel-os preseii tes, ignorando se são manuscriptos, se impres- sos. Na dita versão dos Fastos, tomo iii, acha-se uma nota do Dr. Abrancbes, que corre de pag.‘ 244 a 251, e tem por titulo : Os Juramentos.
Abrancbes (D. Antonio Lobo da Costa Bor- ges e). Fidalgo da corte de D. José. O seu bra- zão, que data de 1751, contém as armas dos Cunhas e Nogueiras.
Abrancbes (Antonio Manuel do Itego). N. cm Thomar, em 1793, f. cm Lisboa, a 6 de fevereiro de 1851. Foi-mou-se na faculdade de Direito na I Universidade de Coimbra, e depois de desempq- i nhar por alguns annos vaidos cargos da magi^ tratura, passou a exercer a advocacia em que se tornou distinctissimo. Era um bibliographo aba- lisado, que não só timbrava em colleccionar uma preciosa livraria, mas em estudar com ardor a bibliographia portugueza. Dirigiu na typogra- phia Rollandiana as reimpressões de vários clás- sicos da nossa lingua, taes como os Diálogos, de fr. Amador Arraes; a Imagem da vida christã, de Heitor Pinto i a Ulyssipo, de Antonio de Sousa de Macedo, etc., escrevendo elle mesmo os prefá- cios. E’ auctor de vários libellos, memórias, alle-
S;ões, e.vposições, etc. Escreveu: Um índice chro- ogico e remissivo da novissima legislação portu- gueza, que se imprimiu em Lisboa, no anno de 1836 ; O Catalogo alpliabetico das obras impressas de José Agostinho de Macedo, presbytero secular e pregador regio, c^ue publicou em 1849, assi- gnando o folheto so com iniciacs*. Memória jus- tificativa sobre a condueta do Marechal de Campo Luiz do fíego Barreto, durante o tempo em que foi Governador de Pernambuco e Presidente da Junta Constitucional do governo da mesma provinda. Lisboa, 1822 l’osto que não traga o seu nome, é fama corrente que elle a escrevera, coordenando e pondo em ordem os documentos que a funda- mentavam, etc. Defeza ou resposta do Tenente General graduado Jorge d’ Avillez Juzarte de Souza Tavares, Lisboa, 1823.
Abrancbes. (Aristides). N. cm Li.sboa a 6 de ' maio de 1832, f. em 16 d’agosto de 1892; escriptor e funccionario publico; empregado na Secretaria I do Conselho de Saude Publica, ficando depois I addido ao ministério do reino; foi ensaiador do theatro da Trindade, e depois director de scena 1 no theatro de D. Maria, cargo que exerceu até á data do seu fallecimento. Imitador e traduetor, tem um longo reportorio de peças theatraes; fundou 0 Almanach Taborda e o Almanach Bu- rocrático. Em sociedade com Duarte Joaquim dos Santos, foi director de uma reimpressão nitida dos Luziadas. Relação do seu theatro: Em 1 acto: Mariquinhas a leiteira. Trovoadas de maio, Como se descobrem mazellas, Nem todo o mato é ore.gãos, Quem tem medo, Um Agiota em miniatura. Posso fallar á sr.* Queiroz, Dois pescadores, Um casa- mento á queima roupa, A mãe dos Gracchos, Uma alma d’ este mundo, Que faria se o fôsse, Tres es- trellas. Lembranças da menina Aspasia, Só morre ' quem Deus quer. Em 2 actos : O Conde de Para- garã. Mosquitos por cordas. Em 3 actos : Stambul, Prodigos e economicos. As Tres rocas de crystal. Os Médicos, Um Homem politico. Entre a cruz e a caldcirinha. Amor carraça, Marquezinho, As Mi- 7ihas duas mulheres. Casa <T orates, O Dominó preto, A Posa de sete folhas, Fausto o petiz, O liouxinol das salas. Os Filhos de Adão, Amar sem conhecer.
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Ámnr e mynlerio, Rohinson, 0 Cajntão neyreiro. Ein 4 actos : 0 Reino das fadas, A Mãe dos es- cravos, Matheus o chapelleiro. Atirar ao pae para caçar a filha, A Senhora da bonança, 0 Sargento Frederico. Em 5 actos : A Familia do colono, 0 Advogado dos pobres. Os Co7itos de Boccacio. Em collaboração com os seguintes escriptores : Ran- gel de Lima : Edmundo Dantés, O Conde de Mor- cerf. Mosqueteiros do reino, Calumnia, Pena de talião. Dois pobres a uma porta. Vejam-se n’este espelho, Como se conhece o villão, Muito padece quem ama; Eduardo Garrido : 0 Valle dos encan- tos, Dar corda para se enforcar, Valentim o dia- brete, 0 Medico dos mortos; Dr. Guilherme Celes- tino : 0 Capitão Carlota, A Mosqueteira, A estrella do rei Uff; Carlos Borges : *4s Pilulas do diabo, O Visconde de Letorières; Manuel de Macedo : 0 Diabo coxo; Cunha Moniz: O Positivo; Duarte dos Santos: A Mosca branca, A creança de 90 annos.
Abraxiches (Guilherme da Silva). Medico dis- tincto ; n. em Avô, com. d’Arganil, a 28 de julho de 1812, e f. de repente, em Lisboa, a 16 de ou- tubro de 1872. Era filho do dr. José Madeira Abranches e de D. Lconor Casimira da Silva Abranches, irmão de Antonio Joaquim da Silva Abranches. Foi bacharel em medicina, provedor de saude, presidente do conselho de saude, vice- presidente da junta consultiva de saude e director do hospital de alienados em Lisboa, onde prestou valiosos serviços, medico das cadeias, tendo a felicidade ou o mérito de evitar que o cholera morbus atacasse os presos do Limoeiro. Quem souber que o dr. Silva Abranches era um habil hygienista, não deixará de suppôr que esse feliz resultado sè deve em boa parte ás suas preven- ções. Clinico muito habil e estudioso, o dr. Silva Abranches dedicava-se especialmente aos estu- dos hygienicos e estatísticos; publicou uns rela- tórios sobre o cholera morbus e a febre amarella (1855, 1856 e 1857), vários artigos em jornaes de medicina, e o Manual de hygiene da infanda, con- selhos ás mães de familia sobre o modo de crear e educar os filhos.
Abranches (D. João de). Fidalgo portuguez e militar distincto. Serviu na índia durante o go- verno de D. João de Castro, e fez parte da guar- nição da fortaleza de Diu com D. João de Mas- carenhas, em 1547.
Abranches (João (VAlmada, conde de). Filho de D. Álvaro Vaz d’Almada, usou d’este titulo, afim de apagar um certo odioso que pesava sobre os Almadas, depois que seu pac se fizera parti- dário do infante I). Pedro.
Abranches (Joaquim Cândido). Escriptor mi- chaclense. Parece que exerceu a profissão de ourives, e que residiu por muitos annos na ilha de S. Miguel. Collaborou no Diccionario dos Aço- res e no Almanach Insulano. Escreveu o Album michaelense. Ponta Delgada, 1869, com 35 estam- pas lithographadas de vistas de monumentos, pai- zagens e logares notáveis da ilha. Publicou mais : Locubraçòes litterarias e Convulsões da terra.
Abranches (.Tosé Madeira). Doutor em Direito pela universidade de Coimbra, homem de larga intelligencia e vasta erudição. Pae do advogado Antonio Joaquim da Silva Abranches e do medico Guilherme da Silva Abranches. N. na villa de Avô, a 17 de junho de 1777 e morreu em Lisboa, a 9 d’abril de 1845; seus pacs destinavam-no á
vida ccclcsiastica, porém, José l^Iadeira Abran- ches, não tendo vocação para aquclla vida, matri- culou-se na faculdade de cânones, em Coimbra, onde eoncluiu o curso em 1804. Veiu para Lisboa; em 1813, foi despachado juiz de Mertola, para onde partiu; vendo, porém, que o rendimento era muito diminuto, resignou o cargo, e voltou para a sua terra. Em 1818, foi ao Porto, onde, por conselho d’alguns desembargadores, se resolveu a abrir banca de advogado, e dentro de pouco tempo adquiriu grande fama. Na revolta contra D. Miguel, em 1828, protegeu muito os liberaes, 0 que lhe custou ser preso e coudemnado a sus- pensão perpetua d’advogado, mas o governo não approvou a sentença. Apenas começou a guerra, retirou-se do Porto, mas o governo de D. Miguel 0 nomeou juiz de fóra em Vimioso, cargo que exerceu muito a contento dos povos sujeitos á sua jurisdicção. Em 1835 veiu para Lisboa, onde sempre foi muito considerado. Na mocidade fôra bom poeta lyrico ; depois, dedicando-se muito á jurisprudência, applicou-se ao estudo especial dos prazos, deixando sobro esse assumpto algumas memórias interessantes. Foi um dos socios funda- dores da Associação dos advogados de Lisboa o um dos que mais trabalharam para que ella se engrandecesse e consolidasse.
Abranches (Leandro José da Costa Pereira J Almeida Noronha e). Fidalgo da côrte d’el-rci D. João VI, natural da Ilha de S. Thomé. O sou brazão, concedido em 3 de março de 1806, com- põe-se de um escudo esquartelado : no primeiro quartel as armas dos Almeidas, no segundo as dos Pereiras, no terceiro as dos Noronhas c no I quarto as dos Abranches.
Abranches (D. Lourenço de Almada). Filho do ultimo conde de Abranches, D. Antão Vaz de Almada. Foi captivo na batalha d’ Alcácer Ki- bir, e só conseguiu remir-se depois da morte do cardeal rei D. Henrique.
Abranches (Manuel Côrte Real de). N. cm Serpa ; era filho de Roque da Costa. Foi conego da Sé do Algarve, inquisidor em Evora, deputado do Santo Ofiicio em Lisboa, e o 25.“ reitor da universidade de Coimbra, cargo cuja nomeação recebeu em abril de 1664, e que exerceu até á data do seu fallecimento, nos fins de dezembro de 1666, em Coimbra.
Abranches (D. Maria de). Filha de D. Ál- varo de Abranches, capitão-mór d’Azamor, e de D. Joanna de Mello, dama da princeza D. Joanna, mãe d’el-rei D. Sebastião. Foi a fundadora do convento de Santa Moniea, de Lisboa, em 1586, empregando toda a sua fortuna n’aquella edifica- ção. No dia 1 de janeiro do referido anno, collo- cou-se a primeira pedra do convento, estando já prompto 10 mezes depois, a 11 de outubro, para receber o Santissimo Sacramento. N’esse dia pro- fessaram 12 religiosas, sendo eleita prioreza D. Izabel de Noronha. D. Maria de Abranches, que, como fundadora, e ter sido a primeira a ves- tir 0 habito, contava ser prioreza e recolher-se ao convento, ficou muito despeitada e voltou de novo para o mundo, indo fazer as suas devoções ao convento da Graça. Quando morreu em 1600, foi sepultada na egreja da Graça, na sepultura de sua mãe, por ter declarado querer ser alli en- terrada, porque não queria estar morta nas Mo- nicas, logar d’onde a haviam repellido.
Abranches (Vicente Luiz). Bacharel formado 15
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rm philosophia e direito pela universidade de 1 (Joimbra. Esereveu: Duas palavras ácerca da Uni- versidade, Lisboa, 1859. Propòe n’este opusculo vários alvitres e providencias de melhoramentos, administrativos eeconoinicos,litterariose moraes, j cofteernentes a tornar mais util e respeitável o { nosso primeiro estabelecimento scientifico.
Abranches Bizarro (Clemente Joaquim). Ci- rurgião, approvado pela antiga Escola Cirúrgica do Hospital de S. José de Lisboa, concluindo o curso em 1828. Exerceu a clinica durante alguns annos em Lisboa, sendo depois nomeado para serviço proprio da sua profissão, para o Ultramar, onde morreu. Desconhece-se a data do falleci- cimento assim como a do nascimento. Escreveu: Dissertação sobre o uso das suturas nas ahdominaes, apresentada ao Corpo catkedratieo da 11. Kscola de Cirurgia de Lisboa, Lisboa, 1828; Estudo pri- meiro sobre a doença Trisplanchnasthenia (cholera morbus) feito recentemente no hospital de S. José, IJsboa, 1833. O dr. Lima Leitão, no seu Fra- gmento da Historia da invasão do Cholera em Portugal, 1833, falia muito lisongeiramente ácerca d’este trabalho ; Mappa e breve opusculo do pri- meiro anno no hospital das Casas d’Azylo, no hos- pício das Filhas da Charidade. Lisboa, 1837 ; A Consciência d’uma creança, Lisboa, 1837. No tomo III do Jornal da Sociedade das Sciencias Medicas de Lisboa vem publicados alguns artigos seus.
Abranches da Gamara ( D. Álvaro ). Commen- dador da Castanheira, na Ordem de Christo, e morgado de Abranches Almada. Foi um dos ho- mens mais importantes da sua epoca, que mais serviços prestaram ao seu paiz, e um dos bravos portuguezes, que em 1625, cercaram c tomaram a cidade da Bahia, aos hollandezcs. f!outribuiu muito para a acclamação de D. João IV, em 1640, sendo o primeiro que arvorou em IJsboa a ban- deira da independencia nacional, assenhorean- do-se do castello de S. Jorge, soltando Mathias d’Albuquerque e Rodrigo Botelho, conselheiros de fazenda, que estavam ali presos pelos domina- dores castelhanos. Depois da restauração, foi no- meado governador das armas na Beira, mestre de campo general na Extremadura, e conselheiro de estado. Na provincia da Beira praticou acções de valor, e entrando cm Castella, saqueou e incen- diou algumas villas hespauholas. Fal. em 1660.
Abrantes (D. Anna Catharina Ilenriqueta de Lorena, duqueza de). Era filha do l.“ marquez de Abrantes e de D. Izabel de Lorena, filha de D. Nuno Alvares Pereira de Mello, 1.® duque de Uadaval, 4.® marquez de Ferreira e 5.® conde de Tcntugal ; D. Anna casou com seu tio, 1). Rodrigo de Mello, irmão de sua mãe. Tendo enviuvado, foi feita camareira-mór da rainha D. Marianna Victoria, mulher d’el-rei D. José I, e cm 4 de de- zembro de 1753, o soberano a agraciou com o ti- tulo de duqueza (V Abrantes.
Abrantes (Fr. Antonio Baptista, ou Fr. Anto- nio do Itosario Baptista). Franciscano da Ordem 'rerceira, n. em Abrantes, cm 25 de dezembro de 1737 ; embarcou para o Brazil em 1807, com a fa- mília real, e morreu no Rio de Janeiro em 1813. Era professor de arabe, que aprendera com o Ma- renita dr. Paulo Ilodar, definidor geral. Foi ca- pellão da annada e confessor da princeza do Bra- zil, D. Carlota Joaquiua. Escreveu : Instituições da lingua arábiga para uso das escholas da Con- gregação da Terceira Ordem, IJsboa, 1774.
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Abrantes (Fr. Christovam de). N. na villa d’este nome, foi franciscano, capucho, e depois pro- vincial do convento da Piedade ; segundo aflirmam fr. Manuel de Monforte e Diogo Barbosa Macha- do, auctoridades em que se baseia luuocencio, traduziu os Exercidos espirituaes e divinos com- postos por Nicolau Eschio, trasladados do latim em romance portuguez. Na traducção impressa em Evora, cm 1554 por André de Burgos, diz-se que foi feita por um frade menor do convento da Pie- dade. Fr. Christovam Abrantes falleceu em 5 de abril de 1574.
Abrantes (D. José Maria da Piedade de Lcn- castre Silveira Castello Branco <T Almeida Sá e Menezes, 4.® marquez de). Era filho do 3.® marquez d’ Abrantes, D. Pedro de Lencastre; n. em 7 de fevereiro de 1784, f. em Londres em 1827. Acom- panhou 0 pae na commissão portugueza que foi a França, onde esteve também prisioneiro. Parti- dário c ultimo valido do infante D. Miguel, attri- buiu-se-lhe a responsabilidade no assassinato do marquez de Loulé, cm 1824, sendo auxiliado pelo seu sota Leonardo; o marquez, para evitar ser preso, fugiu para Italia; em 1826, julgando estar incluido na amnistia promulgada por D. Pedro, voltou a Li.sboa, porém o ministério nem o dei- xou desembarcar, fugindo então o marquez para Londres, onde morreu em 1827, como acima dis- sémos. Su.speita-se que foi envenenado. Havia casado em 1806, com D. Helena de Vasconccllos, filha dos marquezes de Castello Melhor.
Abrantes (D. Ijopo d' Almeida, l.° conde de). Titulo concedido por D. Affonso V, em 1472 ; foi alcaide mór de Punhete, hoje Constaucia, do con- selho d’estado, e exerceu diversos cargos impor- tantes na corte durante esse reinado. Era filho de D. Diogo Fernandes d’Almeida, alcaide-mór d’Abrantes, e teve por filhos ; D. Francisco d’Al- meida, 1.® vice-rei das índias, D. João d’ Almeida, 2.® conde d’Abrantes, e D. Diogo Fernandes d’Al- meida, 6.® prior do Crato, monteiro-mór d’el-rei D. João II e alcaide-mór de Torres Novas. Em 1451, D. Lopo d’Almeida acompanhou á Allcma- nha a infanta D. Lconor, que foi desposar o im- perador Maximiliano. Conta a sua viagem em va- rias cartas, que estão publicadas nas Provas da Historia Genealógica da Casa Iteal Portugueza, do padre Antomo Caetano de Sousa. Casou com 1). Brites da Silva, dama da rainha D. Lconor, mu- lher de D. Duarte, e camareira-mór da rainha D. Izabel. Morreu cm Almeirim, a 13 de maio de 1508.
Abrantes (Padre Manuel de). Nat. de Mantei- gas, foi professor publico em Lisboa, domestico do cardeal da Cunha e eonego na coílegiada de Santarém. Era poeta latino muito distiucto, e es- creveu u’esta lingua alguns epigrammas que se publicaram cm 1615. Escreveu: Fpigrammata sa- cra per singulos ann dies, Juxta ordinem Breviarí liomani incipienta a nativitate Domini nostri Jesu Christi, cui opusculum consecratur. Accesserunt epi- grammata ad Sanctos Lusitanos ad Passionem Do- mini, et una qàa etiam elegia, e CuneLat Emmanuel d’ Abrantes, sacerdos iMsitanus, Ulisipone, 1685. Falleceu em 10 de janeiro de 1717.
Abrantes (D. Maria Margarida de Lorena, duqueza de). Filha da 1.* duqueza, D. Anna de Lorena ; era marqueza d’Abrantes por ter casado com 0 2 " manjuez d’cste titulo, e 8.® conde de Pcnagiiião, D. Joaquim Sá Menezes c Almeida.
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Ficíiiido viuva, cl-rci D. José a elevou a duqueza ! •rAbi-antcs. Casou pela segunda vez com D. João, ! filho l^itiinado do infante D. Francisco, irmão | de 1). João V. O povo chamava-lhe o sr. D. João , da Bemposta, por ter estabelecido a sua residên- cia no real paço da Bemposta. Este principe foi conselheiro de estado, mordomo-mor de 1). Ma- ria I, e capitão general das armas reaes e ga- leões d’alto bordo. Falleceu em 1780, e, nãç) ha- vendo successor, terminou o titulo de duque de Abrantes.
Abrantes (D. Pedro de Lencaslre da Silveira Castello Branco Sá e Menezes, 3.“ marquez de). Era o 7.® conde de Villa Nova de Portimão, quando herdou a casa e o titulo dos antigos marquezes d’ Abrantes. N. em Lisboa, a 28 de julho de 1771. Era membro da regencia por oceasião da fuga da familia real para o Brazil. Caracter fraco e mais ^ devoto que político, depois de ser demittido do seu cargo, por Junot, ainda fez parte dacommis- j são portugueza que foi a Bayona cumprimentar Napoleão. Os outros membros d’esta commissão, i que também iam encarregados de pedir uma at- ; tenuação da pesada contribuição de guerra im- , posta a Portugal, eram os marquezes de Marial- va, de Penalva, de Valença, os bispos de Coim- bra e do Algarve, D. Nuno, irmão do duque de Cadaval, o visconde de Barbacena, D. Loureuço de Lima, o desembargador Joaquim Alberto Jorge, Antonio Thomaz da Silva Leitão, o conde de Sabugal, e o marquez d’Abrantes, filho, D. Jo- sé. A exposição enviada para Lisboa, por es- tes commissarios, não respirava um grande es- pirito patriótico, e decerto não foi ella que des- pertou 0 sentimento nacional. Estava toda cheia de adulações ao imperador. Foi escripta em Bajmna nó dia 27 de abril de 1808. Pouco tempo depois de ter chegado a Portugal, rebentou a insurreição, que triumphou com a chegada dos inglezes, e Napoleão reteve como refens os mem- bros da commissão, que estavam ainda em Bayo- na, ficando todos prisioneiros em França, visto que a vergonhosa convencão de Cintra, nada es- tipulava a seu respeito. Éegressando á patria, o marquez D. Pedro foi feito par do reino em 1826; ainda foi testemu- nha das desventuras e culpas de seu filho, em 1824, a quem sobre- viveu, fallecendo a 2.5 de março de 1828. (V. D. José Maria da Pie- dade, etc.). O marquez D. Pedro era alcaide-mér d’Abrantes, senhor d’Abrantes, Sardoal, Bouças, Se- ver, dos 4 casaes de Mattósiuhos, e dos Direitos Reaes da Terra de Gaia, coronel do Regimento de Mi- lícias de Lisboa Occidental. Foi casado com D. Maria Joanna Xa- vier de Lima, filha dos marque- zes de Ponte de Lima. Brazão; as armas reaes do reino, com um filete negro em contrabanda. Timbre : um pelicano com as azas abertas, picando no peito, com seis besantes nas azas e um no peito. Este brazão é o da casa dos duques d’Aveiro, de que usavam os condes de Fi- gueiró e os de Villa Nova de Portimão, como des- <!cndentes do duque de Coimbra, D. Jorge de I^encastre, commendador-mór das Ordens d’Aviz c de S. Thiago, filho legitimado de 1). João II.
Abrantes (D. Pedro José Maria da Piedade
Brazão
(lo8 marquezes d’Abrantes
de Alcantara Xavier de Lencaslre, .5.® marquez de). Era filho do 4.® marquez, D. José Maria da Pie- dade, etc. Foi par do reino em 1842, por succc.s- são de seu avô, por já ter fallecido seu pac. N. em 22 d’outubro de Í816 e f. em 2 de setembro do 1847. Não deixando herdeiros, ficou o titulo extincto.
Abrantes (D. Rodrigo Annes de Sá Almeida e Menezes, l.° marquez de). Descendente dos condes de Penaguião, sendo o 7.® conde d’este titulo, e dos marquezes de Fontes, de que era o 3.® marquez. N. em 19 d’outubro de 1676. Sendo a villa de Abrantes pertencente á corôa, D. João V, em 12 de agosto de 1718, a doou a este distiucto fidalgo, com todas as suas jurisdicções e titulo de marquezado, de juro e herdade para os primogênitos d’esta casa; foi donatario de muitas mais villas, governador das ar- mas da cidade do Porto e das fortalezas de S. João da Foz e i.«marqucz
de N. S.* das Neves em Lessa d’Abrantea de Mattosinhos, commenda- dor de varias Ordens, mestre de campo de infan- teria, posto em que serviu na guerra da succcs- são contra Ilespanha, censor da Academia Real da Historia em 1720, embaixador em Roma e ein Madrid, por oceasião dos casamentos dos prínci- pes das duas casas soberanas, D. José e D. Ma- ria Barbara, filhos de D. João V, com os dois fi- lhos de D. Filippe V, Olaria Victoria e D. Fer- nando. Por esta oceasião, o rei de Ilespanha agraciou-o com o collar de tosão d’ouro. Era fi- dalgo de grande illustração e protector de Vieira Lusitano, durante a sua residência em Roma. Morreu em Abrantes a 30 d’outubro de 1733. Brazão d’armas, o mesmo dos condes de Pena- guião e dos marquezes de Fontes: um escudo xa- drezado de prata e azul, de 6 pecas em facha e 7 em palas. Timbre, um pescoço de búfalo da eôr própria, xadrezado de negro e prata com uma ar- gola de ouro nas ventas.
Abrantes. Villa da prov. da Extremadura, séde de conc. e de com., distr. de Santarém, bisp. de Portalegre. Tem duas freg. : S. João Baptista, com 1607 alm. e 340 fog. ; e S. Vicente >íartyr, com 3409 alm. e 884 fog. Tem feira a 24 de feve- reiro, que dura tres dias. Abrantes está situada na margem direita do Tejo, em fértil e deliciosa elevação. Do alto do castello, collocado ao ex- tremo da villa, desfrueta-se um pittoresco pano- rama; em dias claros, descobrem-se sobre uma enormíssima area diversas terras: Santarém, Sardoal, Mação, Castello de Belver, Constância, a Torre de Gavião, e muitas outras freguezias. Tem Misericórdia, hospital, estação telegraphica e postal, estação de caminho de ferro, correio, theatro e escolas para ambos os sexos. Praça d’armas de segunda ordem; a actual guarnição militar consta do regimento de caçadores 1 (novo batalhão), grupo de baterias de artilheria mon- i tada. E’ séde de districto do recrutamento e re- serva 22. As armas d’ Abrantes são quatro flôrcs de lis e quatro corvos com uma estrella no meio em campo azul. A estação telegraphica e postal tem serviço de emissão e j)agamento dc vales do , correio c telegraphicos, cobrança dc recibos, Ic-
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tras c obrigações, c serviço rlc pncoinmciidas postaes, pertnutanflo inalas com a R. A. L. Dista (>1 k. da séde do distr. O cone. c composto dc 16 freg. eom 21:397 habit., sendo 10:134 h. e 11:193 m. n’uma superfície do 77:033 bect. Estas fregue- zias são: Aboboreira ou Abobreira, Abrantes (S. João Uaptista), Abrantes (S- Vicente Martyr), Aldeia do Matto (Santa Maria Magdalena), Al- vega (S. Pedro), Bemposta (Santa Maria Magda- lcna'1, Martinxel (S. Miguel), Mouriscas (S. Se- bastião), Panascoso, Pégo (Santa Luzia), Rio de Moinbos (Santa Eupbemia), S. Miguel do Rio Torto, Ro- cio ao sul do Tejo (N. S.* da Conceição), S. Facundo, Souto (S. Silvestre), e Tra- magal (N. S.* da Oliveira). Abrantes 6 cabeça de uma com., que se divide em 5 jul-
fados ; Abrantes, Constância, 'onte de Sôr, Rocio do Sul do Tejo e Sardoal ; é formada Br.izão da viiia de P^las freguezias do conc. (ex- Abrantes ' cepto Abobreira, Sardoal e Panascoso, que fazem parte da com. de Mação), as freg. do conc. de Con- stância, as quaes são: Constância, MonfAlvo e Santa Margarida da Coutada, as freg. do conc. de Ponte de Sôr, que são: Galveias, Montar- gil c Ponte de Sôr, e fínalmente as freg. de S. Matliias e S. Thiago do Sardoal, que é ca- beça do conc. d’este nome. Abrantes é pov. im- portante e muito antiga. Foi fundada pelos Gal- los-Ccltas, 308 annos antes de Christo. Consta (pie 0 pretor romauo, Tuho, a recdifícou e lhe deu o seu nome; outros, porém, querem que fôsse fun- dada pelos Turdulos, 990 annos antes de Christo. No tempo dos romanos foi uma povoação flores- cente, governando Augusto Cezar; o cônsul I)e- eio Juuio Bruto edifícou o castello, 130 annos an- tes de Christo. Os godos tomaram-na aos roma-
mór; os arabes por duas vezes a a,ssal taram: em 1179, por Aben Jaeob, fílho do miramolim de ISIai'- rocos, que veiu sobre cila com um grande exer- cito, e lhe pôz cerco, mas os habitantes resistiram fortemente, e os mouros viram-se obrigados a re- tirar. O segundo assalto foi em 1195, por um ou- tro exercito commandado pelo celebre Almançor, que foi também derrotado. Tendo fícado a villa muito arruinada, logo no primeiro cerco em 1179, D. Aftbnso I a mandou reconstruir, dando-lhe fo- ral com muitos privilégios, em recompensa do heroismo dos seus habitantes. I). Diniz deu-lhe novo foral em dezembro de 1279, sendo este re- formado por D. Manuel, em 1 de julho de 1510,
; em Santarém, com os mesmos privilégios. Os por- tuguezes restituiram á villa o nome que os Godos lhe haviam dado, trocando-lhe sómente o m em v, ficando Avrantes e depois Abrantes. D. Affonso III começou as muralhas da circumvallação em 1250,
: e D. Diniz as terminou em 1300; este monarcha melhorou a fortaleza, dotando-a com a Torre dc Menagem, e querendo engrandecer mais a villa,
I passou aos seus moradores jurisdicção sobre os de Puuhete (hoje Villa Nova de Constaheia), fi- cando desde então esta povoação fazendo parte do termo d’Abrantcs. D. Aftbnso IV accresccn- , tou-lhe Amêndoa, Macão, Ponte dc Sôr e a Al- deia de Lagomel, decíarando por sentença, todo 0 seu termo sujeito il ordem de Malta. Anterioi- mente, 1). Diniz tinha dado o senhorio da villa"a sua mulher, a rainha Santa Izabel. Mais tarde, em 5 de janeiro de 1372, D. Fernando o conce- deu a sua mulher, D. Lcouor Telles. D. Jorge, fílho natural de D. João II, nasceu n’esta villa, em 12 de agosto de 1481 ; foi duque de Coimbra e grão-mestre das ordens de Aviz e de S. Thiago. Em 1481 também foi elevado a bispo de Coimbra e inquisidor-mór, D. Jorge d’Almeida, fílho do 1.® conde d’Abrantes. Em 1483, D. João II, es- tando em Evora, foi a Abrantes com a rainba c toda a côrte, c alli recebeu a embaixada do papa
Vista dc Abrantes.
nos, c deram-lhe o nome dc Aurantes, pelo facto I do muito ouro que se extrahia alli das areias do J'cjo. Outros dizem, que fôram os romanos que lhe deram o nome dc Tibucl-Anrantes. Em 716, os arabes, a conquistaram aos godos e lhe chama- ram Libia. D. Aftbnso I a tomou d’assalto em 8 de dezembro do 1148, c desde então ficou perten- cendo ao reino. Querendo este soberano remune- rar os serviços de seu fílho natural,!). Pedro Af- fonso, ou como outros pretendem, sou irmão, deu- lhe o scidiorio do castello, nomeando-o alcaide- 18
Xisto IV, pela qual era emprazado por si ou por seus procuradores a comparecer na côrte dc Roma e dar razão do seu comportamento por se ter in- tromettido nas cousas da egreja; c d’aqui no- meou embaixadores que por clle respondessem perante o ponfifíce. Foi também em Abrantes, que cm agosto de 1483, mandou degolar em esta- tua, ao marquez dc Montemór, I). João, irmão do duque de Bragança, por lhe constar que, estando cm llcsiianha, conspirava contra elle. Do sé- culo xvi jiara o xvii, esta villa pertencia á corôa ;
caliiu taiito em clecadciicia, que chegou a estar quasi despovoada; 1). Pedro II, pelos annos de lt>G8, levautou-a das suas ruinas, reedificou e am- pliou as muralhas c as fortificações, povoando-a de novo. D. João V deu depois, em 12 d’agosto de 1718, a villa de jvro e herdade, com todas as jurisdicçòes e titulo de marquezado, a D. Eo- drigo Aunes dc Sá Almeida e Menezes, alcaide- mór da mesma villa, 3." marquez de Fontes e 6.® conde de Penaguião (V. Marquez (TAlranles). Esta villa, até então condado, por morte da neta do 1." marquez, passou novamente para a corôa. Data tUesta oceasião a independeneia completa da comarca d’Abrantes, até alli sujeita á com. de Thomar. O titulo fôra concedido a D. Lopo d’Al- meida, em 1472, por el-rei D. Aftbnso V. Quando este monarcha subiu ao throno, renovou a auue- xacão dos povos Amêndoa e Mação ao termo d’Ábrantes, e separou d’esta villa as freg. de S. Pedro d’Alvega, S. Matheus c S. Thiago do i Sardoal, e por fallecimeuto do alcaide Diogo Fernandes d’Almeida, em 5 de janeiro de 1450, [ deu a alcaidaria-mór d’esta villa a seu filho pri- mogênito, D. Lopo D’Almeida, pae do 1.® vice-rei das Índias, D. Francisco d’Almeida. D. Sebas- tião, em 1571, por carta régia de 30 de maio, I elevou 0 logar de Puuhete á categoria de villa, [ dando-lhe termo separado do de Abrantes. Con- firmou os antigos privilégios dos moradores da j villa. Em 1809, a regencia do reino mandou for- tificar de novo a villa, e em 1857 ainda se fize- ram alguns reparos e melhoramentos. Em 18G0, o barão da Batalha, então governador do Castello, instou com o ministro da guerra, para que fôsse reformada a torre, que estava muito ar- ruinada. Actualmente tem dois pavimen- tos c as paredes reforçadas por grossos supportes. Em 12 d’agosto de 1810, houve nas proximidades d’ Abrantes, uma bata- lha, dada pelo exercito auglo-luso contra as hordas francezas, que ficaram derrota- das. Mais tarde, desde 9 de outubro do referido anuo até 7 de março de 1811, o general Masseua, com os seus soldados, cercou a villa, mas a tropa jiortugueza, os habitantes e algumas tropas iuglezas defenderam-se energicamente, e os fran- cezes debandaram, fugindo para Ilespa- nha. Filippe IV deu o titulo de duque de Abrantes a D. Affonso de Lencastre, e Napolcão, julgando-se já senhor de Por- tugal, concedeu egual titulo ao general Juuot, porém nenhum d’estcs titulos foi reconhecido pelas auctoridades portu- guezas; no entretanto, Junot continuou assignando-se Duque d’ Ahi'antes, e sua mulher, Laura de Saint-Martin Pei-mon, que residia em França, era conhecida _ como duqueza d’aquelíe titulo. Abrantes,“no seu principio contava apenas duas ruas : Rua Nova e Rua do Castello, que se arminaram; foi-se es- tendendo pelo monte abaixo até a uns grandes salgueiraes. Em memória d’elles ainda alli existe a Fonte dos Salgueiros. No meiado do século xviii, ainda tinha 4 neg. : V. Vicente, S. João Baptis- ta. Santa Maria do Castello e S. Pedro. A prin- cipal egreja é a de S. Vicente, cuja primitiva edificação se attribue aos godos. Até 1150 cha- mava-se N. S.* da Conceição, depois é que to- mou a invocação de S. Vicente Martyr, pelareli-
quia que lhe levou de LisI)oa o 1.® alcaide-mor da villa, um dente de S. Vicente. O templo é ma- gestoso e merece ser visto ; tem collegiada com G benefícios simples. A egreja de S. João Ba- ptista é de tres naves, foi priorado ; tem colle- giada, com 2 bencficios simples. Santa Maria do Castello é também templo muito antigo, e igno- ra-se 0 nome do fundailor; é pequeno, mas en- cerra muitos objectos d’arte e de grande valor, sobresahindo os mausoléos de Diogo Fernandes d’Almeida e de D. Antonio d’Almeida, da fami- lia dos marquezes d’Abrantes. A egreja de S. Pe- dro é também muito antiga; na primitiva foi construída fora da villa, u’um sitfo chamado Ou- teiro de S. Pedro, ou Carrasqueiro. Tem 2 con- ventos de frades e 2 de freiras. O dos frades domi- nieos, fundado em 1472 por D. Lopo d’Almeida, filho do 1.® conde d’Abrantes, e por ser local doentio, D. Manuel o mudou para dentro da villa, conckiindo-se as obras em 1527, já depois da morte d’aquelle monarcha. Chamava-se N. S." da Consolação. Alguns escriptores atlirmam que fôra Diogo 1' ernandes d’Almeida, pae do 1.® conde de Abrantes, quem fuiidára o convento, no sitio cha- mado Mesteiro Velho, conforme se vê n’um j)er- gamiuho existente na Torre do Tombo. O con- vento dos frades de Santo Antonio foi fundado por D. Lopo d’Almeida, 3.® conde d’Abrantes, começando as obras cm 152G; era situado no si- tio da Ribeira de Abrançalha, no mesmo local em que existira a ermida de N. S.“ da Luz. Os frades viveram 45 annos u’este convento, mas por falta de condições hjgienicas, ou porque o tempo e a falta d’aceio o tornasse insalubre, o
facto é que os frades começaram a pensar na construcção d’outro convento. O sitio escolhido era proximo da ribeira denominada Valle de Jlãs, também conhecida pelo nome d’As Biceas; no fim de discussões renhidas, o terreno para o novo edifício ficou definitivamente resolvido ser um sitio mais proximo da villa, chamado Fonte do Ouro. A mudança do convento foi auctorisada pelo alvará de Filippe I, datado de 1 de feve- reiro de 1593. As obras comccaram em 1601. No anno de 1714, I). João V refonnou-o. Na ocea- sião cm (juc se procedia a essa reforma, fr. Fraii-
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Pr.iça Raymundo Soares
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cisco cie S. Thiago, então superior do convento, ordenou que se abrisse na cerca uma nascente d’agua, e se fizesse a fonte, que boje se chama dos Frades, ficando abandonada a Fonte do Ouro, porque a má qualidade da agua não permittia que se aproveitasse para beber. O convento foi cedido á camara, pela carta de lei de 10 de ja- neiro de 1859, e presentemente, n’uma parte do edificio, está estabelecido o matadouro munici- pal. O convento de N. S.“ da Graça, de freiras dominicas, construiu-o D. Vasco de Lacerda, bispo da Guarda, em 1384. O convento da Espe- rança, de freiras de Santa Clara, franciscanas, foi primitivameute orgauisado, em 1538, na ermida da Ribei- ra, fóra da villa, por uma senhora natural de Lisboa, Brites da Silva. Como fôsse muito acanhado e o sitio bastante doen- tio, as freiras pro- jec taram mudar-se para logar mais sau- davel; escolheram então no ponto mais elevado da villa, ilentro da freguezia de S. Vicente, umas casas existentes na rua de Santa Iria e a ermida de San- CAnna, onde se in- stai laram proviso- riamente em 15 de mareo de 1570. De- jtois de muitas dis- córdias que se se- guiram á morte de fr. Manuel Travas- sos, <iue fazia parte d a commissão das obras, já no reinado de Eiíippe III, em 1021, é que se con- cluiu o convento. As freiras viveram aqui até 1809, anno em (pie fòram removi- Egreja de S.
das para o mosteiro
de Villa Longa, pela circumstaucia d’aquelle edi- ficio estar comprehendido dentro dos limites do traçado das obras da fortificação da ITaça, mas como essas obras não chegassem a realisar-se, o edificio não foi demolido. Actualmeute, n’uma parte do convento está o theatro Tibuciano, e o resto é oceupado pela escola de instrucção pri- maria. Abrantes é solar dos Themudos, appellido nobre em Portugal. O primeiro que se assignou com este nome, por ordem expressa de D. Af- fonso V, foi Ruy Fernandes Themudo, natural d’csta villa. Foi um esforçado capitão que fez prodigios de valor nas guerras d’Africa. Em re- compensa, 0 mesmo rei D. Aflonso, em provisão de 11 d’outubro de 1476, lhe ampliou as armas, ficando : em campo azul uma aguia de ouro, de duas cabeças, azas abertas e os pés firmados so- bre uma cabeça de mouro, com turbante de pra- ta, cortada de sangue, e por orla um cordão de
ouro, 0 de S. Francisco. Timbre, meia aguia de ouro. Abrantes foi muito querida d’el-rei D. Ma- nuel. Alli nasceram os seus filhos, o infante D.Luiz cm 1505, e D. Fernando em 1507, o qual viveu n’aquella terra até á data do seu falleci- mento, 1535, na casa que depois passou para o morgado Caldeira. Xo tempo de D. Pedro I, D. João II e D. Manuel, foi por vezes residência real. Abrantes tem progredido muito; proximo da villa ha varias nascentes d’aguas mineraes, sendo a melhor, a agua ferruginosa que nasce na quinta do fíileirinho. A villa está a 30 gr. e24m. de lat. e 10 gr. e 22 m. de lon^. Os principaes edificios que hoje alli existem são a casa da camara, as duas egrejas paro- chiaes pertencentes a cada uma das duas freguezias em que a villa hoje se divide, confoi-me dissémos : S. Vicente Martyr e S. João Baptista; o hospital da Miseri- córdia, 0 convento da Graça; o extincto convento de S. Do- mingos, que tem ser- vido de quartel mili- tar; 0 extincto con- vento da Esperança, hoje hospital mili- tar e theatro; o an- tigo quartel da le- gião (lo Marquez de Alorna, que actual- mente faz parte do quartel d’artilharia; o palacio dos Mar- quezes de Abrantes, reduzido a presidio militar e arrecada- ções annexas ao go- verno do eastello. Xa egreja de Santa Maria do Castello, que depois foi tor- nada em palheiro, e JoSoBaptuta agora deposito da
bateria d’artilharia, ainda se adndram os tumulos dos antigos mar- quezes d’Abrantes, em que já fallámos, porém já muito deteriorados; principalmente, o que está collocâdo á direita, em frente da porta lateral, é d’um trabalho de ornamentação de raro valor ar- tistico, é uma peça archeologica que bem merecia maior cuidado, livrando-o do abandono ein que se encontra, entregue a um vandalismo indecoroso. O marquez de Pombal, que tanto trabalhou para 0 desenvolvimento da agricultura, da industria e do commercio, logrou animar cm Portugal a cultura da seda. Para assegurar uma industria que tanto havia subido na França e na Allema- nha, mandou vir d’aquelle paiz 39:357 plantas de amoreiras, que mandou distribuir por um elevado numero de povoações de todas as provineias. Abrantes foi contemplada com 2:897 eVessas plan- tas que a camara mandou distribuir ijelos pro- prietários do concelho, sendo o maior iminero plan-
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tados nas cercanias da villa, c o resto nos canij)Os das Jlouriscas, liio de Moinhos, Ilil)cira d’Abran- çalha e outras povoações. Esta providencia deu cm resultado o desenvolvimento d’uma ri((uissima pro- dueçào de seda, que augmentou consideravelmente 0 ceinmercio da villa. Hoje está totalmente extin- eta esta industria, e das amoreiras já poucas existem. Abrantes tomou grande parte nas luetas politicas que tem havido no paiz desde 1820, mas sem nunca deixar de progredir. Em Abrantes teem- se publicado os seguintes jornaes : O A^travtes,
0, agosto, 1892 a junho 1902; O Alrantino,'2.2, abril, 1886, e terminou pouco tempo dcj)ois; Avm- dor Arraes, 1, fevereiro, 19CKt, cm publicação actualmente; Correio ã’ Ahrantes, 9, novembro, 1884 a 1900, o primeiro jornal publicado em Abrantes; Jornal d’Ahrctjdes (l.“), 16, março a 19, outubro, 1884; Jornal d’ Ahraides, (2."), 27, maio, 1900, em publicação; A Nova, 4, novembro, 1888 a 25, janeiro, 1891 (?); O JHomoinhense (!."), 4, setembro, 1896 a abril, 1897 ; O Jíiomoinhense (2."),
1, maio a 30 novembro, 1897 ; Semana d’ Abrantes, 12, dezembro, 1897 a 12, junho, 1898; Voz do Ar- tista (!."), 25, dezembro, 1896 a 19, setembro, 1897 (?); A Voz do Artista (2.“), 7, setembro, 1902, em publicação. Alám d’estes jornaes tam- bém ali foram ])ublicados os numeros únicos, se- guintes: A Caridade, 24, junho, 1896; Folhas In- timas, 15, abril, 1888, o ))rimeiro, numero uuieo jHiblicado em Abrantes; João de I)evs, 8, março, 1895; A Fhilantropia, 5, julho, 1896; O Itiomoi- nhense, 1, dezembro, 1897. || l’ov. na freg. de Lo- beira, eouc. de Guimarães.
Abrantes e Castro (Bernardo José de). Fi- dalgo cavalleiro da casa real, por alvará de 14 de janeiro de 1824. Doutor eui medieina pela universidade de Coimbra, medico da Real Cama- ra, physico-mór do Exercito e honorário do Rei- no, conselheiro de estado, nomeado em 1827, cujo exercieio se lhe negou depois em 1833, havendo quem se persuada que o desgosto, que eutão sof- freu, fòra a causa da sua morte. N. em Santa Ma- riuha, com. da Guarda, em 1771, e era filho de José Correia de Castro e de I). Maria d’Abran- tes. Em 30 de março de 1809, foi preso e man- dado para a Inquisição, sendo accusa<lo de jaco- bino e maçon. Acompanhou-o á prisão o desem- bargador José Valente do Casal Ribeiro, então juiz do crime do bairro do Limoeiro. Saíiiu da Inquisição em 21 de dezembro do mesmo anno, sendo mandado residir em Faro, para onde par- tiu debaixo de prisão. Obteve depois passar a Ingjaterra, onde sob a protecção do conde de Funchal, embaixador em I.,on(lres, e auxiliado pelo I)r. Vicente Fedro Nolasco, fundou o jornal politico-litterario O Investigador Fortvguez, cm que se notam 20 artigos seus. Soôreu ainda va- rias alternativas de fortuna e alguns trabalhos, promovidos pela parte muito activa que tomára nos negocios politicos do paiz, em 1826. Voltando da emigração em 1833, hospedou-se em casa do seu antigo amigo José Rento d’ Araújo, e ahi fal- leceu em 14 de novembro do mesmo anno. Escre- veu : Supplica a Sua Alteza Jleal o Frincipe Fe- gente nosso Senhor, Londres, 1810 ; Memória sobre a condueta do Doutor Bernardo José de Abrantes e Castro, desde a retirada de Sua Alteza lleal para a America, Londres, 1810, — comprehende esta obra numero.sos documentos justificativos. E’ narrativa interessante por envolver varias
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particidaridades relativas á éj)oca da invasão franceza; Historia secreta da côrte e gabinete de S. Cloud, traduzida em portuguez, Loiulres, 1810; Carta do conselheiro Abrantes a Sir IF. A’Courl, sobre a regencia de Fortugal, e a auctoridade. do Sr. D. Fedro IV como rei de Fortugal e comojiae da Senhora D. Maria 11, Londres, 1827.
Abrão. Aldeia na prov. de Entre Douro e Mi- nho, arcei)., com., e termo da cidade de Rraga. Fcrtcuce á freg. de S. Fedro de Maximiuos.
Abravezes. Fov. da prov. da Heira Alta, freg. de N. S.* dos Frazeres, cone., com., distr., e bisp. de Vizeu. 1891 alm., 463 fog. Tem caixa postal. Dista 2 k. (la séde do concelho.
Abravia. Logar na freg. (1’Arrifana e na de Santo André, cone. de Foiares.
Abrechoeira. Fov. no cone. do Thomar.
Abrecovo. Fov. na freg. de Lever, cone. da Feira. || Fov. na freg. de Gouvinhas, cone. de Sa- brosa.
Abregã. Fov. na freg. do Santa Lcoeadia, cone. de 'i'aboaço.
Abregão. Logar na freg. de Cornes, eouc. de Villa Mova da ('erveira. || Logar na freg. de No- gueira, eouc. de Sinfães.
Abrego, Fov. na freg. de Villariuho, cone. de Santo Thyrso.
Abregueiro. Fov. da freg. de Meixedo, cone. de Vianna do Castello.
Abreiro. Villa e freg. da prov. de Traz-os- Montes, cone. e com. de Mirandella, distr. e arecb. de Bragança, orago Santo Estevam. 748 alm. 180 fog. Abreiro fica situada na margem direita do Tua, onde existe uma ponte de cantaria, con- struida pelos annos de 1760. D. Sancho II deu- lho foral em 9 de setembro de 1225, que foi con- firmado por D. Affouso III cm 1250. D. Manuel deu-lhe novo foral em Lisboa, a 2 de agosto da 1514. Fertenceu aos marquezes de Villa Real, que a perderam por serem traidores á patria, cm 1641. Fassou depois a ser commenda e isento de ordem de malta. E’ pov. muito antiga, fundada talvez pelos godos. Os arabes também apossuiram. O nome de abreiro vem de âbara, palavra arabe. A pov. dista 23 k. da séde do concelho.
Abre-Mar. Logar da costa de Fortugal, entre Fovoa de Varzim e Villa do Conde.
Abreu. Appellido de familia nobre, represen- tado por diversas casas de Fortugal; vem do nome d’uma povoação chamada Avreu, na prov. do Mi- nho, fi'cg. de S. Fedro de Merufe, termo de Mon- são, onde se vêem as ruinas d’uma torre chamada Fico de Fegalados. Os Abreus fôram senhores e depois eomles de Regalados. Brazão : cinco cotos de aguia de ouro em aspa, cortados em sangue, e os cotos virados para a direita do escudo. Elmo d’aço cerrado. Timbre : um dos cotos.
Ábreu (Adelino Julio Mendes de). Filho do doutor Julio Mendes de Abreu e úg D. Emi lia Candida. Nasceu em Oliveira do Hospital, a 5 de fevereiro de 1869. Bacharel formado em direito pela Universidade de Coimbra, em 1896. Tem escripto vários trabalhos de muito valor, taes como Traços Jlistorico-Criticos, mo- nographia sobre a villa de Oliveira do Hospital, obra prefaciada por Oliveira Martins e illustrada com gravuras da localidade; Serra da Estrella, monographia importante sobre cthnographia das soberbas altitudes dos antigos Montes Herminios, illustrada eom gravuras dos pontos mais pitto-
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roscos. O primeiro dVstcs livros foi publieado em 1HÍ)2, sciido o aiietor estudante, do sefçundo anuo de direito, c o sefçuinte ainda (piando es- tudante do (piinto anuo, (in IHltõ. P'ste ultimo livro aelia-se esgotado. K’ soeio do Instituto de Coimbra, do Conselho Heráldico de França, da Sociedade de (Tcograjdiia de Lisboa, da Iveal As- sociação dos Arehcologos c tem cscripto artigos litterarios e politieos em vários jornaes. Aetual- meiite exerce o imjiortante cargo de advogado consultor da Companhia de Credito Predial Por- tuguez.
Abreu ÍAlrixn df). Capitão portiiguez que ser- viu na índia. Commandou uma náu da armada de .Manuel de Lacerda, em 15'27, sendo governador Pero de Magalhães. Naufragou na ilha de S. Lou- renço, onde morreu cheio de privações.
Abreu (Alrixo de). Mestre em artes pela univ. de Kvora, e lieeueeado eu> medicina pela univ. de Coimbra, cujos estudos seguira á eusta do es- tipendio real, que se eostuma dar aos estudantes pobres, diz liarbosa. N. em Aleaçovas, em IfiGS, e f. em Lisboa, em KidO. Quando D. Atfouso Fur- tado de Mendonça foi nomeado governador d’An- gola, pedin-lhe (pie o acompanhasse como seu medico. Aleixo d’ Abreu partiu então para Loauda, onde viveu í) annos, deilicando-se cspeeialmente ao estudo das febres africanas, sendo o primeiro medico (pie escreveu na Europa áeerea d’esses es- tudos, e 0 jirimeiro (pie tratou d’a([uellas doenças em Portugal, quando regressou d’Afriea, em lOOG. Chegando a sua grande fama a Filippe II, então de })Osse do throuo jmrtugucz, este monareha o manilou chamar para seu medico, em attenção aos seus elevados merecimentos. Escreveu em caste- lhano: Tratado de las sicte enfermedades de la iiijhimacinn miivorsal dei hiyado, zirbo, piloron y ruimies, y de la oLstrucion, de la satiriasi, y fievre m<dl(jna, y pasion hypocfíndriaca, Lisboa, lG2d. No lim d’esta obra vem o Tratado do Mal de Loauda.
Abreu (I). Álvaro de). N. em Portugal, mas jiassou á llespanha, onde tomou o habito do car- melita no convento de Cibralcon, na Andaluzia, eiii (pie veiu a ser in ior. \’oltou á patria, e foi nomeado bispo de Silves em 14ÜG, e em 1428 I acomjianhou a França o embaixador encarregado I de tratar o casamento da infanta D. Izabel com o duque de llorgouha. Sendo depois transferido jiara o bispado d’Evora, pr('“gou na aeclamação de 1). Duarte. Acompanhou a expedição a Tanger, e depois da volta ao reino, esteve nas cortes de Leiria, oppondo-se energicamente a que (-euta fôsse restituida aos mouros. Morreu cm 1440.
Abreu (Amlrosio Cardoso). N. em Castello Branco. Doutor em Canoues. l’rior de Sauto Au- di é, em Lisboa nos fins do século xvr. Escreveu : Allegatio juris pro interdicto jx sito ecclesiastico; Alleyatio pro interdicto posito in vrle Olisiponemi; Uezões feitas na causa da imjtosição dos vinhos.
Abreu (André de). Portiiguez residente na ín- dia, que se toruoii notável, como cabeça dos tu- multos havidos em Baçaim no anuo de 1G17.
Abreu (André Chichorro da Gama Ijoho e). Nat. de Monforte, no Alemtejo. Fidalgo da corte , de D. João VI e coronel das milicias (Ic Portale- | gre. O brazão, conferido em 1825, consta de um cs- I eiido esipiartelado; no primeiro (piartel as armas j dos Soiizas, no segundo as dos (íanias, no terceiro I as lios Lobos, e no quarto as dos Abreus. I
Abreu (Autru) Nunes de). Fidalgo da còrte de |
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^ D. João 111, descendente da nobre linhagem dos I llegos e Abreus. Brazão, um escudo de campo I esqiiartelado; ao primeiro quartel de verde e uma baiida ondada de prata c nVlla tres vieiras de ouro riscadas de preto e perfiladas d’azul; ao se- gundo de vermelho e cinco cotos de ouro em aspa, e por ditterença uma brica de prata e ii’ella uma de preto; elmo de prata aberto guarnecido do oiro, paquife de oiro, verde c vermelho, c por timbre um dos cotos.
Abreu (Antonio de). Fidalgo portugiiez, nat. da ilha da Madeira, capitão dos mais distinetos que militaram na índia. Acompanhou Afibnso d’Albu- querqiie em 1511 á conquista de Malaca. Foi mandado n’esse mesmo anuo, pelo grande general portuguez, com tres navios reconhecer as Molucas, sendo cajiitão d’iim d’esscs navios, c eonniiandando os outros dois Francisco Serrão e Diogo Afiomso. Fòram os tres navios seguindo a costa da ilha de Siunatra, e passando depois a de Java, seguiram por .Madura, Bali, Sumbava, Solor e Nova ( Jiiiné. .\ntonio d’Abreii abordou a Amboiua, c Francisco Simões perdeu o navio cm 'Fernate, mas salvou-se com a tripulação. Antonio d’Abreu visitou as prin- cipaes Molucas, voltando d’esta derrota com ri- quissima carregação. Exjilorou também as costas (Í’Australia, a que se deu então o nome de Grande ■lava. Regressando a Tortugal, voltou a (loa em 1527, como capitão-mór de .Malaca, e foi um dos juizes* que decidiram a contenda (pie idaipudla cidade houve entre Lopo ^'az de Sanq)aio e l’ero .Masearenhas, sobre (jual dos dois tinha direito ao governo da índia. Em 1.5:54 ainda figura valo- rosameute uos eombates contra Malaca, sendo então governador das índias 1). Estevani da Gama.
Abreu (Antonio de). Chamado o Engenhoso, amigo e companheiro de Luiz do Camões, na índia, em 155;j. Era filho de Duarte d’Abreu o Castello Branco, seidior da (Quinta da Charneca, o de Brites Teixeira. I’ublicaram-se eiu seu nome, em 180.5: (Jlras inéditas de Antonio de. Ahreu, amigo e cempanheiro de Luiz de Camòes no es- tado da índia, Jielmcnte extrahidas do seu antigo inanuseripto que j)cssuimr's em paqiel asiatico.
Abreu (Antonio de). Oflieial do mar, portuguez, do tempo de Filippe III, de llespaidia. Em IGll commaudou uma das caravellas mandadas á índia por aquelle monareha, com o fim de prevenir o ataipie das naus do Ilollauda sobre Malaca.
Abreu (Antonio de). Jesuita portuguez; n. em I.isboa e professou no collegio de Coimbra, em 1577. Foi bom pregador, sendo, porém, os seus sermões quasi todos em latim. Foi lente do Es- eriptura na Universidade, reitor dos collegios de Coindira, Evora e Lisboa, preposito da casa de S. Roque, c finalmente provincial. F. em 10 de ju- nho do 1G2Í). Fublieou apenas : Tragédia S. Jcun- nis Ikiptista;.
Abreu (Fr. Antonio de). Nat. do Forto. Pre- gador do prineipio de século xvii. Só mandou im- juimir um dos seus sermões, intitulado: ISermào iia festa da miraeulosa imagem de iS. Demingos, Lisboa, IGGl.
‘ Abreu (Antonio da Cunha). Musico portuguez (juc viveu nos fins do século xvii. Discipulo do compositor Fravo; eojiiou, emlG78, um dos livros d’este compositor, intitulado: JSreves exjilieaçòcs da musica.
Abreu (Antonio Joaquim de). Poeta medioere
do sccnlo XIX. Pidilicou oiii 1815 um livro clia-
nuado; Sonclos sobre diversos assumptos.
Abreu (Ant<mio Joaquim Uiheiro Gomes de). N. em Moreira de liey, no anuo dc 1809 ou 1812. Parece que foi abandonado pelos pacs, ao nas- cer, e encontrado por uma jiobre mullier, clia- inada Custodia d’ Abreu, na noite de 21 do feve- reiro de 1812, no logar de Harboza, freg. de Mo- reira dc Key. Este nascimento ficou sempre mys- terioso. O facto é que se formou em (loimbra na faculdade de Medicina e tomou capello, tornan- do-se um dos mais brilhantes ornamentos da Uni- versidade. Fez parte do corpo docente até 185G, demittindo-se então por não querer prestar o ju- ramento politico, ipie 0 decreto de 5 de março d’a<iuelle anno exi- gia aos professores, juramento de obe- diência e fidelidade ás instituições poli- ticas vigentes c á dy nas ti a reinante, líssc golpe de estado fcz-lbc jii^rder a sua brilhante carreira, ponpie Antonio Joa- quim (rAbreu, que luofessava viva- incnte as ideiaíf absolutistas, prefe- riu antes pedir a de- missão. Mais tarde, a convite de I). Mi- guel, partiu para
lírombach, onde foi dedicado jirofessor dos seus filhos, e onde falleceu em 15 de junho de 18G7. A sua morte foi muito sentida em Lisboa, espe- cialmente pelo partido legitimista, por toila a imprensa nacional c estrangeira, que lhe dedi- caram artigos saudosos. Enupianto esteve em I’ortugal, collaborou no Jornal das tSeieneias Me-
diras de Lisboa; Missão Portuyueza; Fé Catholica; Farão c Jievista Acadêmica, onde, entre outros, publicou um notável artigo a lieliyião christã e a philosophia. Diz-se que o seu melhor trabalho é um opúsculo de 142 paginas, impresso cm Lisboa, em 1852, chamado: A orqanisação dos estudos mé- dicos em Portugal, discurso proferido na Sociedade das Sciencias Medicas de Lisboa, pelo socio, etc.
Abreu (Antonio José dr). Cirurgião militar; n. em 1805 c f. cm 8 de janeiro de 1872; inter- rompeu os seus estudos na Escola Medico (.'irur- gica do Porto, ipiando rebentaram os aconteci- mentos politicos em 1828, jiara se alistar no pequeno batalhão acadêmico ipie se organisou no Porto. Acompanhava este jiequcno exercito libe- ral, quando teve dc retirar-se para a Galliza, emi- grando cm seguida para 1 nglaterra. Tomou, depois, parte na guerra civil contra o absolutismo, mas em 18.‘53, ipiando a guerra terminou, prosi-guiu o curso, que concluiu em 18,%. No anno seguinte, 1837, foi nomeado cirurgião de infauteria IG. líe- formou-se em 7 dc setembro de 18G7, em cirur- gião de brigada. Collaborou no Jornal dos facul- tativos militares, em 1841. Escreveu: Exame \ critico da memória sobre a organisaqão do serviço \ dc saude do exercito e Analyse do rrlatorio ana- j Igtiro por J. T. Valladares sobre a administração j de justiça militar. No anno de 18:5:5, tomou o en- j cargo de uma inspecção sanitaria ao regimento I
de infauteria 12, na Guarda, onde cstavivm gras- sando a.s ophtahnias. ]’arcce que o relatorio, ipie dirigiu á repartição de saude, provocou reparos do cirurgião dc brigada Sá Mendes, especia- lista no tratamento das moléstias d’olhos, porquo em 18:>7 jmblicou Antonio José <rAbreu um opús- culo de 112 jiaginas com o seguinte titulo: O rliirurgiãin de brigada graduado de. infantrria If), Miguel Jleliodoro de Novaes Sã Mendes, refutado por elle mesmo ou Historia da commis.são do inqué- rito sobre a ophtalmia do regimento J2. Antonio José d’Abrcu era cavalleiro das ordens d’Aviz e da Conceição. Foi um dos homens ipie mais con- tribuiram jiara levantar a classe dos facultativos militares e para lhe dar a reputaçiTo scicntilica dc que hoje gosa.
Abreu (Antonio Julio de Frias Pimentel e). n. cm Meda, no 1.® dc março dc 1781 ; f. em 14d’ou- tubro dc 1844. Formou-se na faculdade de Direito na Universidade, cm 1802; foi juiz de fora de Mclmonte e Sortelha c de Pinliel, corregedor d’csta cidade e da de Praga, desembargador do Porto em 182G, juiz da Relação de Lisboa em 1833 0 conselheiro do Supremo’ Tribunal dc Justiça cm 183G. Foi deputado ás cortes em 1822 e 182G.
Abreu (Antonio Loqies de). Cirurgião, no jirin- cipio do século xix, fallecido em 1830. Traduziu do inglez: Exposição anatômica do utrro humano gravido e dos seus contkeudos, pelo dr. Ilanter. Lis- boa, 1813.
Abreu (Augusto Cesario de Vusconccllos). Me- dico e escriptor. Nasceu em Coimbra, em 1849, filho de Madaíl de Abreu, valoroso voluntário do batalhão acadêmico, e um dos lendários bravos do Mindello, e de D. Guilhermina dc Vasconccllos Abreu. Aos 19 anuos ficou orphão de pae; não tendo bens de fortuna luetou muito para poder seguir os estudos superiores, e as horas vagas empregava-as em dar lições de mathematica; e foi assim, que estudante c mestre ao mesmo tempo, conseguiu chegar ao 2.® anno da faculdade de me- dicina na universidade de Coimbra. Motivos par- ticulares o obrigaram a sahir dc Coimbra e foi completar o curso na Escola Medico-Cirurgica <lo Porto. Nas férias vinha a Lisboa, onde travou conhecimento com 0 dr. Pri- Ihante, medico homoepatha, de grande fama de sabio e de e.x- centrico. Cesario -Vbreu afiéiçoou- se áquelle medi- co e ao seu sys- tema, e, apenas terminou a sua formatura em medicina allopa- thica na Escola do Porto, veiu para Lisboa, e concluiu com a pratica os seus estudos homa-pathicos, na clinica do doutor Pri- lliante. Depois do fallecimento do distincto me- dico, Cesario Abreu começou a fazer clinica j)or conta própria. Em 1880 fundou a pharmacia iiommpathica na rua Augusta. Aiiesar da sua grande clinica, dedica-se com amor ao estudo e
Augusto Cesario de VascunccUos Abreu
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tc.in j)ul)li» a<lo alfíuinas olnas sol)rc a sua scicn- cia : Ksludos fjeraes sobre a hovurpathia; Do Pro- fji-esso da medicina pela linmrrimthia ; Jlevista por- tiii/iieza de therapcntiea homcepathica, jorual (juc fundou cm 1880, em collaboraçào com o dr. Jous- sct, de 1’aris; Apontamentos para a historia da medicina homoejuãhica em rortwjal. Os seus livros tem sido sempre muito apreciados. Em 188G, o dr. Cesario Abreu fez duas uotaveis confereueias sobre o Cholcra Morhns, nas salas da Sociedade de (leof^rapliia. E’ eommemlador da ordem de N. S." da Coucei^-ào. Ha alguns mezes retirou-se para Afriea por negoeios particulares, não dei- xando toilavia a clinica, que exerce com especial aptidão.
Abreu ( Itcrnardino Monteiro de). Viec-eonsul de Portugal em S. l*aulo, no Hrazil. Nat. de Gui- marães, foi muito novo para o Rio de Janeiro, dedicando-se á V i d a commer- eial; em 1855 passou á cidade de S. Paulo, on- de se estabele- ceu. Mais tarde foi um dos dire- ctores da Com- panhia União do ('ommercio de S. 1’aulo, a mais importante d’- aíjuelle estado, onde graugeoii bens de fortuna. São bem conhe- cidos 0 seu gê- nio bemfasejo e a protecção (pie sempre dispen- sa aos amigos do trabalho. E’ um dos fundado- res da Sociedade de Keueficcucia Portugueza de S. Paulo.
Abreu (Bernardo José de). General do exercito portuguez; u. em Papisios, cone. de Carregai, em JO d’agosto de 1790. Estudou em Coindira, mas cm 1809 abandonou os estudos para se ir alis- tar na Leal Legião Lusitana, mandada organisar por decreto da regeneia do reino de 24 de junho, d’csse mesmo anno. Assistiu em Ilespanha nos dias 27 e 28 de junho á batalha de Talavera de la Reina. Voltando a l'ortugal, assistiu, na ipiali- dade de cadete, á batalha do Russaco, a 27 de setembro de 1810. A 5 de maio de 1811 bateu-se valentemente na batalha de Fuentes de Onoro, sendo ferido. No cerco de Radajoz, em ocea- sião de assalto, uma granada o feriu n’um olho, do (pial ficou cego jiara sempre. Seguiram-se as dilferentes phases da guerra peninsular, cm cpic Rernardo d’Abreu tomou parte na celebre ba- talha de Vietoria, em 21 de junho de 1813 e nos combates que seguiram, até que o exercito in- vasor foi coinpletamente expulso do território hespanhol. Estes grandes serviços de valor e coragem ganharam-lhe as mcdaíhas da guerra peninsular e da batalha da Vietoria. Quando em fexcreiro c março de 1823, o conde (PAma- rante se revoltou em Traz-os-Mont es contra o governo e constituição liberal, Rernardo de Abreu entrou na campanha contra o absolutis- mo; em 1826 e 1827 também se bateu encr-
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gicamento pela liberdade. Quando o Porto se revolucionou no dia 16 de maio, contra o go- verno de D. Miguel, achava-se o distincto militar eommandando uma companhia de caçadores 7, de que era capitão. Tomando parte cm muitos com- bates d’cssas luetas de deplorável memória, Rc.r- nardo d’ Abreu, como defensor da Carta, seguiu o exercito liberal, emigrando pela Galliza para a Inglaterra. Esteve depois na ilha Terceira, acom- panhando cm junho de 1832 a expedição liberal, e desembarcando nas praias do Mindello. Tomou parte nas batalhas de Ponte Ferreira, de Vallon- go, 0 que lhe valeu ser agraciado com o gráu de cavalleiro da ordem da Torre c Espada. E’ longa a serie de combates em (pie entrou este valente militar; só diremos que na batalha d’Almoster, em 18 de fevereiro (le 1834, se distinguiu como sempre, sendo então condecorado com a eommen- da d’Aviz. O seu grande merecimento c os bons serviços prestados á causa liberal fòram sempre reconhecidos por D. Pedro IV e I). Maria II. Em 10 de setembro de 1844 recebeu a carta de con- selho, e em 15 de julho de 1847 foi elevado a eommendador da orcíem da Torre e Espada. Tam- bém a rainha de Ilespanha lhe concedeu a com- menda da real ordem de Isabel a Catholica. Rer- nardo José (1’Abreu seguiu os postos militares, tão justameute merecidos, chegando cm 12 d’ou- tubro de 1857 a marechal de campo.
Abreu (Fr. Braz de). Ecclesiastico do sé- culo xviir, nat. de Eivas, 'rraduziu do castelhano varias Devoções e escreveu uma Vida do servo de Deus, Gregário Lopes.
Abreu (Braz Luiz de). Medico pela universi- dade de Coimbra, chamado o olho de vidro, em consequência de ter perdido um olho, sendo ainda ereança, o (jual depois substituiu por outro de vidro. Foi mais conhecido pela alcunha do que pelo proprio nome. Rraz Luiz d’Abreu era engei- tado, mas suiipõe-so que nasceu em Coimbra, no anno do 1692. Exerceu clinica no Porto e em Aveiro. Os primeiros annos da sua vida são bas- tante nebulosos, mas parece ser certo que alguém 0 protegeu, dando-lhe os meios necessários para seguir os estudos, formando-se cm medicina na Universidade. Casou em 1718 com D. Josepha Maria de Sá, natural de Vizeu, filha de Antonio de Sá Mourão. l)’este consorcio, (pic durante 14 annos, parece ter sido um dos mais felizes, nas- ceram oito filhos, cinco meninas e tres rapazes. Em 1732, porém, estando cm Aveiro, desenca- deou-se de súbito sobre elles uma terrivel tem- pestade, cujo motivo ficou sempre ignorado, ipie obrigou os dois esposos a separarem-se e a reco- Ihcrem-se a um convento; 1). Josepha levou com- sigo as filhas para S. Rernardino, cm Aveiro, onde entrou cm 25 de março; os filhos ficaram com o pae, professando como clle, um na ordem de S. liomingos, outro na de Jesus; o terceiro falle- ceu muito moço. Viveu 21 annos, ainda, entre- gando-se a praticas religiosas e ao cxercicio da clinica, fallecendo de apoplexia em 10 de agosto de 1756. Escreveu cm portuguez e em hespanhol, sendo as suas obras mais conhecidas o Portugal medico; o Sol nascido no oceidente e posto ao nas- cer do sol; Santo Antoino portuguez; Kjntmte his- tórico e pancggrico da sua admirarei vida e 2>ro- digiosas acròcs. Os seus infortúnios deram-lhe grande cclclu idade. O fallecido escri])tor Camillo Castello Rranco consagrou-lhe um livro : ü olho
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di‘. vidro, cin quo clcscrcvc largamciitc a sua vitia.
Abreu (Chrislovam Soares de). Descmbargaflor (la Casa da Supj)lifa<;ào, c-avalleiro da Ordem dc (Miristo e vereador do Senado da Camara do Lis- boa. N. cm Ponte de Lima, o f. em Tjisboa, em 1(518. Escreveu: Oração em nome da Camara dc lAshoa a El-llei 1). Affonso VI c à Uainha I). Ma- ria Francisca Isahel, entrando na dita cidade em 20 de Affosto de lG6t>. Lisboa, lOfíO.
Abreu (Diogo de). Fidalgo portuguez da côrte de I). Manuel. Acompanhou á índia o primeiro viee-rei 1). Francisco de Almeida, na armada dc 1). Fernando de Eça, c distinguiu-se cm comba- tes contra os mouros.
Abreu (Diogo dc). Fidalgo da corte d’el-rei 1). João III, de.scendeute da geração e linhagem dos Abreus. O brazão constava de uin escudo de campo vermelho com cinco côtos de azas de ouro, cm aspa, c por differença uma dobre brica de jirata c azul; elmo de prata aberto guarnecido de ouro, paquife dc ouro c vermelho, e por tim- bre um dos côtos das armas.
Abreu (Diogo de). Ofhcial de mar que militou na índia durante o governo do vice-rei Iluy Lou- renço, sendo capitão de uma fusta em 1G12.
Abreu (Diogo Nunes de). Fidalgo da côrte de 1). João III, n. em E-xtreinoz. O seu brazão d’ar- mas compuuha-se de um e.scudo de campo esquar- tcllado; o primeiro quartel de verde com uma banda bordada de prata e n’ella tres vieiras de ouro riscadas de ouro e perfiladas de azul ; o se- gundo de vermelho com cinco côtos de ouro cm aspa, e por differença uma brica de prata e n’ella um G em preto ; elmo de prata aberto guarnecido de ouro, verde e vermelho, e por timbre um dos côtos.
Abreu (Domingos de). Capitão portuguez do século XVI, que militou na índia, e foi a Cochim na armada de Jorge dc Castilho.
Abreu (Domingos Manuel Pereira de Carva- lho). líacharcl formado cm uma das antigas fa- culdades de Direito pela universidade de Coim- bra. N. em Puivães, conc. de Vieira, a 23 de agosto de 17í)7, e f. em 11 de junho de 1873. Foi juiz dc fóra de Alijó e de Viila Real, de 1821 a 1823. Depois da reforma da magistratura judi- cial portugueza, exerceu o cargo de juiz de di- reito dc l.“ instancia, de 1834 até 18G0, anno em que, ])or motivo dc doença, se viu obrigado a abandonal-o. Escreveu em 1870: Sentenças eiveis e crimes, proferidas nas comarcas em que serviu desde I8G1 a 1863, acompanhadas dos respectivos summarios e juizos criticos da redacção da «Ga- zeta dos Tribunaes» e precedidas d' um prefacio do editor.
Abreu (Eduardo de). Medico e democrata con- temporâneo. E’ natural do archipelago dos Aço- res ; formou-se na universidade de Coimbra, na fa- ctddade de medicina. Xa vida académica, desta- cou-se sempre pelas suas ideias avançadas, jicrfei- tamente republicanas. Xo centenário de Camões, em Coimbra, e em muitos factos, sendo ainda es- tudante, bem se evidenciou a sujicrioridade do seu talento e dos seus idcacs de progresso social. Militou por algum tempo no partido jirogressista. < )s jirogressistas elcgcram-n’o deputado ; então, no parlamento, os sens discursos enérgicos, destaca- vam-sc dos da maioria dos seus correligioná- rios ; pcreebia-sc bem (juc o orador não estava li-
Kduardo de Abreu
gado ao grupo politico, dc (pie fazia parte, f|ue o seu esjiirito não se submettera ás convcnçiics e cxig(3ncias partidarias. Dirij^ia-sc ao povo n’um tom ironico, como se (piizc.sse tirar-lhe as illu- sòcs c cxcital-o á lucta pela moralidade e justiça. Os progressistas consideravam-no um indiscipli- nado ; bastaria um acontecimento qualquer que o (lesilludisse, (pic lhe roubasse as ultimas esperan- ças da restauração das forças do paiz, para (pie abandonasse denuitivamente os seus correligio- nários c 0 rcgimeii monarchico. Esse aconteci- mento não se fez demorar. Foi o ultimatuin, de janeiro de 1830. Eduardo (1’Abreu revol- tou-se contra a Inglaterra e contra os governos. A estatua de Camões e as dos distinctos portu- guezes que a acompanham, cobriram-se de crepes; foi d’elle que par- tiu a ideia e a ini- ciativa da execu- ção. O jicdestal, com aquellas es- tatuas dc heroes c leaes amigos da patria, rejiresen- tava 0 paiz, e o paiz vestia-se de luto. De.sde então,
0 dr. Eduardo d’ Abreu tornou-se definitivamente republicano, des- fazendo-se qual- quer duvida quo juulcsse ter havi- do ácerca das suas convicções politi- cas, apesar das anteriores manifestações de- mocráticas e revolucionarias na academia de Coimbra c no parlamento. Os seus actos posterio- res provaram á evidencia a sua dedicação á causa republicana, c a cidade de Lisboa o elegeu seu representante cm côrtes em outubro de 1892. Eduardo de Abreu é um incançavel luctador, muito eloquente, e dc caracter energico.
Abreu (Elog de). Couego secular da congrega- ção do Evangelista Amado, que viveu nos fins do seeulo xvi. Escreveu: Summa de Thcologia Moral, 1G03.
Abreu (Eclix José de). Doutor cm leis do meado do seeulo xviii. Fez imprimir em Paris uma obra escripta em francez com o titulo: Traité juridico-politique sur les prises maritimes, etc., 1758.
Abreu ( Er. Eeriiando de. ). X. no Porto. Profes- sou na ordem dos jircgadores do convento dc 15cm- fica cm 1G77. Foi (pialificador do Santo Oflicio, examinador das tres ordens militares, deputado da junta das missões, desembargador da Curia Patriarchal, e um dos jnimeiros 50 académicos da Academia Real dc Historia, cm cujas memó- rias, além das Cartas dos seus estudos, publicou um catalogo dos bispos de Miranda. F. cm 8 dc março de 1727.
Abreu (Ee.rnão de). Capitão portuguez (pic I militou na Índia, para onde jiartiu sob o com- I mando de Tristão de Cunha e de Affonso (rAlbu- ! (pieniue, em 1.50G, sendo vice-rei das Índias,
' D. Francisco (rAlmeida. Distinguiu-sc na tomada [ da fortaleza dc Socotorá, e morreu, assim como I seu irmão. Gomes d’Abreu, no ataque de Diu, cm
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ir)4<), sob as onlciis dc ]). João dc Castro, gover- nador da índia.
Abreu (D. Filippa <h-). Filha dc Gonealo Vaz dc Castcllo líranco; casou com I). 1’cdro dc Atliaydc, senhor dc Castanhcira e dc Clicllciros, o qual foi decapitado por ordem de I). João II, por estar implicado na conspiração do duque dc Vizeu.
Abreu (Filippe ãe). Xat. de Torres Vedras; filho dc tamilia nobre. Sabio theologo da congre- gação dos agostinhos reformados. Cathedratico dc thcologia da universidade d’Evora, por no- meação de D. João IV. F. em Coimbra, em IGãí). Escreveu : C<mme7dariv7n de Sealo Jacob; De ado- ratione, e David, Frincej>s peifectus.
Abreu f Francisco de). Viveu no século xvii, e escreveu a historia do naufragio da armada j)or- tugueza de I). Manuel de Menezes, na boeca do canal dJnglaterra. Esta obra ficou mamiscripta.
Abreu (Francisco de). Fidalgo que serviu na Ilidia. Irmão de Ouofrc. d'Abreu. Acompanhou Christovam da Gama a soeeorrcr o né(jns da Abjssinia, em 1541, atacado pelo rei de Zcylá, levando sob suas ordens um terço dc bO homens. (.) seu brazão d’armas ora um escudo de campo ver- melho, com cinco côtos de azas de ouro, cm aspa, e por ditferença uma tlôr de lis de prata, elmo dc prata aberto guariiceido de ouro, paquife de ouro e vermelho, e jior timbre um dos côtos.
Abreu (Francisco de). Fseudouymo de ipic se serviu Manuel Severim dc Faria em varias obras : llelaçào universal do que succedeu em Fortuyal e mais provindas do Occidenle e. Oriente, desde o mez de )na7-ço de G2õ, até todo o setembro det>2(>; líela- ção do que succedeu em Fortufial e mais qtrovin- eias do Oceidente e Oriente, desde março de 0‘2G até ayosto de 027, e Eocereicio de perfeição e dou- trina espiritual quira extinguir vidos e adquirir virtudes. •
Abreu (Francisco Ferreira de). Escrivão de direito 110 Funchal. F. cm Cabo Verde, em 1H42. Alem d’alguns artigos e poesias publicadas em diversos jornaes, traduziu em portuguez o Com- pendio elementar de economia politica de Adolpho Hlanqui. Li.sboa, 18J4.
Abreu (Francisco Homem de). N. em Evora; grande jurisconsulto e distincto jihilosopho. Sendo cathedratico da universidade de Salamanca, to- mou jiara argumento das suas lições o verso das Epistolas de llorado: Quidípiid deliranf reges plec- tunctur Achivi, e sobre elle compoz uma obra cm latim, (jue se encontra nas provas da Historia (lenealogica, de I). Antonio Caetano de Souza, iiivectivando asperamente a resolução d’cl-rci 1). João II, mandar matar o ihique dc Ibagança, 1). Fernando. Esta obra acdia-se jnililicada na liiigua hespanhola, eom o titulo: Desaderto de 2>rindpes.
Abreu (Francisco Joaquim do Valle d’Oliveira de). X. em Guimarães cm 17!)(i, e f. na freg. dc S. .João de llrito, craquelle cone. em 18G0. Erade tamilia nobre e abastada. Exerceu imjiortantcs cargos em Guimarães. Apezar de ter licns de fortuna, os seus desvarios o empobreceram a tal jioiito, rpie se viu obrigado a recolher-se cm casa irum seu parente, ipie o soccorreu jtclo resto da vida. Xo tempo da sua iirosperidade cra muito divertido e agradavid; improvisava versos com muita graça, (pie nunca se publicaram. Era primo do eclebre fidalgo Igiiacio Maniqiie, que.
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por ser liberal, fora condemnado a dar tres vol- tas cm redor do patibulo, indo d’alva vestida.
Abreu (Francisco Vieira de). Ofiicial do minis- tério dos negocios estrangeiros, em Lisboa, nos fins do século xvni; secretario da legação em Ilespanha, quando alli esteve com o ministro 1 )iogo de Carvalho de Sampaio. Escreveu : Apon- tamentos j)oliticos sobre os prindpaes abusos e de- feitos do governo de. Portug<d, e. meios jtara se eftiendaretn : apresentados ao ministro de S. A. !{., conde de Villa Verde em 1801. Lisboa, 1820.
Abreu (I). Garcia de). Filho illegitimo de D. João d’Almeida, 2." conde d’Abrantes. Foi' mestre do infante D. Duarte e vôdor do prineipe 1). João, filho de I). João III. Este soberano no- ineou-o reitor da Universidade, logo depois da transferencia d’esta para Coimbra.
Abreu (Gaspar Rodrigues Torres de). Fidalgo da eôrte de 1 ). João IV. Tinlia por brazão : um escudo csquartelado ; o 1." quartel dos liodrigues partido cm chefe, campo azul c n’elle cinco flores dc liz de ouro postas em aspa, e ehefe sangiiino com uma cruz de ouro florida e vazia do campo. 0 segundo de Vaseonecllos, campo negro, eom tres taxas de veiros, de vermelho e prata, veira- das e contraveiradas. O terceiro dos Abreus, campo sanguino eom cinco côtos de aguia de ouro em aspa cotadas de sangue. O ultimo dos Viei- ras, campo vermelho, c n’elle seis vieiras dc ouro riscadas de preto, e por ditferença um lyrio de ouro, e por timbre um leão nascente de sua côr eom uma flôr de liz na mão dil eita, elmo de prata aberto guarnecido de ouro, paquife dos mctacs c das eôres das armas.
Abreu [Gomes de). Capitão que militou naln- <lia. Irmão de Fernão d’Abreu, c proprietário cm Chaul. Esteve na tomada de Mombaça, em lõO.'), e morreu no ataque de Diu em l.')4G, assim como seu irmão, no tempo dc vice-rei D. Francisco d’Almcida.
Abreu (Gonçalo de). Portuguez muito conhe- cido, proprietário cm Chaul, onde falleceu, com- batendo os mouros cm 1G12.
Abreu (Guilherme de Vaseonecllos-). Xatural, de Coimbra, onde nasceu a 20 de maio de 1H42, e filho de Victor Madaíl «le Abreu c de D. Gui- Ihermina de Vaseonecllos Abreu (V. Abreu, Vi- ctor). Foi educado ate aos 14 annos em Coimbra, depois no Porto, no collegio dc Alexandre Grant, até 1858. Em maio iréste anno foi para o líio de .lanciro para casa de parentes seus, a fim de de- dicar-se ao commcrcio. A cdtieação esmeradis- sima, (pie seu pae, homem lido em littcratura j)ortugueza, franccza, hesj)anhola, italiana e la- tina, lhe dera, foi de feição contraria á vida commcrcial. Regressou ao reino, a<pd completou logo os j)r(qiaratorios e entrou na faculdade de mathematica, onde é bacharel premiado com um accessit e tres distineções. Assentou jtraça cm 18G1 em caçadores 5 e matriculou-sc, cm 18G4, no l.“ anno da Escola do Exercito cm Lisboa, mas não completou o curso da arma dc artelha- ria e fez o de engenharia naval na Escola Xa- val, onde teve sempre o primeiro j)rcmio. (guando estava a ser promovido a 2.“ tenente, morreu-lhe o pae, o qual era escrivão e tabelião em ('oim- bra. Teve então Vasconcellos-Abreu de acccitar, l>ara utilidade da tamilia, o ser nomeado j)ara o logar (pie seu ))a(^ exercera ; dois anuos depois foi transferido para Lisboa, e aqui exerceu o cargo
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tio escrivão da 4.“ c mais tarde da 3.’ vara eivei, até 11)00, honrando sempre o nome de sen pae, homem honestissimo. Apesar d’este emprego, de- dieou-se Vaseoneellos-Ahren mnito aos estudos de lingnas, litteraturas e religiões orientaes. Em 1873 eonheeen-o o então marquez d’Avila e de liolama, e ambos com o eonselheiro I’ossidonio da Silva fundaram a Associação Promotora dos Kst lidos Orientaes e (Jloticos, euja idéa jtartiu de Vaseoneellos-Abreu, <pie a eommnnieon ao eon- selheiro Silva. Por essa oeeasião fez Vaseoncellos- Abren um discurso na sala das Seiencias Medi- cas, no e.dilieio (pie estava no logar onde existe a esta^‘ão central do Koeio. Esse discurso foi a jtedra fundamental da Assoeiação e o facto que lhe captivou a amizade do marquez, depois du- (pie d’Avila, e levou ao espirito d’este homem j)0- litico o desejo de proteger e animar, em estudos desconhecidos em l’ortugal (orieiitalismo), o moço (pie lhes dedicava as horas vagas de trabalhos de cujos redditos sustentava a familia, (pie elle criou por casa- mento com 1). Maria Julia Hourdi Pires Monteiro Bandeira. E.sse discurso intitula-se : Exposição feita perante, rs rnemLri s da <Join- missãio Nacional Fertugneza do Congresso Internacional drs Orientalistas (1873) convocados para constitnirem nnia associação preniotora di s estudos orientaes e gloticos em Pirtugal, e foi pro- nunciado a 21) de dezembro de 1873. A associação foi ephemera porque a s c o n c e 1 1 o s - A b r e u
adoeceu e nada se fez durante mezes. Em 1874, em fins de se- tembro, teve \'asconcellos-Abreu de ir a França e á Allemanha ; alli conheceu pessoahnente Emilio
dos negoeios elo reino. Foram ambos estes rela- tórios impressos na Imprensa Nacional em 1878. A’cerea do 1." ha um artigo escrijtto largamente por Emilio Eittré na Jíevista de Pliilcsophia Po- sitiva. Em 187'), estando ^'asconccllos-AI)rcu em Paris, fez alli parte do Congresso das Seiencias Geographicas e foi nomeado um dos secretários geraes d’este Congresso e membro ilo jurv ; re- cebeu pelos trabalhos cpie executou as palmas du ofiieial tia Academia de Paris e uma medalha es- pecial, dada unicamente a (piem tomou jiarte activa no Congresso pela Sociedade de (ícogra- phia de Paris. No fim d’esse mesmo anno, e de- j)OÍs de ter ouvido assiduamente as lições de Abel Bergaigne em Paris, foi Vasconcellos- Abreu para a Allemanha e alli estudou com o dr. Martinho Haug, e outros, na universidade de Munieh. l’or morte do dr. Ilaug, voltou a Paris e continuou a ouvir em sanscrito Abel Bergaigne, Philarette Edouard Foucaux, llauvette-llcnaut, e cm egy- ptologia Maspero ; frequentou outros cursos e entre clles o de authropologia e teve a honra de ser discipnio estimado de Paul Broca. O dmpie d’Avila nomeou Vasconcellos- Abreu lente no Curso Superior do Eettras, creando assim a cadeira de lin- gua e litteratura sanscrita, elas- sica e vedica cm Portugal, a (pial tem regido ati; agora desde 7 de novembro de 1877. Em 1880 celebrou-se cin Portugal o con- gresso internacional de anthro- pologia e areheologia prehisto- rieas e Vaseoneellos-Abreu foi um dos secretários d’este con- gresso, o qual tanta honra deu ao paiz, não só pelos traba- ittré, com lhos alli apresentados, feitos por portuguc-
Guilherme de Vasconcellos-Abrtu
(piem tinha relações por cartas; este apre- zes, mas pelo Compte rendu, admiravelmente sentou-o a alguns orientalistas francezes, os eseripto pelo romanista portuguez Aniecto dos (piaes animaram o nosso conterrâneo a (pie pro- i líeis Gonçalves Vianna. IPesta obra, (pie as- seguisse nos seus estudos e lhe deram cartas de signala uma epoca nos annaes da scie.ncia portu- recommendação para orientalistas allemães. No gueza, consta o (pie Vaseoneellos-Abreu fez por regresso a l'ortugal, o marquez d’Avila promet- , essa oeeasião, e especialmente mencionamos a(pn teu a Vaseoneellos-Abreu obter-lhe a missão de o trabalho De. V origine jjrohalle. des Totd.hares et ir estudar por ordem do governo portuguez em leurs migrations à travers l’Asie. (Pag. õlOaõdfi). alguma das universidades estrangeiras, onde os Depois de ter sido eleito soeio do Instituto de estudos orientaes são feitos com tanta vantagem Coimbra, da Academia líeal das Seiencias de Eis- das letras e da seiencia. E, com etfeito, em maio boa, foi condecorado por el-rei I). laiiz com o de 1875, Vaseoneellos-Abreu era encarregado otHcialato da ordem de S. Thiago. Em 188Í) a ins- pelo conselheiro Andrade Corvo, uma das in- taneias do governo da Suécia e Noruega foi ^'as- telligencias mais lúcidas c mais cultas do seu ' coneellos-Abreu nomeado rejiresentante (Ic P()r- tempo, de ir a França, Inglaterra e Allemanha tugál no Congresso internacional de orientalis- aperfeiçoar-sc nos estudos orientaes, especial- tas em Stockolmo e Christiania. l’artiu para Pa- mente em sanscrito. Esta missão durou at(í fins ris, onde esteve no Congresso de geographia c de 1877 ; e, commissionado, o aproveitamento que 1 no de anthropologia e foi um dos secretários tirou dizem-n’o os dois relatórios (pie Vaseon- , d’este. Em fins d’agosto apresentou-se na Suécia, cellos-Abreu apresentou otlicialmente. O l.“ re- i e, em uma das sessões na Uuiversida(le dc Chris- latorio intitulasse : Investigações sobre o caracter tiania, apresentou e explicou a inscrip^mo sans- de civilisação Árga-llindu. (Paris, 15 de Janeiro crita (pie se vê na Quinta de Penha Verde em de 1877), enviado ao eonselíieiro João dCVndrade I Cintra: a estampagem pijrfeita e os factos his- Corvo, ministro e secretario de estado dos ne- toricos revelados por esta inseripção mereceram gocios estrangeiros e ultramar ; o 2." relatorio in- elogios a Vaseoneellos-Abreu dados publica- titula-se : O Sãoskrito e a Glottologia Árica no i mente por Buhler, de Vieuna d’Austria, e Bnr- ensino superior das lettras c da historia, (Lisboa, | gess inglez em serviço na índia, e ambos gran- 21 de Janeiro de 1878), e foi entregue ao mar- ' des conhecedores da paleographia e eiiigraphia (piez d’Avila e de Bolama, presidente do conse- 1 indiana. Esse trabalho foi reeomjKuisado p( lo lho de ministros, ministro e secretario de estado ) rei Oscar, da Suécia, com a commenda (2.’
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fiasse) ela ordem de Wasa. Em setembro de 18‘Jl remiiu-se em Jjondres um congresso in- ternacional de orientalistas ; a i>edido da com- missão organisadora d’este congresso e por or- dem do governo portuguez Vascoucellos-Abreu (pie, havia sido eouvidaelo a tomar pessoalmente parte em tal congresso, escreveu o Hummario (las investigações em samseritulvgia desde J88G até ISOI. Este trabalho mereceu ao auctor um dos nove únicos diplomas ddionra dados j)elo con- gresso a traballios de subido mérito scientifico e litterario ; e mais lhe foi dada a medalha de j)rata pelos trabalhos, seus, olferecidos ao con- gresso. Em o «Speeial Oriental Congress Num- ber>> da «The Imperial and Asiatic Quarterly lievicw,» de J..ondres, lê-se a paginas iii que o Suwmario é um dos «most noteworhy», a paginas VI, (pie «1’ortugal gave Prof. G. de Vaseoneellos’ iuvaluable Summary of Sanserit lieseareh», a paginas i.xsxii diz (pie é «of an exhaustive eha- raeter ou Sauskrit Jlibliography». Annos de- jiois, recebeu Vascoucellos-Abreu as insignias de Grande oilieial da ordem de Mejidie (Tiir- (piia). Pelo duque d’Avila fôra commettido a Vaseoneellos-Abreu o encargo de escrever um Curso de Litteratura e lingua sanscrita, classica e vedica. Cuidou então Vaseoneellos-Abreu em (pie a Imprensa Nacional tivesse o typo devanágrico, usado nas composições impressas em sanserito, e logo em 1878 apresentou este estabelecimento do Estado, como specimen, em edição de luxo, de uns r>U exemplares apenas, o l.“ aeto do drama de Xacuntalá eom traducção portugueza de Vas- eoneellos-Abrcu. Foi typographo compositor o juimeiro disciindo que Vaseoneellos-Abreu teve, José Autonio Dias Coelho, o impressor João Fran- cisco Saraiva. Em 1881 vinha a lume agramatica de sanserito; mas poucos mezes depois era cortado a ^'aseoneellos-Abreu o subsidio (pie o Duque de Avila lhe estabelecera. Vascoucellos-Abreu to- davia continuou a obra e escreveu mais três vo- lumes sem remuneração, fòram impressos na Im- prensa Nacional e publicados por ordem do go- ve.rno portuguez em 1883, 188‘J, 181)8. U ultimo volume é considerado no mundo scientifico como trabalho hourosissimo não só para Portugal como para os estudos de sanserito e philologia árica. Em 18D8 celebrou-se em l’ortugal o centenário do Descobrimento maritimo da Índia; para com- memorar este feito grandioso dos nos.sos passados, escreveu Vasconeelios-Abreii este volume (iv da obra a cpie acima nos referimos) c mais escre- veu Texto critico da Lenda dos santas Jkirlaão e Jvsafat, e um conto em prosa portugueza rithmica intitulado Chand-liili, a Svltana Branca de Ame- •iKigara, lenda indiana phantasiada da tradição histórica do século xvi. As obras litterarias de Vaseoneellos-Abreu até hoje publicadas são, além das já mencionadas, Gcographia mathematica, XII 1 12 paginas, com um Atlas de 67 figuras, todas desenhadas e algumas gravadas pelo auctor do livro; Fragmentas d' uma tentativa de Kstudo Scoliastico da Epopeia Fortugueza, publicação esta que foi muito elogiada em Londres (The Athenaemn, julho de 1880) e por Oliveira Mar- tins (Camões, os Jmziadas e a Jícnascença em 1'urtngal) e de que Donald-Ferguson deu tra duccãü em inglez da parte (jue se refere a lemías Imddhieas; Notas soLre a (piestão do Jus . jirimoe noetis ; O critério nomalogico ; O animismo |
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em geral e sua representação entre os Chinezes; 1'assos dos Lusiadas, estudados á luz damytholo- gia c do orientalismo ; A litteratura c a religião des Ar ias na Jndia; Instituto oriental e ultrama- rino portuguez, ideas succintas ácerca da sua (■reação; Jtases da ortograjia pu‘i'tugueza : além d’isto, tem publicado em alguns joruacs portu- guezes, franeezes, belgas, inglezes, artigos d’en- tre os quaes mencionamos, jior termos á mão, os publicados no Boletim da Sociedade de Gec(jra- 2>hia de JAsboa, no iJiario de N( tidas, no C( ni- mercio de Bírtugal, na Era Nova, no Instituto de Coimlrra, na Bhilosophie Positive, no Muséom, no l)ia, na The Asiatic Quarterly Beview; teve a honra de collaborar nas Mélanges Charles de Ilar- lez, onde escreveu La syndH:li(jue des 7u mires dai.s les recettes magiques des traditions et des usages poptdaires en Etiroqte; como orador, além do dis- curso já mencionado feito na sala das Seiencias Medicas, citaremos o discurso feito na Sociedade de Geographia de Lisboa, A respofisalilidade portugueza na convocação do X congresso iutci-- nacional dos orientalistas, a conferencia no ins- tituto de Coimbra, em 181)1 intitulada A Eeno- menalidade, a Alma e o Eu segundo o Budismo; a conferencia feita em Praga cm março de líMH ácerca de Operariado e tuJjerculose. l inalmente conhecemos ainda dois trabalhos muito dignos de menção especial : um d’elles é 'Tuberculose c contagio da tuberculose, eseripto de propaganda (jue publicou em 1Í)U0 como membro da Assistên- cia Nacional aos Tuberculosos, c de que a Par- ceria Autonio Maria Pereira fez segunda edição publicada em lt)01. N’este trabalho ha eousellios práticos que só ultimamcntc teem sido postos em execução ; o outro trabalho 6 o publicado jielo centenário de Gil A icente, Os contos, ap<l<gos, c fabulas da índia, injluencia indirecta no Auto da Mofina Mendes de Gil Vicente. Vasconcellos-Abreu é socio correspondente da Société d’ Anthrojiologic, de Paris, da Société Asiatique, da Société Jndo- Chinoise, da Associação dos Engenheiros Civis Portuguezes, etc., e honorário da Associatiou Phonétique Internationale, como Max Mullcr, Storek e outros. No estylo de Vascoucellos- Abreu nota-se sobriedade, clareza, vigor, ver- naculidadc, e o tom artistico que é n’elle feição particular que por vezes se revela ate em cs- eulptura. Uma nota curiosa do caracter de \'as- concellos-Abreu, é que, sendo elle homem paci- fico c que sempre condemnou a guerra e o duello, foi mestre de sabre de Anthero de Quental ^V. «In Memoriam» o artigo de Faria e Maia), fre- quenta a carreira de tiro, em Pedroiços, onde é um dos melhores atiradores com espingarda, pis- tola e revólver, porípie entende que todo o ho- mem deve, embora velho, estar apto para defen- der a sua patria.
Abreu (D. Isabel de). Filha de João Fernan- des d’Audrade, chamado o do Arco, e de 1). Hea- triz d’Abreu. Estando na Ilha da Madeira, foi re- questada por um fidalgo, eaçador-mór d’el-rei D. João III, chamado Autonio (.íonçalves da Ga- mara, 0 qual fôra defender a ilha dos assaltos dos corsários franeezes. D’estes amores resultou um rapto, que deu logar á j^risão de Gonçalves da Gamara, o qual foi obrigado a casar eom a ra- ptada.
Abreu (Irmã('s). Esculptores em madeira, no- j meado do século XVII. Viveram em Evora, onde
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deixaram alguns dos seus trabalhos nos con- ventos da Cartuxa e S. José.
Abreu (Jerotiynw de). Mathcinatliico ou astro- logo do século xvii; n. ein Guimarães. Escreveu: l’riiynostieo dos efftitos dos astros, obra otlcrccida a 1). João Lobo de Faro, J>isboa 1(147.
Abreu (Fr. Jcrmiymo de). Frade franciscano, provincial da congregação da terceira ordem; n. cm Veiros, em 101 V, f. em Lisboa a 27 de no- vembro de 1(570. Fublicou cm l()(5!l, os Estatutos 2>ara as religiosas dos mosteiros da Madre de JJciis da Séyjmdo á cidade d’ Aveiro e de Nossa Senhora do ]A)reto d' Almeida.
Abreu (Jeronymo Pimenta de). Xat. de l’onte de Lima; ignora-se a data do seu na.scimento; f. em õ d’outubro de KiJl. Era fillio de Salvador llarros e Abreu; frequentou o curso jurídico na universidade de Coimbra, foi admittitlo a colle- gial do collegio de S. Pedro da mesma cidade, c seguiu a cadeira de Codiyo, da (pial tomou posse em lüOl. Mais tarde foi desend)argador da Casa da Supplicação, cbanceller do Porto e desembar- gador do Paço. Durante o seu magistério dictou, entre varias postillas : Comment. ad. Tit. Cod.de admiuist. rer. pvhlic lib. IJ, etc.
Abreu (Jeronymo Vieira). Irmão, oii pelo me- nos parente de Fr. Jeronymo d’Abreu. Só se lhe coidiece um folheto, publicado em Jãsboa, em 1802, intitulado: Pespostas dadas a algumas ^yer- guntas (pie se fizeram sobre as novas moendas dos engenhos d’assucar e novos alambújnes.
Abreu (João de). Xat. da ilha da Madeira. Ca- pitão d’uma náu na armada ile João de Souza Lima, que chegou á barra de Gôa em 22 de se- tembro de 151J, sendo Alfonso d’Albuqucrque governador da índia.
Abreu (João Haptista da Silva e). Fidalgo da corte do priucipe regente D. João; siqierinten- dente das caudelarias de Leiria, llrazão d’armas : escudo esquartelado; no primeiro e quarto (piar- teis as armas dos Silvas, no segundo as dos Cou- tinhos, e no terceiro as dos Abreus.
Abreu (João liotto Cavalleiro Ijobo de). X. em Portei, no Alemtejo, cm 1781); lidalgo da Casa Kcal. Cavalleiro professo da Ordem de Christo, temente coronel do extincto regimento de milicias d’Evora, e iiltimameute escrivão do Juizo de Di- reito da Comarca de Coimbra; associado provin- cial da Academia lleal das Sciencias de Lisboa; foi lilho de Iguacio Cavalleiro Lobo d’Abren, e de D. Michaella Mira liotto d’Aguiar. l’assou a maior parte da vida em Arrayolos. Era um ge- nealogista euthusiasta, e, durante as investigações genealógicas, foi colhendo apontamentos para as suas memórias sobre Portei, as quaes escreveu com o titulo : Üollecçãio de menu/rias para a histo- ria da villa de Portei, ofierecida á Academia Peai das Sciencias. Esta obra começou a inq)rimir-se na typographia da Academia, mas a impressão só chegou á pag. 48; sendo mandada suspender, couservando-se assim até hoje. Lobo d’Abreu, tendo gasto a pequena herança que tivera de seus paes, e emigrando para Lisboa en» 1833, (piando SC estabeleceu o governo constitucional, foi des- pachado provedor do conc. d’Arrayolos, cargo que exerceu emquanto duraram as prefeituras. Tempo depois, recebeu a nomeação de escrivão do juizo ordinário de Montemór-o-Xovo, sendo d’ahi trans- ferido para escrivão da Kelação do Porto; havendo, pouco depois, mudança ministerial, viu-se obri-
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gado a voltar a exercer o seu oflicio cm Coimbra, onde morreu a 22 de fevereiro de 1858.
Abreu (João Couceiro de). X. cm Santarém, em lt)7f), e f. em JJsboa, a 10 de setembro de 1738. Estudou Direito na universidade de Coimbra, e chegou a servir alguns logares na magistratura, mas d('poi.s abandonou de todo a jurisprudência para se dedicar á poesia e a estudos históricos; foi guarda-mór do Archivo Real e acadêmico da Academia Real de Historia. Na Collecção d’esta academia encontram-se algumas Contas de Estu- dos de Couceiro d’Abreii. 1’ublicou em separado alguns sonetos e uma AUegação medico legal sobre, a defensa de João Pinheiro Pereira Coutinho, 1121.
Abreu (João Evangelista de). Engenheiro que Horesceu no meado do seculo xix .X. em Castello Hranco em 1828; era lilho de Manuel Mendes d’Abrcu. Em 184f) sentou praça, como voluntário, em cavallaria 8, e no anuo seguinte matriculou-se na universidade de Coimbra, (jiiando começou a revolução de 184G, foi apresentar-se á junta do Porto, com alguns collegas, e logo alcançou o posto de alferes. Assim fez a campanha que ter- minou d’um modo infeliz para o seu partido, e em abril de 1847, aproveitando a amnistia, apre- sentou-se, tendo logo baixa de posto. Continuou, uo entretanto, a cursar na Universidade, e rece- bendo a carta de bacharel em .Mathematica, foi despachado alferes alumnó, até que, tendo con- cluido o curso de engenheria, foi promovido a alferes effectivo para caçadores 2. Depois esteve em commissão na Escola do Exercito, sendo no- meado lente substituto em 185G. Em junho d’esse anno foi um dos escolhidos jiara irem estudar em França, onde se distinguiu brilhautemeute. Re- gressando ao reino, foi aproveitado o seu mere- cimento pela empreza construetora do caminho de ferro, onde fez algumas obras verdadeiramente notáveis, que o tornaram celebre. A morte, infe- lizmente, veiu surprehendel-o ainda na força da vida, a 23 de fevereiro de 18GÍ).
Abreu (João Gomes de). Fidalgo iiortuguez, que militou na índia, sendo vice-rei D. Francisco (l’Almeida; era capitão d’um batel ás ordens de D. Lourenço d’Almeida, no combate com os mou- ros quando foi batida a armada de Calecut na foz do rio de Panaue, em Lõ()7. Regressou ao reino e voltou novameute á Índia em 1Õ12, onde tomou parte nas armadas que sahiram de Goa jiara o norte a combater os mouros; também esteve no ata([ue de Socotorá, sob o cominando de Atfonso d’Albuquer(iue e Tristiio da Cunha, em 1507.
Abreu (1). João Gomes). Ilispo de Vizeu. Foi quem celebrou o casamento do duque de Bra- gança, que dciiois foi decapitado em Evora, com D. Izabel, filha do infante D. Fernando, sobrinha de D. Afionso V e irmã de D. João 11. tiuando SC celebrou o casamento, cm 8 d’agosto de 1472, ainda D. Fernando não herdara a casa de Bra- gança, mas fôra feito duque do Guimarães, por el-rei D. Afionso V.
Abreu (João Manuel de). Bacharel em Mathe- matica pela universidade de Coimbra, professor da Academia Real de Marinha e do Real Colle- gio dos Xobres, socio da Academia Real das Hciencias. X. em Valença, a IG d’abril de 1757, e f. nos Açores, em 1814 ou 1815. Foi soldado no regimento d’artilheria do Porto, sendo tenente o celebre mathcmatico e poeta José Anastasio da Cunha, de quem foi discípulo, amigo e admira-
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dor. Por cau.sa da.s ideias e.xaltadas do seu mes- tre e amigo em religião, jior sustentar doutri- nas, que n’aquelle teiiq)o eram eondemnadas se- verameiite, íbi preso juutamente eom clle, cm 11 d'outubro de 1778, e encerrado na Impiisieão, sendo também em sua companliia 2>euiteueiailo n’um auto de fé, que se realisou na sala do Tri- bunal de Lisboa; auto de fé em que jánãobavia fogueira, ijorque o mar<iuez de Pombal bavia-as ajjagado para senq)re. Além do auto de fé, foi também eoudtmiuado ao eoníiseo dos seus bens, e a estar recluso 2)or tres auuos na casa dos padres da Congregação, boje hospital de Kilbafolles. Ter- minado o praso do cumprimento da sentença, jiar- tiu jjara França, onde, na cidade dc Agen pu- blicou em francez : SuppUment à la traduction de la Géométrie d’Kuelide, de Mr. 1‘eyrard, pvLliée eu 1804; et à la Géométrie de Mr. Jjéyendre; suivi d'iin essuisur la vraiethéorie des 2)aralleles,
1801) ; Príncipes mathématiqnes defeu Joseph Ayias- tase da Cunha, qjrofessenr ü l’ Université de Coini- hre (comprenant ceux d’urithmetique, de la géo- métrie, de 1’ulyébre, de son applicution á la géo- métrie, et du culeul differentiel et intégral, trai- tés d' une maniere entiérement nouvelle), traduit litteruleme.nt du qíortugais. llordeaux, 1811. lie- gressou depois a Portugal, onde escreveu: Notas ■ sobre vários logares da Censura dos redaetores do «Edimburg lieview» aos Princípios Mathe- maticos de José Anastasio da Cunha, j^aru servi- rem de snpplcmcnto ao jyrologo da segunda edição dos mesmos Principias. Sabiram no J nvestigador Portnguez, n.“ xxx (dezembro de 1813), e n.'** xxxi e XXXII. Pouco antes dc fallecer, occupava-sc da Ijublicação de vários opusculos inéditos (ao todo lõ), que iiossuia do seu tiuado mestre e amigo José Anastasio da Cunha, os quaes havia colli- gido, e tencionava imprimir com o titulo : Kscri- ptos jjosthamos de José Anastasio da Cunha, orde- nados rclativamente ao sgstema dos seus Prineijnos Mathematicos, e offerecidos a ò'. A. Jí. o senhor J). João VI, príncipe regente de Portugal, etc.
Abreu (João Nunes de). Artista portnguez do ])riucipio do século xviii, conhecido jielo Aireií do Castello. Era um 2^i>itor quasi gencrico, mas a sua es2)ecialidade, em que se tornou muito dis- tiucto, foi em ornatos c arcbitectura. Foi mestre de Feliciauo Narciso. Existem vários trabalhos seus: na egreja da Craça (quadros dc ligura e a entrada); e na egreja do Menino lleus, os tectos. O conde liackzinski siqipòe que este distiucto 2)intor seja o mesmo que viveu na mesma epoca, sob o nome de João de Abreu Gorjão. (Diction- naire historique artistique du Portugal).
Abreu (Joaquim Manuel dc Faria Lima e). N. no Hrazil, vindo para Lisboa em 1821. Foi empre- gado na secretaria da guerra, lledigiu alguns jor- naes de lucta revolucionaria, e em 1822 2mblieou um periodico, o lirazileiro em Portugal, que ter- minou por causa dos acontecimentos que resulta- ram ila contra-revolução de 1823. Em 1820, com o regimen da Carta, o distiucto jornalista voltou á lucta e estabeleceu o Fiscal dos abusos, jornal que muito se vulgarisou. N’’estas luctas teve de sustentar 2iolemicas vebementes com o jiadre José Agostinho de Macedo, seu adversário 2>olitico. O governo de 1). Miguel, cm 1827, coudemuou-o, 2>e- las suas ideias liberacs, a 10 annos de degredo ])ara as Pedras Negras, de2iois de ter estado en- cerrado na Torre de S. Julião da Parra. Partiu |
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para o degredo a 10 de novembro de 1829, onde, segundo se julga, falleceu.
Abreu (Joaquim Valerio de). Abridor de cu- nhos na casa da moeda de Lisboa nos annos de 1739 a 1717. Era discipulo de Pernardo Jorge, um dos mais babeis na sua arte.
Abreu (Jorge de). Fidalgo portnguez, segunda 2)CSSoa da celebre embaixada mandada ao négiis 2)or el-rei 1). Manuel, embaixada dirigida pelo governador da Índia ao Preste João em 1;')20. Capitão d’um galeão em 1;')27. Foi ferido e feito ea2>tivo n’uma galé eommandada 2Jor Simão de Sousa Galvão, n’um combate naval contra as lan- chas do sultão de Achem, em 1;")28, sendo gover- nador da índia Lo2ies Vaz de Sampaio.
Abreu (Jorge da Silva). Fidalgo ipie militou na Índia. Fez 2)arte da armada que, em dezembro de Itill, 0 vice-rei 1). Jeronymo levou ao norte a combater os inglezes.
Abreu (José de). Fidalgo portnguez residente em Paçaim. N. no auno de 1(513, armou á sua custa uma mauebua, de (jue foi nomeado ea2-'itão, 2*ara guardar o rio de Paçaim, 2JOr causa das correrias dos mouros.
Abreu (José Antonio de). Distiucto oflicial de engenheiros, major em 1827 e tenente corouel graduado em 18;M, por ter servido a causa de
1) . Miguel, e ser um dos officiaes convencionados
dc Evoi'a Monte. N. em Lisboa, nos fins do seeulo XVIII, e f a 11 de fevereiro de 1873, sendo gene- ral de brigada reformado. Foi nomeado por D. Pe- dro V p‘H'‘T- fazer o tombo das propriedades da casa de Pragauça, eommissão 2>ara ipie estava muitissimo habilitado 2>olos seus eonbecimcutos tecbnicos. Era poeta de pouca importância. Em 1811 2)ublieou um livro de versos intitulado: iVo- ducçòes poéticas de Josino e em 183G : Um
Roteiro de Jlesjjanha, aampunhado dc vários map- pas. Collabo.rou 2>or algum tenqio, eom Vilhcna Parbosa, no Universo jjittoresco. Tinha a com- menda d’Aviz.
Abreu (José Maria de). Lente eatliedratieo de
2) biloso2)bia na universidade de Coimbra, do con- selho de S. M., de2>utado ás curtes, director geral de instrucção publica, etc. N. em Coimbra, no dia 1;") de setembrò de 1818, e f em Lisboa, a Ib de novembro de 1871. Foi José Maria d’Abreu, quem, em 1801, começou o utilissimo trabalho de collec- cionar a Legislação académica desde 1112, traba- lho (pie acabou cm 18GG. Esta colleeção está 2)u- blicada em 4 volumes c fórma um repositorio de noticias inqiortantissimas 2iara o estudo do desen- volvimento da universidade de Coimbra. Tratou também da reforma do collegio de S. Caetano, de Praga, destiuado á educação de orphãos. A Uni- versidade deve-lhe importantes melhoramentos, na typogra2)hia, no jardim botânico, etc. Escre- veu : Observações sobre o decreto de 1 dc dezembro de 1846 que regulou a habilitação dos candidatos ao magi.sterio da Universidade de Coimbra, 181G; A ereação d’ um curso especial de seiencias econó- micas e administrativas na Universidade de Coim- b)\i, 1819; Almanaeh da Instrucção Publica em Portugal l.“ e 2.” anuo; c alguns opusculos sobre questões de seieucia. Nos joruacs O observador. Instituto e Conimbrieense ha artigos seus, 2)oliti- cos, historieos e scientifieos ; Duas jndavrus sidyre o ]>rojecto de reforma do decreto de 20 de setembro de. 1844, ajn esentado «« Cortes pelo sr. dipntado Jeronymo José de. Mello, Coimbra, 1848; lireves
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apiiiilamniins pura a hintfrnphia do rx."‘" comr,- Iheirn Antonio Xnnen de Carvalho (sahiii na Gazeta de Por,luf/al em junho de 18(!7 ) ; Jirevissima/i con- siderações sobre o opusctdo: A (luestão da Instruc- ção Publica cm 1848; Carta ao redactor do : «Lu- sitano» sobre a correspondência do l)r. Jeronymo José de Mello, Coimbra, 1848 ; lireves reflexões ácerca do projecto de reforma do decreto de 20 de setemlero de. 1844. Coimbra, 184Í) ; lluas palavras em resposta ás «RcHcxões» sobre o projecto da com- mis.s(io da Faculdade de FhilosopMa imra a crea- riio d’ um curso de sciejicias econômicas e adminis- trativas, Coimbra, 1849; Breves reflexões sobre a «Resposta do sr. Roque Joarpiim Fernandes Tho- maz, ás Duas palavras», Coimbra, 18.Õ0 ; A De- missão do director geral de instrucção publica, Lis- boa, 18(51. llelatorio da Inspecção extraordinária feita á Academia Foliflechuica do Veerto em 1804, Lisboa, 18G5, documento interessante pelos es- clarecimentos que encerra; Legislação acadê- mica de 1804 a 1800 e repertório de toda a legis- lação desde 1772 até ISfJO, inclusive, Li.sboa, 18(56 ; Parecer apresentado ao conselho geral de instruc- ção publica e projecto de regimento do collegio de S. Caetano em Braga, Lisl)oa, 18(54 ; Propriedade litteraria. Parecer sobre a renovação do tratado de propriedade litteraria com a França, sahiu no Instituto de Coimbra, vol. xiv, 18(55.
Abreu ( José líodrigues de ). 1 )outor em medicina c mestre em artes, physieo-mór das armadas, c nuulico da camara de I). João V ; n. em Evora cm 1(582, e ainda vivia, ao que parece, em 1747. Es- creveu : Luz de chirurgiões embarcadiços, que. t ra- da das doenças epidêmicas de. que costumam enfer- mar os que.se embarcam para os portos ultramarinos, e Historia lógica medica, Lisboa 1711; llistorin- Ingia medica fundada e estabelecida nos principias de George Ernesto Stahl e ajustada ao uso pratico (Veste paiz. Tomo i, Lisboa, 1728; Tomo u. Parte i, 1789; Tomo ii. Parte ii, 1745. Manuel de Sá .Mat- j tos, iia Bibliotheca cirúrgica, chama-lhe Doutis- ' simo naturalista e sincero medico. José Rodrigues d’Abreu era cavalleiro da Ordem de Christo.
Abreu (José de Sousa e). Familiar do Santo OHicio e fidalgo da corte de 1). José. I5razào : as armas dos Souzas do Prado, Pintos, Lopes e Abreus.
Abreu (I)r. Julio Mendes de). Advogado muito di.stincto pertencente a uma antiga familia <le Oliveira do Hospital, conhecida pelos Memles da ’ Fonte, de que sairam individuos importantes (jue j desempcnliaram altos cargos na magistratura, | como o dr. Pedro Mendes de Abreu, que foi cor- | regedor das justiças de Santarém, ctc. (V. Ade- i Uno Julio Mendes de. Abreu).
Abreu (Lopo de). Piloto portuguez que nau- | fragou na Aguada dc S. 15raz, no i)rincipio do século XVI.
Abreu (Lopo de), Xat. de Vizeu, século xvi. , Seguindo a vida ccclcsiastica, chegou a ser deão , da cathedral do Porto. Em 1.5(54 abandonou tudo ' jiara sc recolher ao noviciado da Compaidiia dc ! Jesus, onde jirofcssou. Escreveu em 1608 Sum- j ma de. moral, obra que ficou manuscripta. I
Abreu (Lopo Gomes de). Militou na índia. Ca- i jiitão d’uma manchua, em 1618, andou no rio dc ! iSaçaim a fazer guerra aos mouros. Foi nomeado capitão d’um navio na armada de Luiz de 15rito de Mello, para ir combater os mouros em Chaul, i Baçaim e Damão até á barra de Surrate. !
' Abreu (Luiz do Pego de). Fidalgo da còrte de D. João IIT, de.scendente da geração dos Regos I e Abreus. Brazão : Escudo csijuartcllado ; o pri- meiro quartel de verde com uma banda oiidada de prata, e n’ella tres vieiras de ouro riscadas dc preto e perfiladas de azul ; o segundo de ver- melho c cinco côtos dc ouro, em aspa, e por dif- I ferença uma brica dc ouro e n’clla um — \j — preto ; elmo de prata aberto, guarncciilo de ouro, paquife de ouro, verde e vermelho, e por timbre um dos côtos.
Abreu (Manuel de). Nat. do Crato, século xvi. Formado em medicina na universidade de t!oim- bra, onde também fez parte do corpo docente da me.sma faculdade desde 1618 até 1(542, auno em que se jubilou. Escreveu: Tractatus de morbis mulierum, em 1(521.
Abreu (Manuel de). Jesuita portuguez e mis- sionário na China. Victima da sua dedicação pela fé catholica, foi decapitado cm 178(5, na cidade de Touquin, juntamente com tres outros padres jesuitas : Bartliolomeu Alvares, Vicente da Cunha e Ga.spar Cratz.
Abreu (Manuel Jgnacio Ferreira de Souza e). Nat. da villa da Torre de Moncorvo. Fidalgo da côrte dc D. José 1, e familiar do Santo Oflicio. O seu brazão tinha as armas dos Souzas do Pra<lo, Ferreiras, Andrades e Abreus.
Abreu (Manuel llodrigues da Silva). Bacharel em Direito pela universidade de (loimbra, onde SC formou em 1825. N. em Ponte dc Lima, em 14 d’agosto de 1798, e f. em Braga, a 6 de dezenduo de 18(59. Companheiro de Garrctt desde a Uni- versidade até ao exilio, por seguirem as ideias libcracs. Foi bibliothecario de llraga. Entre as suas publicações figuram com apjilauso, pela pu- reza de linguagem, uma traducção do Kliezer ou a ternura fraternal, poema de Florian; outra tra- ducção do Eremita, bailada dc Gold.smith, vários trechos do Paraizo perdido, de .Milton, O Cântico de Moysés, Os qortendeutes, fragmento da Odysséa de Homero, O Encontro de Diomedes e de Glauco (extrahido da llliada), versão feita cm 171 en- decas.syllabos portuguezes; Novidades bibliothc- conomicas, ou refutação de cinco absurdos, que ge- ralmente e ha séculos .se. sofrem no serviço das bi- bliothecas publicas, reduzidas todas ellas á obe- diência do simples sen.so commum; Poesias (pie se publicaram posthumas no Operário, semanario de litteratura, de Braga, cm 1871 c 1872: 1.’ O Cor- sário, poema de Lamartine, trad. ; 2.* O Homem, meditação de liamartine, trad.; 8.“ O mérito das mulheres, poema dc madame Felicic d'Ayzac, trad.; 4." Amostras de diversas poesias. Collabo- rou no Instituto, Mercúrio, Independente, c outros jornaes. Manuel Rodrigues da Silva Abreu voltou do exilio cm 1882, e, quando terminaram as luctas civis, foi nomeado oHicial da prefeitura (governo civil) de Braga. Grande defensor da Carta, mos- trou-se pouco .sympathico ás ideias avançadas dc 1886, e resolveu pedir a demissão, sacrificando-se assim ás suas convicções politicas, não querendo acceitar emprego algum publico. Almeida Garrctt, seu intimo amigo, procurou fundar uma biblio- theca em Braga com os espolios dos extinctos conventos c convidou-o para bibliothecario, o rpie elle acceitou, por ser emprego alheio á politica.
Abreu (Marcos de). Oflicial dc latociro sob cuja direcção se fumliram moedas de cobre na regencia do D. Pedro 11, quando por uma ordem
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do ('oiisfllio da Fazenda de, d de jmdio de IdTd se mandou fazer inoe.das de eobre fundidas. Kstas moedas ainda lioje muito eommuns pela enorme fpiantidade que (Í’ellas se fabricou, são bastante toseas e irregulares. Na ordem referida diz-se que em cada arratel deviam entrar duzentos réis, o que eorresponde a vinte peças de dez réis, ou
Moeda de real e meio de D. Pedro II
quarenta de cinco réis, ou 6(i de tres réis, ou cento e trinta e duas de real e meio pois que fòram es- tas as especies moldadas.
Abreu (Maiyarida de). Filba de Cbristovam Kebello d’Abreu, da familia de Regalados. Viveu 110 seeulo xvii durante o dominio bespanbol. ])if- famada por um fidalgo castelhano que inutilmente a requestara, vingou-se do ultrage matando o ealumniador a punhal, n’uma egreja do Minho. A audaciosa desafronta impressionou toda a gente por tal fúrma, (pie não houve juiz que se atre- vesse a sentencial-a, e Margaricia d’Abreu apenas expiou o seu crime, peniteneiando-se esponta- neamente todos os domingos na egreja.
Abreu ( Marianna de). Nat. de Abrantes; viveu no principio do seeulo xviii. Estudou, com apro- veitamento notável, pliilosopliia, rlietoriea, musica c historia. Jlorreu, tendo apenas 18 annos, dei- xando escripto : l’hilosophia moral; Jlhetorica moderna; CaUdoyo de todos os varues illnstres eni armas, até 1). João de Castro. Era mais co- nhecida pelo nome familiar de Marianninha.
Abreu (Miguel de). Capitão portuguez, que serviu na índia ; eommandou um navio da armada de I). Francisco Soutomaior.
Abreu (Miguel Vicente de). Eseriptor portu- guez-, nat. da índia, muito versado nas linguas orientaes. Foi empregado na secretaria do Go- verno Geral da índia Fortugueza, e aposentado, fallecendo em 1882. Miguel V'ieente d’Ahreu era condecorado com o grau de eavalleiro da flrdem de Christo. Escreveu o seguinte : liosguejo histó- rico de Goa, escripto em inglez pelo reverendo l>i- niz L. Cottineau de Klogncu,- vertido evi portuguez e accrescentado com algumas notas e rectificaf;òes. Nova Goa, 1858; Folhinha civil e ecclesiastica de Goa pura o anno de 1850, segundo depois do bis- sexto, com varias noticias curiosas e uteis a toda a sorte de pessoas, Nova Goa, 184!>; Stahat Mater, vertido em lingua (eoncani) e outras oraçòes na mesma lingua, publicadas poi' M. V. d’ Abreu, Nova Goa, 18;'),’) ; Noi'as Meditações em lingua de Goa (eoncani) para visitar a via sacra, Nova Goa, 1855; Freparação da oração mental seguida de (juinze myste^-ios do Jíosario e da Magnijicat, e oração a S. Francisco Xavier. Nova Goa, 1857 ; Cantigas pias, ou orações em ^•erso da Virgem Maria Nossa iSenhiera, c da Senhora Santa Anua, cm lingua eoncani, j)ortugueza e latina. Segunda edição mais nmrecta e muito augmentada ]>elo edi- tor da primeira. Nova Goa, 18(iO; Manual da missa e da co7iJissão, e varias outras orações, Nova (loa, 32
ISljO; Memórias dos trabalhos eseholasticos do mez de Maio de. 1847.
Abreu (Nicolau de). Fidalgo da eôrte de I). João III, descendente da geraição dos Alireus. Rrazão (rarmas : Escudo de campo vermelho com cinco ccMo.s de azas de ouro em aspa com as pon- tas para baixo, e por ditfereiií-a uma brica de prata e n’ella outra de vermelho; élmo de prata aberto, guarnecido de ouro, paípiife de ouro e vermelho, e por timbre um dos eiitos das armas.
Abreu (Nicolau de). Official de mar no estado da índia. Commaudou uma fusta em IG14, e pos- teriormente üma estancia.
Abreu f Onofre de). Fidalgo portuguez que ser- viu na índia. Acompanhou 1). Cbristovam da Gama a soceorrer o négus de Huhe.scli em 1.541, con- tra 0 rei Zeylá, commandando uma companhia de I cineoenta homens. Morreu em combate.
I Abreu (Pedro Alvares de). Capitão portuguez í que militou na índia nos principios do seeulo xvii.
Abreu (Peelro Gomes de). 5." Senhor de Rega- lados e Valladares. Aleaide-imh- de Lapella e mem- * hro do conselho de el-rei 1). Afibnso V. Nas dis- córdias (pic se deram na menoridade d’este prin- cipe, declarou-se a favor da rainha I). Ijconor, viuva de I). Duarte, contra o infante D. Redro, duque de Coimbra. Casou com I). Genebra de I Souza, filha de Fernando de Magalhães, senhor do couto c quinta de Hésteiros.
Abreu (Pedro llenririues de). Nat. d’Evora de 1 Alcoha(;a. Licenceado em Cânones, e reitor de I S. Redro de Farinha Ròdre, hisp. de Coimbra. Viveu no seeulo xvii, escreveu : Vida e martyrio de Santa Quiteria e das suas oito irmãs, todas nas- cidas de um parto, portuguezas e proto-maiPjres da : llespanha, com um discurso sobre a antiguidade de Cinania, Coimbra, 1H51.
I Abreu (Uaymnndo Feri-eira de). N. em IJs- boa, em 17(K), onde também morreu no meado do I seeulo xviii. Rreshytero ; mestre de cerimonias da , Misericórdia. Escreveu: Directorio deceremonias do côro, dividido em duas partes, 1738 a 1745.
Abreu (Sebastião de). Jesuita portuguez, dou- tor em theologia, muito apreciado, com especia- lidade no estrangeiro. N. no Crato, cm 15í)4, f a 18 d’outuhro em 1G74; chanceller da universidade i d’Evora. Escreveu: Institutio Parochi; e Vida ! e virtudes do admiravel padre. João Cardim da companhia de Jesus, Evora, 1G5!1.
I Abreu (Simão de). Capitão portuguez que ser- viu na Índia. Era filho de Rero Gomes d’Ahreu j e foi aleaide-mór de Ternate em 1523. Morreu n’um combate naval com os mouros de Bintaii, j sendo atacado o navio do seu cominando, por j doze lanchas do sultão na ilha das Naus, em 1524. Depois de valorosa lueta, os mouros incendiaram- lhe o navio, morrendo queimados clle e toda a triimlação.
Abreu (Thomé de Tavora de). N. em Chaves, e viveu no seeulo xvn; era filho de Redro Hen- riques de 'Favora. Desile muito creamça mostrou grande tendeneia para a musica e para a inathc- matiea, e esta ultima teudencia resolveu o pae a mandal-o estudar na aula de fortiticacção em Eis- boa, onde. D. Redro II lhe mandou dar uin partido sujna numerário. 5’iajou no estrangeiro, e (piando regressou a Rortiigal, sentou praça no terço do conde de S. Vicente, sendo logo nomeado aju- dante de numero, jior ser um tactico exiniio ; tez algumas camiianhas da guerra da siicccssão, nias
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pediu a demissão por sc julpar preferido. Vol- tando ao reino, foi nomeado oflieial da ouvidoria do governo dc 'rraz-os-Montes, c depois scere- ; tario do governo das armas da mesma provineia, logar que exerceu 2õ annos. Escreveu uma des- cripeão da villa de Chaves, c um livro ácerea do seu logar de secretario do governo das armas, que destinava para instrueeão dc seu íillio, que (pieria que llie succcdesse. Estas obras ficaram manuscriptas. Escreveu também muitos entreme- zes em castelhano, e um poema satyrieo intitulado: Dos (Ustnrhios, chimnas e 2)(it(iratas, que ha no mundo, eseripto em portuguez.
Abreu (Vcdentiin de). Oflieial de mar no estado da índia. Fez parte da armada de I). Francisco de Menezes Koxo que em 1615 foi combater os jtovos de Arraeão (Arakan). Morreu n’esta e.\i)c- dieão.
Abreu (Vasco Gomes de). Oflieial portuguez dos mares da África Oriental. Caj)itão-mór da armada (pie devia guardar o eabo Guarda fui, em 1505. i Assistiu á tomada de Mombaea e ao combate na- , vai com as náus de Calecut. Foi eapitão-mór de i Sofala, onde levantou uma fortaleza, em 1507. Indo depois para Moçambique, uma terrivel tem- ! pestade o obrigou a naufragar, perdendo-se com- j j)letamcute o navio em que elle ia e comman- ^ dava. '
Abreu (Vasco Gomes de). Filho de Diogo Soa- j res dc Abreu, commendador de Ileldigem, com- I panheiro d’armas do celebre Luiz de Loureiro. I Foi morto em Tanger pelos mouros. I
Abreu (Vasco Gomes de). Fidalgo portuguez (pie esteve na índia em 1611. Fez parte, da ar- | mada mandada a Surrate em soecono de Luiz dc j Brito, c da (jue foi a Malabar sob o cominando dc [ 1). Bernardo de Noronha.
Abreu ( Viceide Ferreira de). N. em Setúbal em j 1675, f. em 1734. Professor dc medicina e homem de letras. Escreveu : Olmt.s espirihuies, e uma collecção de Sonetos em louvor de. mu sermão pré- yado no convento de S. Francisco de Setúbal. Sendo medico, não consta que escrevesse obra alguma I sobre medicina. I
Abreu (Victor Madaíl de). Um dos 7:500 bra- , vos do Mindello. Nasceu em Coimbra a 5 de maio de 1811 e falleceu ali em 17 de maio de 1868. Era j filho de José Joaquim de Abreu Sampaio Serra | c 1). Ignacia Imdoviua Ferreira Aranha, ambos j dc Coimbra, aquelle porém descendente da casa I dos Abreus (Barros Abreu, Conde de Cíisal) do ' Minho. Victor Madaíl dc Abreu foi sempre de ! mocrata e um dos espiritos mais liberaes do seu | tempo. Aos 15 annos, em 1826, alistou-se no ba- 1 talhão acadêmico e foi jiara Vizeu quando d’aqui ^ SC tinha retirado para Coimbra o general Aze- vedo, depois conde de Samodães, cm consequên- cia da ortensiva (jue tinham tomado as forças mi- guelistas revoltadas, commandadas pelomarquez j dc Chaves. Em 1828, depois do infeliz resultado j da revolução liberal, emigrou Victor Madaíl de | Abreu pela Gailiza para Inglaterra, e d’ali foi para a ilha Terceira, onde, já no memorável dia j 11 dc agosto de 182'J, tomava jiarte com dis- | tineção na gloriosa batalha da Vida da Praia, j <|ue foi a salvação da causa constitucional. Foi á ilha de S. Miguel e entrou na brilhante acção : da Ladeira da Velha. Veiu como exercito liberta- I dor para o reino e desembarcou em 8 de julho ; de 1832, no Mindello, com os bravos seus compa- |
Victor Madaíl do Abreu ECgundo caculptura feila por seu filho G. de Vasfontellos-Abreu
nheiros. Esteve no cerco do Porto, e nos dias de maior refrega na Serra do Pilar. Fez todas as campanhas e contribuiu quanto ponde iiara que friumphasse a bandeira da Kainha c da Carta. Apesar de ter servido esta causa desde 1826 até lt'.14 toi-lhc dada a medalha n.“ 7, por injustiça faeil do commetter contra quem nada pede para recompensa. Joa- quim Antouio de Aguiar era mui- to seu amigo,
<|uiz chamal-o a Lisboa, mas Vi- efor Madaíl dc Abreu preferiu ficar em Coim- bra. Foi-lhe dado então 0 oflicio de escrivão e tabel- li<ão, creado dc proposi to u’- aquella comarca.
I nsistiu Aguiar em í|uerer hon- rar Victor M. de Abreu e quiz dar-lhe uma commenda ; V. M. de Abreu não a acceitou, nem pôz nunca ao peito nenhuma venera nem meda- lha. O seu caracter democrata era servido por incxccdivel honradez e admiravel c generosa tolcrancia. Recolheu, nos annos dc 42 a 47, em sua casa, cllc cartista (mas não cabra- lista), muitos patuleias ; exigia dVstcs jiorém que deixassem ficar armas c muniçòcs onde ti- nham encontrado abrigo e defesa. Casado com 1). Guilhermina Candida de Vaseoneellos, dos Vasconcellos de Evora, constituiu familia nume- rosa, de que foi desvelado educador por cuidados e exemplos ; e até por vezes o mestre. A ])Ouea saude e a vida que teve não lhe jiermiftiram dar a todos os filhos a educação (pie deu ao mais velho, seu filho Guilherme, cuja biographia fica dada ant(*riormente. Victor Mailaíl de Abreu era homem lido e versado em historia, e em littera- tura; possuia uma livraria de para cima de ()<H) volumes, entre os (piacs competiam na escolha obras da litteratura latina, portugueza, hespa- nhola, italiana, c, em menor numero, obras da litteratura frauccza. Era apaixonado dos eucyclo- pedistas c dos girondinos. Foi na leitura d’esta livraria e alumiado pelo ensinamento e excnqdo de Victor Madaíl de Abreu que se formou o es- pirito de seu filho G. dc Vasconcellos-Abreu.
Abreu. I^ogar na freg. de Meriifc, conc. de Mousão. II Logar na freg. de S. Vicente de 'I’a- vora, eouc. d’Arcos de Valle dc Vez. || Casal na freg. dc Almaeave, conc. de Lamego. || Casal na freg. de Roliça, cone de Óbidos. || Quinta da freg. de Castello de Penalva, conc. de Pcnalva do Castello. II Quinta da freg. do Lumiar, conc. de Lisboa. II Quinta na freg. de S. Jordão, conc. dc Evora. | Herdade nas freg. de Santa Victoria c de S. Bento de Ameixial, conc. de Extremoz. || Herdade na freg. dc Forfios, conc. de Portalegre.
II Sitio na freg. c conc. da Moita. || Sitio na freg. de Pomares, cone. de Beja.
Abreu Gorjão (Joãode). Pintor a quem Fr. Francisco de S. Luiz attribue um desenho das Memórias de Malta, que tem a data de 1734.
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Abreu da Ilha (João Gomea). Capitiío (rmna iiaii (lo caifía na armada de Tristão da Ciinlia, (|iio partiu dc rortupal para a índia em 18 de ahril de 150(), sendo vice-rei D. Francisco d’Al- meida. Sempre, companheiro dc Tristào da Cunha, assistiu com ellc aos combates contra os mouros tia ciilailc de llrava e ilha dc Socotorá, e final- mente á descoberta da ilha de S. Loureueo, cm 1Ó07.
Abreu da Ilha (Lopo de). Capitão d’uma náu da armada commandada por Lopo Soares, que passou á índia cm 1504.
Abreu e Lima. Casal da freg. de Camaratc, conc. de Lourcs, distr. dc Lisboa.
Abreu e Sousa Chrynostomo de). Homem
])olitico muito respeitável, venerando general a (piem 0 paiz deve numerosos serviços, e euja morte foi geralmcnte sentida. Abreu e Sousa n. em 27 de janeiro de 1811, eiioca em que Portugal luctava eom as invasões fran- eezas, atraves- sando nm pe- i riodo escabro- so, qne só teve , fi m e m 1814, (piando Portu- gal se viu defi- nitivamente li- bertado das host('s do Na- poleão. Sentou ])raça em agos- to de 18‘3.‘l, ou- tra ('‘poca não menos calami- tosa; os ânimos ainda estavam
João Chrysoslomo dc Abreu 0 Sousi exaltados pela guerra fratri- cida (pie durante cinco annos assolou o reino, c (pie tão deploráveis recordações nos deixou. Em 18:11, Abreu e Sousa era nomeado alferes, e, em 18;17, passava a pertencer ao corpo de engenheria. ,\ sua vida militar e jiolitica foi sempre activa e muito honrosa. Teve o encargo de importantes commissões, como engenheiro, em que sempre se houve com a maior intelligencia e scrieda(le. Foi deputado ás côrtes, pela primeira vez, em 18G1 ; miidstro em 1804 e 18G5, encarregando-se da jiasta das obras jmtilicas e como interino da da marinha, no ministério do durpie de Louh' ; em 187!) ministro da guerra, no ministério de Anselmo Itraameani]). Em 1890 foi o encarregado de arranjar ministério, na situação difiicil em que o paiz SC encontrava, depois do celebre nUimotum de 11 de janeiro fpie oceasionou a queda do go- verno regenerador, sem haver quem qnizesse ou jmdessc formar novo gabinete. N’estas eircums- tancias espeeialmente criticas o distincto homem de estado, leal amigo do seu rei e do seu paiz, não duvidou em tomar o espinhoso cargo de l»residir a um ministério sem feição jiartidaria, mas (pic não jionde resistir á ojtposição <pie se lhe levantou, e ás difiiculdades enormes eom (pie teve, de luetar. N’esse gabinete, tomou para si a jiasta da guerra, .loão Chrysostomo (rAbreu e Sousa mostrou-se então um estadista habilissimo, conseguindo socegar os ânimos deveras exaltados. Abreu e Souza era general de divisão, desde 18G5, 94
par do reino, membro etfectivo do conselho de estado c ajudante de campo honorário d’el-rei, presidente da commissão superior de guerra, e vogal eftectivo da junta consultiva d’obras publi- cas e minas; era condecorado com a gran-cruz da Torre e Espada e d’.\viz, commendador das Ordens de Christo e d’Aviz ; também fòra agraciado eom as commendas d’algumas ordens estrangeiras. Falleceu em 7 de janeiro de 1895.
Abreus. Dois casaes, um na freg. de Saphira, outro na freg. de S. Christovam, ambos no cone. de .Montemór-o-Novo.
Abricro. Yilla da prov. de Traz-os-Montes, arcei), de llraga, com. de Villa lieal.
Abrigada (José Maria Camillo de Mendonea, visconde de). Proprietário abastado e negociante de grosso traeto da praça de Lisboa. N. em 31 d’outubro de 1815, f em 19 de julho dc 1885; casou em 1849, eom 1). Maria Leonor Ernestina Coutinho Sea- bra Saldanha Daun e Mendonça, filha do 2.° visconde da Bahia. Era commendador da Ordem de N. S.“ da Conceição dc Villa Vi- çosa, fidalgo cavalleiro da Casa ileal, e vice-consul da Bélgica em lãsboa. O titulo de visconde foi- lhe concedido, cm sua vida, por ®"“*<f’AbMgad.r^‘ decreto de 17, e carta de 29 dc janeiro de 1870. Tem por brazão: Um escudo partido cm pala : na primeira as ar- mas dos Mendonças, escudo franchado e na parte alta e baixa, em campo verde, nma banda ver- melha cotieada de ouro ; no segundo, c seu contra- rio, em campo de ouro um S negro ; na segunda pala, as armas dos Cunhas, em campo dc ouro nove cunhas de azul postas em tres palas. Tim- bre, uma aza de ouro carregada eom um S negro e por differença uma brica azul com um bezante, dc prata. Este brazão foi concedido por alvará de 14 de fevereiro de 18(58.
Abrigada. Freg. da prov. da Extremadura, conc. c com. d’Alcmquer, distr. e patriarc. dc Ijisboa, orago de N. S." da Graça. Tem excellen- tes quintas, sendo as mais notáveis as da Ahri- r/ada e do Casal do Alamo, de F. Raphael Gor- jão ; Casal d' AtomjHia, do conde dos Arcos ; Ca- sal do Aíarpies, dc A. P. dhVraujo ; Casrd dos Moffos (dos .Marcos) de Antonio Joaquim ; Casal do Vieyas e do Bairro, de .\scencio de Sequeira Freire ; Ex- Couto, do visconde (r.Vbrigada; d<ts Marés, de D. Joaquim da Silva. egreja matriz é de proporções acanhadas e construeção mo- derna. Ficando muito arruinada pelo terremoto dc 1755 foi restaurada em 17(58. Na fachada está gravada esta data. Em frente da egreja ha nm largo, no centro do (pial se levantou em 1862 um cruzeiro elegante, de pedra polida. No largo vêem-se muitas casas modernas, onde se recolhem os festeiros da antiga romaria dc N. S. da .Vmei- xoeira, que se realisa nos mezes de agosto e se- tembro. Ao lado da sacristia existe uma campa onde se vê (juasi totalmente apagado i)clo tempo, 0 brazão (rarmas dos .Vraujos, da Abrigada ou de .Vleimpier, e por isso se julga ser o tumulo d’a(piella familia, cujo morgado foi instituido por Gonçalo Vaz d’Aranjo, (pie morreu pelos annos de 1620 : o brazão era em canqio de prata, uma aspa azul carregada eom cinco bezautes d’ouro;
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elmo cie aço, coberto ; e por timbre o tronco crum corpo humano, com braços c cabeça vestidos de azul, tendo esta coberta com um capello de ouro. Em 185G construiu-se proximo da egreja um ce- mitério murado e fechado por uma porta de ferro. Entre outros jazigos notam-se os do visconde d’Abrigada, e de Domingos José da Silveira Dias. Abrigada tem escola, serviço postal, tele- graphico e de encoinineudas postacs, permutando malas a II. A. N. conta 174‘J ahn. 38ü fog. Apov. dista lU k. da sede do conc. Tem boa exj)ortação de vinho, especialmente para o IJrazil ; também se exporta algum gado. Existe em Abrigada uma grande fabrica de tubagem de grés cerâmico, onde se fabricam manilhas e todos os artigos destinados á canalisação de exgotos, e alguns produetos refractarios de tijollo e telha ; em- j)rega 50 operários, todos do sexo masculino. E’ uma terra das mais lloresceutes do concelho ; })riucii)iou pobrissima e conhecida i)elo nome do seu logar mais importante : Athouyuia das Ca- íras. Tem 5 povoados: Abrigada, Atouguia, Bair- ro, Cabanas do Chiío, e Estribeiro, antigameute JJestrabeiro. No Bairro ha a. fonte do juiz, cpie no inverno está sccca. A pov. chamava-se antiga- meute Amieiro; desde o principio do século xvi chamou-se Brigada e a corrupção do vocábulo deu-lhe o nome de Abrigada.
Abrigada {Quinta da). Está situada no logar d’este nome ; tambem tinha a denominação de Amieiro, assim como a freguezia. No começo do século XVI pertencia a Eeruão Balones, (pie a , vendeu depois a Fernando Alves Cabral, que I mais tarde a passou a Gonçalo Vaz, rjue a ac- crescentou e melhorou. Seu filho, Gonçalo Vaz d’Araiijo, instituiu-a em morgado, com a condi- ção de ser fundada uma capella e casa para pou- sada dos passageiros pobres. A capella foi dedi- j cada a S. lioque, cuja imagem veiu do Monte j Santo, nas faldas do Monte Junto. Em 1811 foi saipieada pelos francezes. Depois de restaurada, j teve outra invocação. O terreno é fertilissimo, a j vegetação magnifica. Ila ali um pouco de argilla refractaria, que já duas emprezas tentaram apro- [ veitar, um bello largo com tanque, abundantíssimo i de agua potável. As casas dos proprietários são | vastas e elegantes.
Abrigueiros. Quinta da freg. de Sobral da Abelheira, conc. de Mafra.
Abrilada. Nome j)or (pie ficou conhecida a re- volta de 30 de Abril de 1824, promovida pelo in- fante D. Miguel contra seu pae, D. João VI. Os priucipaes agentes da contra revolução de 1823, conhecida por Villaf rançada, tinham sido D. Mi- guel e sua mãe, D. Carlota Joaquina. D. João VI adherira a este movimento. D’aqui se derivou a jircponderancia do infante no partido absolutista, que promovera e pozera em acção na ViUafran- cada. No fim do anuo de 1823, descobriu a poli- cia a conspiração planeada por D. Carlota Joa- qnina e seu fiího D. Miguel, que fôra nomeado generalíssimo do exercito. Esta conspiração ti- idia por fim forcar D. João VI a abdicar, mas por ter sido descoíierta ficou malograda. A exces- siva tolerância para com os liberaes e a pro- messa d’uma constituição serviam de fundamento aos (piei.xumes e protestos dos partidários da rai- nha contra o rei. Os ultra-realistas descarrega- vam espccialmente os seus golpes contra o mar- quez de Pahnclla e o conde de Subserra, ministros
de I). João VI, que rcprcsenfavain mais i)ionuncia- damente essas tendências. Em 2Í) de fevereiro de 1824, 0 mj-sterioso assassinato do marquez de Eoulé cm Salvaterra, imjnitado ai). .Miguel vciii indicar que o interesse do partido do infante era fazer desapparecer os homens deveras dedicados ao rei. Dois mezes de])ois,em3()d’abril,D. Miguel, á sua voz de generalissimo, reuniu as tropas, e mandou jircuder os ministros c outras jiersona- gens importantes, conservando o rei incommuni- cavel no paço da Bemposta, distribuindo publi- cações ao j)Ovo, em que dizia ter-se descoberto uma conspiração, que os maçons pretendiam as- sassinar el-rei, e elle se propunha a defendcl-o e a salvar-lhe a vida. A idéa, porém, continuava sendo sempre a abdicação. O corpo diplomático, presidido pelo ministro de França, Il3-de de Neu- ville, entrou á força na Bemposta, obrigando as seutiuellas, que tinham ordem de não deixarem entrar pessoa alguma, a franquearem-lhe a en- trada, e protestou contra a violação da auctori- dade real. Esta attitude dos representantes das cortes extraugeiras, obrigou a rainha e o in- fante a serem mais moderados. No entretanto, D. João VI, por conselho dos embaixadores de França e da Inglaterra, retirou-se para bordo da nau ingleza }\'indsor-Castle, a 1) de maio, simu- lando um passeio a Caxias, para não despertar suspeitas. Depois de estar a bordo, mandou cha- mar o infante, demittiu-o do posto de gencralis- simo, reprehendeu-o asperamente, e exilou-o para 0 extrangeiro. Cinco dias depois, a 14 de maio, o rei voltou para terra, restabeleceu o ministério, mostrando-se, porém, demasiadamente benigno para com os revoltosos da Abrilada. A raiidia I continuava sempre conspirando, até que, sendo ! descoberta no dia 20 d’outnbro do mesmo anno, uma nova conspiração por ella dirigida, houve ordens severas para a encerrarem no palacio de Queluz.
Abrilongo. Pequeno rio no termo da villa d’Ouguella. Mette-se no Xevora (ou Cevora), proximo e em frente da dita villa ; districto de Portalegre.
Abris. Pov. na freg. e conc. d’Aljezur, disfr. de Faro.
Abroca. Quinta da freg, de Valladarcs, conc. de Trancoso.
Abroens. Aldeia na prov. de Entre Douro e Minho, arcebisp. de Braga, com. de Guima- rães, freg. de S. Jorge, da Varzea.
Abroens d’Allen. Aldeia na prov. de Entre Douro e Minho, arcebisp. de Braga, com. de Guimarães, freg. de S. Jorge da Varzea.
Abrolhanas. Aldeia na prov. da Extremadura, patriar. de Lisboa, com. de Santarém, freg. de N. S.‘ da Conceição de Kio Maior.
Abrolho. Logar da freg. de Vermoil, conc. de Pombal. II Pov. na freg. de Serro Ventoso, conc. de Porto de Moz.
Abrotica. Pov. na freg. de Cardosas, conc. de Arruda dos Vinhos.
Abrunhal. Pov. na freg. dq Fermedo, conc. de Arouca.
Abrunheira. Pequena serra, ramificação da de Cintra. || Logar na freg. de S. Clemente de Basto, conc. de Celorico de Basto. || Logar da freg. de S. Martinho de Cortiça, conc. de Arga- nil. II Logar da freg. de Assafarge, conc. de Coim- bra. II Logar da freg. de Kevelles, conc. de Mon-
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tcinór-o-Vclho (tciii caixa postal). || Ijogar da tVeg. dc Yerride, do mesmo cone. || Logar tía frcg. d’Aguda, couc. de Figueiró. || Logar da frcg. e couc. de Cintra. || Logar da frcg. ile Alcaiuea, couc. de Mafra. || Jjogar da frcg. de Jtamallial, couc. de Torres Vedras. || Casal da frcg. de S. Martiulio do Lispo, cone. de Coiml)ra. || Courella da frcg. de Montemór-o-Xovo. |{ Sitio da frcg. da Jtibeira de Xiza, couc. de Portalegre. || I>ogar da frcg. e couc. d’(Jliveira do Hairro, chamado' tam- bém Jlruuheira. || Pov. da frcg. de Penaferrim.
Abrunheiro. Aldeia na prov. entre J)ouro e M ilibo, arceb. de Praga, frcg. de S. Miguel de Vil la Cova.
Abrunheiro Grande. Aldeia da prov. da Ex- trmnadura, bisp. da (íuarda, couc. de Tbomar, termo da Villa do Kei. Tem treze visinbos e per- tence á freg. de Santa Margarida da Fundada no logar da Silveira.
Abrunheiros. Pov. na frcg. de Fregim, cone. de Aiuaraute.
Abrunheta. Logar na freg. de Souto, cone. d’Abrautcs, chamado também Jíruuheta.
Abrunhosa. Pov. da freg. de ^’illa Poa, couc. dc Satam || freg. do cone. e com. de Mangualde, distr. c bisp. de ^’izeu, 1100 alm. tem escola.
Abrunhosa do Ladario. freg. de Santa Ma- ria. E’ uma pcíjucua villa da prov. da Pcira Alta, couc. dc Satam, com., distr. e bisp. de ^'izcu. Dist. 24 k. de Vizeu. lõO fog., GtM) alm. Foi couc. com camara, juiz ordinário. Era da corôa.
Abrunhosa do Matto. l’ov. da frcg. de S. Tlio- mc da Cunha Paixa, couc. de Mangualde. Tem caixa jiostal. oOO almas.
Abrunhosa-a-Velha. Pov. da prov. da Peira Alta, frcg. de Santa Cecilia, couc. e com. de ISIau- giiahle, distr. e bisp. de Vizeu; 1120 alm. 2(>0 fog., dist. a pov. 14 k. da sede do couc. Tem es- cola do sexo masculino, serviço postal, permu- tando malas com a K. A. P. A. Foi autigameute com. de ^’izeu. Qnaudo os Paes, de Mangual- dc, fòram feitos donatários d’esta pov. e de Villa Mciido, no século xviii, Abruuhosa-a-Velha foi elevada a villa; estas duas povoaeòes ficaram formando então um concelho, com juiz ordinário, camara, os necessários escrivães e ofliciaes de di- ligencias. Xo judicial serviam alteruativameute os tres do judicial e notas, de Tavares, mas elfecti- vamente o dos orphãos. A superintendência das decimas estava no juizo de fóra de Mangualde e Tavares, e esteudia-se a mais dois concelhos pequenos, extiuctos ha muitos aunos. Um d’estcs concelhos extiuctos pertencia á ouvidoria de Li- nhares, outro á de l‘enalva do Castello. Sendo elevaila a villa, Abrunhosa ficou ehaiuando-se Vílln Aova de AhruvhoHa Velha; mais tarde, tor- nou a ter outra vez o nome autigo, que conserva ainda hoje. Esta villa tem um lindo sanctuario de Xossa Senhora.
Abrutes. Aldeia na prov. de Entre Douro e Minho, arceb.